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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Quilombolas de Palmeirinha/MG concretizam projeto arquitetônico e social desenvolvido pela própria comunidade


Localizada em Pedras de Maria da Cruz, no norte de Minas, quilombolas são responsáveis pelo projeto de revitalização da comunidade, por meio do Minha Casa, Minha Vida

Ter a casa própria é o sonho de muitos brasileiros e, para muitos deles, ainda é uma realidade distante, uma vez que o perfil econômico dos povos e comunidades tradicionais não lhes permite esse tipo de aquisição. Porém, os moradores do Quilombo de Palmeirinha, situado no município de Pedras de Maria da Cruz, em Minas Gerais, sonharam e foram alto: com muito esforço, alcançaram a possibilidade da moradia e também a adequação do espaço às suas necessidades.

A conquista se deu a partir do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) da Caixa Econômica Federal integrante do Programa Minha Casa, Minha Vida. Os quilombolas buscaram informações, se dedicaram e conseguiram que fosse aprovado o projeto arquitetônico e social desenvolvido por eles próprios. “O projeto é 100% da associação da comunidade. Somos o primeiro quilombo do país com autonomia na construção das próprias casas”, disse Agmar Pereira Lima, uma das lideranças da comunidade e vereador do município ao qual pertence.

“Foi também a primeira vez que uma comunidade quilombola ‘transformou’ uma portaria do Ministério das Cidades para adequar o projeto de moradia à sua realidade de vida”, explicou. De acordo com ele, uma moradora do quilombo foi capacitada para elaborar a proposta e, hoje, das 140 famílias que compõem a comunidade, 40 já foram beneficiadas.

A conquista se deu a partir de 2011, quando a Fundação Cultural Palmares certificou a comunidade tradicional como remanescente de quilombo. De acordo com Alexandro Reis, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro, a certidão é um instrumento importante de valorização das comunidades. “A partir dela, outros direitos se tornam mais acessíveis”, afirma.

Visão de futuro - Com as casas sendo construídas, a preocupação dos quilombolas de Palmeirinha agora é com a geração de emprego e renda. A maioria das pessoas na localidade tem empregos externos e temporários. São colhedores de café, construtores civis e domésticos. Em sua grande parte, dependentes de programas do Governo como o Bolsa Família.

Na região não há como se viver do agronegócio ou da pecuária. Apesar de o quilombo se localizar às margens do Rio São Francisco, os períodos de seca abrangem grande parte do ano, comprometendo a qualidade dos alimentos ou mesmo, impedindo as plantações.

Para que esse cenário seja mudado, há um esforço em se investir nos jovens e, paralelamente, em projetos sociais próprios. Entre eles, estão uma indústria de laticínios e a implantação de caixas d’agua que garantirão a manutenção de viveiros. “Estamos investindo em estudos de viabilidade e mercado para a produção de leite e ervas medicinais”, explica Lima, ressaltando que a proposta é a potencialização e a independência financeira do quilombo.

Desenvolvimento – Com vistas a um novo futuro, a população constituída por 85% de analfabetos busca se adequar a realidade sonhada. Quatorze mulheres, alcançaram vagas na universidade com o compromisso de garantir retorno à Pelmeirinha. Outra senhora, uma mestra griô, garante o nivelamento dos conhecimentos tradicionais aos novos saberes adquiridos.

Entre outras conquistas estão a internet gratuita e um telecentro atendido pela universidade mais próxima. Já as ambições são de que se consigam avanços na Educação, na Saúde e em outras áreas. “A expectativa é que em 10 ou 15 anos, nosso quilombo seja o melhor lugar do Brasil para morar. Onde as pessoas tenham dignidade, sejam respeitadas e tenham, acima de tudo, orgulho de ser quilombola”, conclui Lima.

Fonte: Palmares

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