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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Projetos de série que Bolsonaro quer 'abortar' são finalistas na linha 'Diversidade de gênero' de edital público

por Jan Niklas
Presidente citou em vídeo divulgado na quinta-feira uma lista de produções que não deviam ser aprovadas pela Ancine

Cena do curta-metragem 'Afronte' Foto: Divulgação

As obras audiovisuais que o presidente Jair Bolsonaro ameaçou “abortar”, em vídeo divulgado anteontem, estão entre os finalistas da linha de “diversidade de gênero” de um edital aberto em 2018 para produções que serão transmitidas por TVs públicas. “Afronte”, “Transversais” e “Religare queer” concorrem à chamada pública “RDE/FSA PRODAV” que visa selecionar séries para a programação da TV pública em canais como a TV Brasil. Os vencedores seriam financiados por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

— Esse edital foi lançado pela EBC ( na realidade, o edital é do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, BRDE ), e ele não pode quebrar esse contrato, pois foi lançado antes do governo dele — afirmou o diretor de “Transversais”, Émerson Maranhão. — Pra mim, é uma clara sinalização de censura. Apesar de ele negar, a partir do momento em que diz que produções LGBT não vão receber recursos, é censura.

“Transversais” conta a história de cinco cearenses transgênero. Segundo o produtor da série, Allan Deberton, a obra trata da superação de obstáculos, como a entrada na faculdade e a conquista do primeiro emprego:

— É tudo dentro da superação. E foi barrado por ter uma temática LGBT.
'Fomento deve compreender que somos múltiplos', dizem diretores

A equipe de “Afronte” chegou a divulgar uma carta aberta nesta sexta-feira em que critica o que chama de “censura a projetos que buscam discutir a diversidade sexual”. E defendeu o fomento que compreenda “que somos múltiplos”. A intenção da equipe é transformar em série o curta homônimo dirigido em 2017 por Marcus Azevedo e Bruno Victor.

Em março, a EBC publicou o resultado preliminar das séries de TV classificadas nas diferentes categorias do edital: além de “diversidade de gênero”, há “sociedade e meio ambiente”, “profissão”, “animação infantil” e “qualidade de vida”, entre outras.

Os vencedores de cada região do Brasil recebem valores entre R$ 400 mil até R$ 2 milhões, dependendo da linha temática. Em “diversidade de gênero”, a previsão é de R$400 mil para cada obra.

Ou seja, diferentemente do que afirmou Bolsonaro no vídeo — que os projetos estavam autorizados pela Ancine para captar recursos no mercado —, os vencedores receberiam recursos do FSA, que é alimentado principalmente pela Condecine, taxa arrecadada do setor audiovisual e de telecomunicações. Hoje, o valor total do fundo soma R$ 724 milhões.

Os produtores de “Transversais” contam que ainda não têm notícias do resultado final do edital. Como o presidente diz que os projetos já estavam “prontos para captar”, eles acreditam que a lista que chegou a ele seja dos vencedores. “Transversais” (CE) seria, portanto, o escolhido do Nordeste; “Afronte” (DF), do Centro-Oeste; e “Religare queer” (SP), do Sudeste. Pelo que o presidente sugere no vídeo, ele teria barrado apenas a linha de “diversidade de gênero”.

Procurada, a assessoria do Planalto não se manifestou até o momento.

Atualização: Após a publicação desta reportagem, a EBC entrou em contato na noite de sexta-feira para afirmar que o edital não é criado pela instituição, e sua participação se dá "na responsabilidade de companhar o processo de produção dos conteúdos, fazer a validação técnica e realizar a distribuição para as TVs públicas". Por isso, algumas informações foram atualizadas ou corrigidas no texto acima.

Leia a íntegra do comunicado da EBC:

"É incorreta a informação de que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) seja a responsável pelo edital mencionado na matéria, publicada hoje (16) na edição online de O Globo. Trata-se de uma chamada pública realizada pelo BRDE/FSA PRODAV – TVS PÚBLICAS – 2018.

A EBC tem a responsabilidade de acompanhar o processo de produção dos conteúdos audiovisuais, fazer a validação técnica deste conteúdo em conformidade com a Norma Técnica EBC nº 704 e realizar a distribuição para todas as TVs do campo público que aderirem ao projeto, além de enviar à Ancine e ao BRDE os resultados preliminares e finais do certame." 
 
Fonte: oglobo

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Bacurau no Complexo Cultural Samambaia


O Complexo Cultural Samambaia exibirá no próximo dia 18 de janeiro o filme brasileiro que conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, BACURAU. Dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles com distribuição da Vitrine Filmes (Brasil), BACURAU conta a história de moradores de um pequeno povoado do sertão brasileiro que descobrem que a comunidade não consta mais no mapa.

A programação que começa a partir das 17h contará ainda com feira criativa, com artigos de artesanato, indumentárias, comidas veganas e outros, discotecagem e show com a banda Madamme Bovary.

Venha assistir esta grande produção com a gente e se vier venha na paz!

Local: Cine teatro Verônica Moreno do Complexo Cultural Samambaia
Data: 18 de janeiro de 2020
Horário: A partir das 17h

Entrada: 20 inteira e 10 meia
(ingressos a venda no Sympla)
https://bit.ly/39Gx7BX

Classificação Etária 16 anos

O Complexo Cultural Samambaia fica na Quadra 301 conjunto 05 – Centro Urbano Samambaia Sul ao lado dos Correios
Informações: (61) 9 9228-0715

Distribuição e apoio: Vitrine Filmes

Associação Imaginário Cultural e Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF

Mais infos: Bacurau no Complexo Cultural Samambaia

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Filme falado em língua indígena é o grande vencedor do Festival de Brasília


por Clara Balbi
Depois de conquistar prêmios pelo mundo, "A Febre", de Maya Da-Rin, ganhou o Candango de melhor filme no Festival de Brasília, que encerrou sua 52ª edição neste sábado (30).

O longa, falado em grande parte em tukano, espécie de língua-franca entre os povos do Alto Rio Negro, na Amazônia, foi o grande vencedor da noite. Com forte viés antropológico —esta é a primeira ficção de Da-Rin, que dirigiu documentários passados na Amazônia antes—, ele acompanha um indígena que trabalha como vigia num porto de Manaus e é acometido pela estranha febre do título quando sua filha anuncia que se mudará para a capital federal.

Além do prêmio de melhor filme, ele recebeu outras quatro láureas, nas categorias de direção, ator principal (Régis Myrupu, que havia conquistado o mesmo prêmio no Festival de Locarno, na Suíça), fotografia e som.

Com isso, desbancou o aguardado "Piedade", de Cláudio Assis. O título, que retrata Cauã Reymond e Matheus Nachtergaele numa inusitada e tempestuosa relação homossexual e tem Fernanda Montenegro no elenco, terminou a noite com três prêmios, entre eles ator coadjuvante para Reymond.

Esta é a primeira vez que Assis participa do evento e não leva o prêmio de melhor filme. No debate sobre o filme no dia após sua exibição, o pernambucano revelou que "Piedade" é seu título mais autobiográfico, comparando a si mesmo com o personagem de Irandhir Santos.

Outro destaque da noite de premiação foi "Alice Júnior", de Gil Baroni. O filme faturou quatro troféus (apenas um a menos que "A Febre"): melhor atriz (Anne Celestino), atriz coadjuvante (Thais Schier), trilha sonora e montagem, ele mostra a saga da youtuber trans Alice Júnior para dar seu primeiro beijo numa cidadezinha.

Além destes, outro longa passado na Amazônia, desta vez um documentário, foi o ganhador do prêmio do júri popular. "O Tempo que Resta", de Thaís Borges, segue duas mulheres juradas de morte por enfrentar milícias madeireiras no Pará.

Em sua exibição oficial durante a mostra competitiva, no Cine Brasília, um homem, depois identificado como integrante da organização, provocou uma saia-justa ao interromper o discurso de Borges antes da sessão. Foi repreendido pela plateia e respondeu com xingamentos.

Não foi a única polêmica desta edição do Festival de Brasília, o mais antigo do país.

Em sua noite de abertura, 22 de novembro, um ator que subiu ao palco para ler uma carta contra a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal por pouco não foi expulso por um segurança e teve o microfone cortado. A plateia reagiu com gritos de "censura".

A carta foi lida, na íntegra, dois dias depois, em 24 de novembro, pela equipe de "A Febre".
Conheça os vencedores da mostra competitiva do 52º Festival de Brasília
  • Melhor filme - 'A Febre', de Maya Da-Rin
  • Prêmio especial do júri ("Piedade")
  • Melhor longa - júri popular ("O Tempo que Resta")
  • Direção - Maya Da-Rin ("A Febre")
  • Ator - Régis Myrupu ("A Febre")
  • Ator coadjuvante - Cauã Reymond ("Piedade")
  • Atriz - Anne Celestino ("Alice Júnior")
  • Atriz coadjuvante - Thais Schier ("Alice Júnior")
  • Roteiro - Thaís Borges ("O Tempo que Resta")
  • Fotografia - Bárbara Alvarez ("A Febre")
  • Trilha sonora - Vinicius Nisi ("Alice Júnior")
  • Direção de arte - Carla Sarmento ("Piedade")
  • Montagem - Pedro Giongo ("Alice Júnior")
  • Som - Felippe Schultz Mussel, Breno Furtado, Emmanuel Croset ("A Febre")
  • Prêmio Abraccine - "O Tempo que Resta"
  • Prêmio Saruê do jornal Correio Braziliense - "Escola sem Sentido"
Fonte: folha

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

‘Bacurau’. Mas pode chamar de… Brasil

 
Por Aydano André Motta,
Uma lista – COM SPOILERS – das semelhanças, metáforas e referências que conectam ficção e realidade no filme de Kleber Mendonça e Juliano Dornelles

Foto icônica da chegada a Bacurau: caminhão-pipa e frase emblemática. Foto de divulgação

Em cartaz desde a semana passada após viagem de aclamação e prêmios no exterior, “Bacurau” se passa num futuro distópico, mas desfila incômodas semelhanças com a vida real do Brasil – no presente. Aqui, uma lista – COM SPOILERS – da mistura perturbadora.

1. A falta de acesso a água potável e saneamento. O caminhão-pipa serpenteando por estradas em escombros é um personagem da trama. Ao ser perfurado por tiros, os moradores correm para tentar salvar um pouco da água que escorre pela terra. Na vida real, metade dos brasileiros não tem acesso a esses serviços.

2. O isolamento internacional. Bacurau some do mapa, referência precisa do Brasil que briga com os vizinhos da América do Sul e parceiros estratégicos mundo afora, como França e China.

3. O povo desvalorizado e subjugado. Os visitantes vêm participar de uma competição macabra: o extermínio de pessoas esquecidas, que vivem no “fim do mundo”, onde só tem valor como mercadoria – a população, aliás, foi vendida aos estrangeiros para servir de alvo. 
 
Michael (Udo Kier), o líder dos assassinos: agente do caos. Foto de divulgação

4. A elite patética. Dois habitantes do sul, “a região rica”, contratados pela trupe gringa, se enxergam brancos como os visitantes. Mas descobrem, do jeito mais sangrento, que são, isso sim, latinos, compatriotas dos pobres nordestinos. Como os migrantes que sonham ser “nativos” em Miami ou Portugal, mas continuam brasileiros.

5. A violência tatuada na nossa sociedade. Os oprimidos têm, como grande orgulho de sua cidade, o museu onde se destacam fotos de cangaceiros portando armas. E eles reagem à brutalidade com ainda mais força, utilizando armas antigas e explosivas. Como os opositores, saboreiam a própria violência. Além disso, caixões são transportados o tempo inteiro na cidade. Faz sentido, no país que, em 2018, matou 67 mil pessoas.

6. A sedução pelo extermínio. O filme se passa “daqui a alguns anos”. Num dado momento, a TV transmite evento ao vivo, a tarja informa: “Execuções públicas no Vale do Anhangabaú”. Combina com o discurso vitorioso de extermínio do povo pobre e preto.

7. A milícia. Para reagir aos invasores, os habitantes de Bacurau pedem socorro ao ex-matador que voltou à cidade. Ele se une a outros criminosos, que vivem nas cercanias. Exatamente como a milícia age nas grandes cidades, vendendo segurança num primeiro momento, para depois controlar a vida toda nas comunidades distantes.

8. As drogas. “Nós estamos sob efeito de forte psicotrópico, e você vai morrer”, avisa morador de Bacurau a um dos visitantes. Todos os habitantes ingerem um comprimido, antes da batalha. Um território onde parece se estar delirando, fora do juízo, como o Brasil de hoje.

9. A tragédia dos políticos. Diante do povoado deserto, o prefeito em campanha pela reeleição traz comidas e remédios vencidos. Quando vai embora, leva uma jovem prostituta. Qualquer semelhança com políticos da vida real não será mera coincidência.

10. O abandono das crianças. “Ele parecia ter 16 anos”, despreza um dos estrangeiros, após balear menino bem mais jovem. Encaixa na discussão sobre a redução da maioridade penal, pautada pela intolerância.

11. Sobre enxugar gelo. Domingas, a médica interpretada (magistralmente, mais uma vez) por Sônia Braga vive sob forte pressão, que só consegue aliviar com a muleta da bebida alcoólica. 
 
Sônia Braga, como a médica Domingas: estresse e álcool. Foto de divulgação

12. A falta de individualidade. As identidades dos moradores são apagadas e vigora o conceito de tribo, onde todos exercem o mesmo papel. Da jovem que chegou de volta à sua terra natal ao idoso com postura de sábio, a população aperta unida o gatilho contra os visitantes.

13. O monstro adormecido. Líder dos estrangeiros exterminadores, Michael (Udo Kier) não é assassinado, mas preso num buraco, como se dali pudesse emergir um dia.

Bônus 1: Num enterro coletivo, são citadas vítimas como “Mariza Letícia” e “Marielle”. Nem precisa explicar, né?

Bônus 2: Repare na placa da foto lá do alto, a distância que falta até Bacurau. De novo, nem precisa explicar, né?

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Cine Ubuntu/Apresentação Institucional (13/09)


A Ubuntu - Frente Negra de Ciência Política convida todas e todos para a exibição do filme "US", do cineasta Jordan Peele, também produtor, roteirista e diretor de "Get Out".
 
Após a exibição do filme, faremos a apresentação institucional do projeto de extensão e detalharemos o processo seletivo para todas e todos que estiverem interessados em integrar o projeto.
 
A exibição ocorrerá no auditório azul da FACE, dia 13/09, a partir das 14h.
Esperamos vocês!

#ubuntueusouporquenossomos

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Simonal: Honesta e polêmica, biografia do músico é o Rocketman brasileiro



por Caio Coletti,

A trajetória de Wilson Simonal é uma das mais conturbadas da música brasileira. O cantor fez muito sucesso nos anos 60 e 70, arrastando multidões aos seus shows, apresentando programas de TV e fundando a Simonal Produções, se tornando assim o seu próprio empresário. Tudo mudou, no entanto, quando foi acusado de colaborar com o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), órgão do governo da ditadura militar responsável pela repressão e tortura de dissidentes políticos.

A partir daí, o cantor caiu no ostracismo, e virou personagem esquecido da música brasileira. Os altos e baixos do músico são expostos em Simonal, filme biográfico que chega hoje aos cinemas e que, ao abordar uma figura polêmica e não deixar nada de fora, lembra outro sucesso deste ano: Rocketman, longa sobre a vida e obra de Elton John.


Assim como o filme britânico contou com a colaboração do próprio John, Simonal teve os filhos do biografado, Simoninha e Max de Castro, também músicos, como produtores e compositores. Em entrevista ao UOL, a dupla e o diretor do filme, Leonardo Domingues, contaram como a produção se dividiu entre um resgate musical do legado de Simonal e uma tentativa de esclarecer a fama de delator durante a ditadura.

"Eu tenho falado com pessoas que assistem ao filme agora, mais novas, e elas me falam: 'Cara, eu não conhecia essa história, eu não sabia nada disso'. Acho que mais do que um resgate, um esclarecimento do que aconteceu, é trazer para essas pessoas uma parte da nossa história. E eu acho que o filme é muito atual, quase um alerta: 'Olha o que aconteceu com o Simonal. Estamos em um momento parecido, alguém pode ser colocado de escanteio por um fake news'", comentou Domingues.

Simoninha completa: "A mensagem é de cada um. O entendimento é de cada um. A liberdade é de cada um para levar para casa, e levar para dentro de si, o que quiser. [Há quem tenha] A vontade de entender mais a história, ou de relembrar as canções, ou de entender todas as questões políticas que aconteceram. Esse é o grande barato do cinema. É você entrar [na sala] e aquilo te transformar de algum jeito".

Leandro Hassum e Fabricio Boliveira em cena de Simonal Imagem: Divulgação/Paprica Fotografia
Do Maracanãzinho ao ostracismo

Outra semelhança entre Simonal e Rocketman é que ambos fogem do formato tradicional da biografia ao recortar um período específico na vida de seus protagonistas. No filme brasileiro, acompanhamos o Wilson Simonal de Fabrício Boliveira dos primeiros shows do Dry Boys, sua banda antes da fama, até uma última tentativa de volta aos palcos, após todo o incidente com o Dops.

No meio do caminho, o filme escolhe usar imagens de arquivo para retratar alguns dos momentos mais icônicos da carreira de Simonal, como a apresentação no Maracanãzinho, em 1969, onde o cantor foi escalado como ato de abertura para Sérgio Mendes, mas acabou se tornando estrela principal da noite.


 
O verdadeiro Wilson Simonal Imagem: Reprodução

"Eu já trabalhei muito com documentário, gosto disso, de experimentar com essa mistura. Foi um processo delicado. A gente experimentou muito tempo na edição", relata Domingues. "Por exemplo, o Maracanãzinho. Como a gente ia filmar aquele lugar com 30 mil pessoas? Então a gente pensou: se já tem esse material, maravilhoso, com Simonal no auge, vamos tentar combinar isso".

Em outros momentos, Boliveira encarna o cantor brasileiro com garra e carisma. Apesar de dublar a voz de Simonal nas cenas de shows, o ator chegou a fazer aula de canto, para se tornar convincente no palco. "Não dava para eu tentar cantar do jeito que o Simonal cantava naquela época, eu tinha que convencer ali, para as pessoas que estavam sentadas, me assistindo", contou.

Boliveira ainda disse que não acha que Simonal tenha um herdeiro direto na música brasileira: "O legado dele ficou em bastante gente, mas até hoje não teve ninguém que ocupou esse lugar. Ele foi o primeiro músico a abrir o seu próprio escritório, ser seu próprio empresário. Foi o primeiro apresentador de TV negro, que hoje a gente não tem. Tem algum buraco, uma falta que esse cara fez. Ele nunca vai ser substituído".

Wilson Simonal é dono de sucessos como Nem Vem Que Não Tem, Meu Limão, Meu Limoeiro e Mamãe Passou Açúcar Em Mim. A cinebiografia chega aos cinemas em oito de agosto deste ano. Assista ao trailer:



Fonte: UOL

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Nosso Adeus à Ruth de Souza, a grande dama negra do teatro, do cinema e da TV

Reprodução

Ela foi a primeira brasileira indicada a um prêmio internacional e abriu caminho para o artista negro no Brasil 
 
Ruth de Souza, que morreu neste domingo 28 aos 98 anos no Rio de Janeiro, foi a primeira atriz negra a se apresentar no Theatro Municipal do Rio, em 1945.

A quebra de tabu a fez ser considerada a primeira-dama negra do teatro, do cinema e da televisão. Com seu papel na peça “O Imperador Jones”, escrita por Eugene O’Neil, 74 anos atrás, Ruth abriu caminho para o artista negro no País.

Foi também a primeira brasileira indicada ao prêmio de melhor atriz em um festival internacional de cinema, com o papel no filme “Sinhá Moça”, no Festival de Veneza, em 1954.


 
A atriz morreu no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Ela estava internada no Centro de Tratamento Intensivo desde a última segunda-feira 22 para tratar de uma pneumonia.

O último trabalho da atriz foi na minissérie “Se eu fechar os olhos agora“, da TV Globo, filmado em 2019. Ela foi homenageada no Carnaval de 2019 pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz durante desfile da Série A.
Repercussão

O ator Paulo Betti disse que a morte de Ruth é uma grande perda para a cultura do País. “Ela é uma figura muito importante para a cultura brasileira. Fez o Teatro do Negro. Foi uma pioneira”, disse Betti.

O cineasta e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Cacá Diegues destacou que Ruth de Souza não foi só uma grande atriz, “como também foi um símbolo da ascensão da qualidade do trabalho dos negros, todos grandes atores”.

Lázaro Ramos emociona ao se despedir da atriz Ruth de Souza: ''Um de seus filhos''
 
Ator emocionou seguidores ao dizer adeus à amiga Ruth de Souza: "Te amo profundamente" Ontem, às 16:11
 
Lázaro Ramos e Ruth de Souza Foto:Reprodução/Instagram

Lázaro Ramos prestou uma homenagem emocionante à atriz Ruth de Souza.

O ator publicou um texto com algumas fotos junto com a atriz, falecida na manhã deste domingo (28) aos 98 anos de idade. Os dois trabalharam juntos na série Mister Brau e o texto mostra como Lázaro Ramos tem um super carinho pela veterana.

"Mãe Ruth, fui procurar uma foto nossa pra publicar neste dia tão triste e eis que sempre nos encontrei assim, sorrindo e oferecendo carinho um para o outro. Tô bem confuso com este momento, me faltam palavras pra te agradecer por tudo que me ofereceu, de ensinamento, de amor a cada encontro mas principalmente por ter me escolhido como um dos seus filhos. A familia que você formou continuará. Nós seguiremos em honra a você. Te amo profundamente", escreveu Lázaro na legenda.

Seguidores se emocionaram. A atriz Mariana Xavier escreveu: "Que lindeza. Merece todas as homenagens". A jornalista Flávia Oliveira destacou a importância de Ruth: "Meu abraço, Lazinho. Dia triste para todos nós. Dona Ruth, agora ancestralizada, era a evidência viva de que 'nossos passos vêm de longe'. Ela nos ensinou a direção", citando o livro de Jurema Werneck.

LUTO


A atriz Ruth de Souza faleceu neste domingo (28) aos 98 anos de idade às 11h20.

Ela estava internada há seis dias no Hospital Copa D'Or, em Copacabana, na zona sul do Rio, e faleceu em decorrência de complicações de um quadro de pneumonia. Em seus últimos dias, a artista teve que ser sedada e recebia tratamento médico. O último trabalho dela na TV foi em uma participação na minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora, de 2019. 
 

Adeus a grande diva Ruth de Souza! Eterna em nossos corações...