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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Bacurau no Complexo Cultural Samambaia


O Complexo Cultural Samambaia exibirá no próximo dia 18 de janeiro o filme brasileiro que conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, BACURAU. Dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles com distribuição da Vitrine Filmes (Brasil), BACURAU conta a história de moradores de um pequeno povoado do sertão brasileiro que descobrem que a comunidade não consta mais no mapa.

A programação que começa a partir das 17h contará ainda com feira criativa, com artigos de artesanato, indumentárias, comidas veganas e outros, discotecagem e show com a banda Madamme Bovary.

Venha assistir esta grande produção com a gente e se vier venha na paz!

Local: Cine teatro Verônica Moreno do Complexo Cultural Samambaia
Data: 18 de janeiro de 2020
Horário: A partir das 17h

Entrada: 20 inteira e 10 meia
(ingressos a venda no Sympla)
https://bit.ly/39Gx7BX

Classificação Etária 16 anos

O Complexo Cultural Samambaia fica na Quadra 301 conjunto 05 – Centro Urbano Samambaia Sul ao lado dos Correios
Informações: (61) 9 9228-0715

Distribuição e apoio: Vitrine Filmes

Associação Imaginário Cultural e Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF

Mais infos: Bacurau no Complexo Cultural Samambaia

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

“Hair love”: filme de animação sobre o amor pelo cabelo crespo é sucesso no YouTube

Cena do filme “Hair love” da Sony (Foto/Reprodução YouTube)

No último dia 05 de dezembro, a Sony Pictures Animation disponibilizou em seu canal no YouTube o curta de animação “Hair love”, que fala sobre o amor pelo cabelo crespo. Estrelado por uma família negra, o filme conta a história de um pai que tenta pentear os cabelos crespos de sua filha. 
 
O pai da garota começa a penteá-la (Foto/Reprodução YouTube)

Na obra, a criança escolhe um determinado tipo de penteado. Seu pai, porém, escolhe outro que, apesar de ser mais fácil, acaba escondendo o cabelo afro e volumoso da garota. A partir disso, tem-se um confronto entre a criança, seu gato de estimação, seu cabelo e o pai.
 
 Garota mostra ao pai como ela quer seu cabelo (Foto/Reprodução YouTube)

Por fim, a garota consegue ir com o penteado que ela deseja visitar sua mãe. A autoconfiança da criança motiva até mesmo sua mãe que, por estar careca, usa um lenço para esconder a calvície. Ao vê-la, a mãe tira o lenço que cobre sua cabeça, deixando a careca à mostra.
 
 Cena em que a mãe tira o lenço e deixa careca à mostra (Foto/Reprodução YouTube)

O longa é do cineasta Matthew A. Cherry e, nos EUA, foi exibido antes do filme Angry Birds 2. No YouTube, a animação já foi vista mais de 5 milhões de vezes. Assista:



Fonte: todosnegrosdomundo

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Filme falado em língua indígena é o grande vencedor do Festival de Brasília


por Clara Balbi
Depois de conquistar prêmios pelo mundo, "A Febre", de Maya Da-Rin, ganhou o Candango de melhor filme no Festival de Brasília, que encerrou sua 52ª edição neste sábado (30).

O longa, falado em grande parte em tukano, espécie de língua-franca entre os povos do Alto Rio Negro, na Amazônia, foi o grande vencedor da noite. Com forte viés antropológico —esta é a primeira ficção de Da-Rin, que dirigiu documentários passados na Amazônia antes—, ele acompanha um indígena que trabalha como vigia num porto de Manaus e é acometido pela estranha febre do título quando sua filha anuncia que se mudará para a capital federal.

Além do prêmio de melhor filme, ele recebeu outras quatro láureas, nas categorias de direção, ator principal (Régis Myrupu, que havia conquistado o mesmo prêmio no Festival de Locarno, na Suíça), fotografia e som.

Com isso, desbancou o aguardado "Piedade", de Cláudio Assis. O título, que retrata Cauã Reymond e Matheus Nachtergaele numa inusitada e tempestuosa relação homossexual e tem Fernanda Montenegro no elenco, terminou a noite com três prêmios, entre eles ator coadjuvante para Reymond.

Esta é a primeira vez que Assis participa do evento e não leva o prêmio de melhor filme. No debate sobre o filme no dia após sua exibição, o pernambucano revelou que "Piedade" é seu título mais autobiográfico, comparando a si mesmo com o personagem de Irandhir Santos.

Outro destaque da noite de premiação foi "Alice Júnior", de Gil Baroni. O filme faturou quatro troféus (apenas um a menos que "A Febre"): melhor atriz (Anne Celestino), atriz coadjuvante (Thais Schier), trilha sonora e montagem, ele mostra a saga da youtuber trans Alice Júnior para dar seu primeiro beijo numa cidadezinha.

Além destes, outro longa passado na Amazônia, desta vez um documentário, foi o ganhador do prêmio do júri popular. "O Tempo que Resta", de Thaís Borges, segue duas mulheres juradas de morte por enfrentar milícias madeireiras no Pará.

Em sua exibição oficial durante a mostra competitiva, no Cine Brasília, um homem, depois identificado como integrante da organização, provocou uma saia-justa ao interromper o discurso de Borges antes da sessão. Foi repreendido pela plateia e respondeu com xingamentos.

Não foi a única polêmica desta edição do Festival de Brasília, o mais antigo do país.

Em sua noite de abertura, 22 de novembro, um ator que subiu ao palco para ler uma carta contra a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal por pouco não foi expulso por um segurança e teve o microfone cortado. A plateia reagiu com gritos de "censura".

A carta foi lida, na íntegra, dois dias depois, em 24 de novembro, pela equipe de "A Febre".
Conheça os vencedores da mostra competitiva do 52º Festival de Brasília
  • Melhor filme - 'A Febre', de Maya Da-Rin
  • Prêmio especial do júri ("Piedade")
  • Melhor longa - júri popular ("O Tempo que Resta")
  • Direção - Maya Da-Rin ("A Febre")
  • Ator - Régis Myrupu ("A Febre")
  • Ator coadjuvante - Cauã Reymond ("Piedade")
  • Atriz - Anne Celestino ("Alice Júnior")
  • Atriz coadjuvante - Thais Schier ("Alice Júnior")
  • Roteiro - Thaís Borges ("O Tempo que Resta")
  • Fotografia - Bárbara Alvarez ("A Febre")
  • Trilha sonora - Vinicius Nisi ("Alice Júnior")
  • Direção de arte - Carla Sarmento ("Piedade")
  • Montagem - Pedro Giongo ("Alice Júnior")
  • Som - Felippe Schultz Mussel, Breno Furtado, Emmanuel Croset ("A Febre")
  • Prêmio Abraccine - "O Tempo que Resta"
  • Prêmio Saruê do jornal Correio Braziliense - "Escola sem Sentido"
Fonte: folha

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

7 filmes (e séries) que mostram por que o Dia da Consciência Negra é tão necessário

Nada melhor que a arte para nos fazer refletir sobre questões como racismo, identidade e justiça social.

Muita gente ainda insiste em negar que o racismo continua sendo um problema urgente mesmo em 2019. E nada melhor que a arte para nos fazer refletir sobre as questões raciais. Seja retratando uma tragédia, inspirando com casos de superação ou mesmo instigando nosso senso crítico com sátiras, o cinema e a televisão são veículos muito importantes na construção dessa consciência.
Por isso, neste Dia da Consciência Negra, selecionamos 7 filmes e séries indispensáveis.
Veja aqui: 

Fruitvale Station - A Última Parada (2013)

Divulgação
Primeiro longa de Ryan Coogler, diretor de filmes que acabaram ficando bem mais conhecidos, como Creed (2015) e Pantera Negra (2018), Fruitvale Station - A Última Parada retrata o último dia de vida de Oscar Grant, vítima de um dos casos de brutalidade policial mais emblemáticos da última década nos EUA, que aconteceu na estação de trem de Fruitvale, em Los Angeles, na passagem de ano de 2009 para 2009. Mesmo com toda a comoção relacionada à morte de Grant, que foi filmada por várias pessoas que estava na mesma estação, o filme lançado apenas em 2013 ainda era muito urgente. O motivo? Johannes Mehserle, o homem branco que atirou a queima roupa em Grant tinha acabado de ser solto da prisão, menos de um ano depois de condenado. 

Sinopse: O jovem morador de Los Angeles Oscar Grant (Michael B. Jordan) quer se redimir de um passado de crimes, mas quase na virada do ano ele é demitido de seu trabalho. Fato que ele não conta para Sophina (Melonie Diaz), mãe de sua filha, porque não quer que nada atrapalhe a chance de passar o réveillon com das duas, em San Francisco. Porém, uma confusão acontece no trajeto do trem que ele embarca, e ele e um grupo de outros homens são detidos por guardas na estação de Fruitvale. 

Onde ver: Amazon Prime e Globo Play.

Atlanta (2016 e 2018)

Divulgação
Uma das melhores, mais inventivas e urgentes séries da atualidade, Atlanta é um mergulho - às vezes engraçado, outros trágicos e melancólicos - de cabeça no absurdo universo criado pelo ator, roteirista, humorista, músico e rapper Donald Glover. A série trata temas como pobreza, falta de oportunidades, criminalidade e racismo sem se fixar em um gênero e sem nunca escorregar para uma linguagem mais panfletária.

Sinopse: Earn (Donald Glover) é um afroamericano de 30 e poucos anos ainda meio perdido. Depois de largar um curso na prestigiada Universidade de Princeton, ele passa a fazer um bico aqui e ali para criar a filha que teve com a ex-namorada Van (Zazie Beetz). Mas aí seu primo Alfred (Brian Tyree Henry) começa a se destacar localmente como o rapper Paper Boi, e ele se torna seu empresário.

Onde ver: Netflix.

Olhos que Condenam (2019)

Divulgação
Criada, escrita e dirigida por Ava DuVernay (Selma: Uma Luta Pela Liberdade, 13th), a minissérie retrata um dos mais chocantes casos de erro judiciário da história americana, uma combinação perversa de falhas da polícia, da promotoria e da imprensa, que remetem ao conceito de racismo estrutural. Os quatro episódios contam fases distintas sobre 25 anos do caso, mostrando o quanto um erro judicial pode impactar a vida de uma pessoa não apenas pelo período em que ela é presa, mas por toda a sua vida. Pelo papel de Korey Wise, Jharrel Jerome consquistou um merecido Emmy de Melhor Ator de Minissérie ou Filme para TV.

Sinopse: Cinco jovens negros do Harlem são injustamente acusados e condenados por agressão e estupro de Trisha Meili, uma mulher branca que corria no Central Park, em 1989. Eles só foram inocentados em 2014, depois que evidências de DNA comprovaram que o grupo não estava no local no momento do crime.

Onde ver: Netflix.

Meu Nome é Dolemite (2019)

Divulgação
A volta por cima do comediante Eddie Murphy depois de anos longe do sucesso, o engraçadíssimo Meu Nome é Dolemite resgata uma figura importante e proporcionalmente subestimada da cultura negra norte-americana: Rudy Ray Moore. Um tipo de Ed Wood do subgênero Blaxploitation (filmes policiais com temáticas e elenco em sua maioria de atores e atrizes negros), Moore revolucionou a comédia de stand-up com seu personagem Dolemite, que usou histórias do folclore de rua com uma linguagem cheia de rimas que décadas depois seria reconhecida como uma das precursoras do rap. 

Sinopse: Vendedor de discos em uma pequena loja em Los Angeles, Rudy Ray Moore (Eddie Murphy) resolve usar as histórias de um morador de rua para construir um repertório como comediante de stand-up cheio de piadas sujas. Ele logo faz sucesso com seu alter-ego Dolemite e passa a excursionar pelos Estados Unidos. Mas ele não se contenta com a fama limitada dos clubes e resolve fazer um filme estrelado por seu personagem.

Onde ver: Netflix.

Chris Rock - Tamborine (2018)

Divulgação
Após 10 anos afastado das apresentações de stand-up comedy que o projetaram como ator, diretor e roteirista, Chris Rock (Todo Mundo Odeia o Chris) volta ao palcos com seu humor provocativo sempre colocando o dedo na ferida quando o assunto é racismo. Só para se ter ideia do tamanho da popularidade de Rock nos Estados Unidos, a Netflix desembolsou US$ 40 milhões por dois especiais do comediante.

Onde ver: Netflix.

O Menino que Descobriu o Vento (2019)

Divulgação
A história do jovem malawiano William Kamkwamba ganhou o mundo quando seu livro autobiográfico foi lançado em 2009. De lá para cá, sua narrativa vem inspirando milhares de pessoas a acreditarem na força da educação. Primeiro longa dirigido pelo britânico Chiwetel Ejiofor, que se destacou em 12 Anos de Escravidão como ator, o filme se tornou um dos mais populares do catálogo da Netflix em 2019.

Sinopse: William Kamkwamba (Maxwell Simba) é um garoto de 13 anos que não aguenta mais ver sua família e seus amigos passarem por dificuldades em uma forte seca que toma conta da região do Malawi. Para Kamkwamb, ir para a escola é a grande oportunidade de mudar de vida e ajudar os seus pais. Porém, como a família não consegue vender a plantação, faltam recursos para pagar a mensalidade. É aí que ele decide aprender sozinho, usando livros de uma pequena biblioteca local, sobre engenharia e energia eólica.

Onde ver: Netflix.

Guava Island (2019)

Divulgação
Filmado em segredo em Cuba, o média-metragem (de 55 minutos) Guava Island apareceu meio que de surpresa no catálogo da Amazon Prime no final do mês de abril. Estrelado por Donald Glover e Rihanna, o filme mistura musical, comédia e drama em um produto que mais parece um clipe de duração estendida para a persona musical de Glover, Childish Gambino, que despeja letras cheias de romantismo combinadas com ácidas críticas sociais. É como se Gambino encontrasse Earn, o personagem que o músico, ator, roteirista e diretor americano interpreta na incrível série Atlanta.

Sinopse: Deni Maroon (Donald Glover) é um músico que ganha a vida apresentando um programa em uma rádio e trabalhando nas docas de Guava, uma ilha caribenha controlada pela família Red, que além das docas, possui todos os grandes negócios do local, como o da produção da famosa seda azul. A namorada de Deni, Kofi (Rihanna), trabalha como costureira na tecelagem dos Red. Quando Deni decide fazer um festival para alegrar o sofrido e explorado povo de Guava, o atual chefe da família Red (Nonso Anozie) manda que ele cancele a festa, pois, acha que seus empregados ficarão cansados e não vão trabalhar no domingo, algo costumeiro na ilha.

Onde ver: Amazon Prime.


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

‘Bacurau’. Mas pode chamar de… Brasil

 
Por Aydano André Motta,
Uma lista – COM SPOILERS – das semelhanças, metáforas e referências que conectam ficção e realidade no filme de Kleber Mendonça e Juliano Dornelles

Foto icônica da chegada a Bacurau: caminhão-pipa e frase emblemática. Foto de divulgação

Em cartaz desde a semana passada após viagem de aclamação e prêmios no exterior, “Bacurau” se passa num futuro distópico, mas desfila incômodas semelhanças com a vida real do Brasil – no presente. Aqui, uma lista – COM SPOILERS – da mistura perturbadora.

1. A falta de acesso a água potável e saneamento. O caminhão-pipa serpenteando por estradas em escombros é um personagem da trama. Ao ser perfurado por tiros, os moradores correm para tentar salvar um pouco da água que escorre pela terra. Na vida real, metade dos brasileiros não tem acesso a esses serviços.

2. O isolamento internacional. Bacurau some do mapa, referência precisa do Brasil que briga com os vizinhos da América do Sul e parceiros estratégicos mundo afora, como França e China.

3. O povo desvalorizado e subjugado. Os visitantes vêm participar de uma competição macabra: o extermínio de pessoas esquecidas, que vivem no “fim do mundo”, onde só tem valor como mercadoria – a população, aliás, foi vendida aos estrangeiros para servir de alvo. 
 
Michael (Udo Kier), o líder dos assassinos: agente do caos. Foto de divulgação

4. A elite patética. Dois habitantes do sul, “a região rica”, contratados pela trupe gringa, se enxergam brancos como os visitantes. Mas descobrem, do jeito mais sangrento, que são, isso sim, latinos, compatriotas dos pobres nordestinos. Como os migrantes que sonham ser “nativos” em Miami ou Portugal, mas continuam brasileiros.

5. A violência tatuada na nossa sociedade. Os oprimidos têm, como grande orgulho de sua cidade, o museu onde se destacam fotos de cangaceiros portando armas. E eles reagem à brutalidade com ainda mais força, utilizando armas antigas e explosivas. Como os opositores, saboreiam a própria violência. Além disso, caixões são transportados o tempo inteiro na cidade. Faz sentido, no país que, em 2018, matou 67 mil pessoas.

6. A sedução pelo extermínio. O filme se passa “daqui a alguns anos”. Num dado momento, a TV transmite evento ao vivo, a tarja informa: “Execuções públicas no Vale do Anhangabaú”. Combina com o discurso vitorioso de extermínio do povo pobre e preto.

7. A milícia. Para reagir aos invasores, os habitantes de Bacurau pedem socorro ao ex-matador que voltou à cidade. Ele se une a outros criminosos, que vivem nas cercanias. Exatamente como a milícia age nas grandes cidades, vendendo segurança num primeiro momento, para depois controlar a vida toda nas comunidades distantes.

8. As drogas. “Nós estamos sob efeito de forte psicotrópico, e você vai morrer”, avisa morador de Bacurau a um dos visitantes. Todos os habitantes ingerem um comprimido, antes da batalha. Um território onde parece se estar delirando, fora do juízo, como o Brasil de hoje.

9. A tragédia dos políticos. Diante do povoado deserto, o prefeito em campanha pela reeleição traz comidas e remédios vencidos. Quando vai embora, leva uma jovem prostituta. Qualquer semelhança com políticos da vida real não será mera coincidência.

10. O abandono das crianças. “Ele parecia ter 16 anos”, despreza um dos estrangeiros, após balear menino bem mais jovem. Encaixa na discussão sobre a redução da maioridade penal, pautada pela intolerância.

11. Sobre enxugar gelo. Domingas, a médica interpretada (magistralmente, mais uma vez) por Sônia Braga vive sob forte pressão, que só consegue aliviar com a muleta da bebida alcoólica. 
 
Sônia Braga, como a médica Domingas: estresse e álcool. Foto de divulgação

12. A falta de individualidade. As identidades dos moradores são apagadas e vigora o conceito de tribo, onde todos exercem o mesmo papel. Da jovem que chegou de volta à sua terra natal ao idoso com postura de sábio, a população aperta unida o gatilho contra os visitantes.

13. O monstro adormecido. Líder dos estrangeiros exterminadores, Michael (Udo Kier) não é assassinado, mas preso num buraco, como se dali pudesse emergir um dia.

Bônus 1: Num enterro coletivo, são citadas vítimas como “Mariza Letícia” e “Marielle”. Nem precisa explicar, né?

Bônus 2: Repare na placa da foto lá do alto, a distância que falta até Bacurau. De novo, nem precisa explicar, né?

quarta-feira, 31 de julho de 2019

[Mobilidade no DF] Dona Zefinha - 93 anos de caminhada



Já pensou em como é a vida de quem tem 93 anos e precisa se movimentar pela cidade? Moradora do Paranoá desde as ocupações e lutas por moradia na região, te apresentamos Dona Zefinha! O vídeo faz parte do projeto Mapa das Desigualdades, que nesta terceira edição discute mobilidade e gênero no Paranoá e Itapoã: duas cidades – ou Regiões Administrativas, como prefere o discurso oficial – que integram o Distrito Federal. 
 
Longe das imagens modernistas associadas à Brasília, Paranoá e Itapoã nascem de um histórico de luta por moradia, a partir da ocupação dos territórios por famílias provenientes de diversas partes do país, especialmente do Nordeste, e que foram expulsas do centro da capital por sua lógica segregadora. 
 
Hoje vivem no Paranoá 66.138 habitantes e no Itapoã, 60.325 habitantes, sendo as duas cidades majoritariamente negras. Boa parte dos postos de trabalho do/as moradores/as dos dois locais encontram-se em outras regiões: 81,3% dos/as habitantes do Itapoã e 73,9% dos/as habitantes do Paranoá trabalham fora de suas cidades, fazendo com que longos trajetos em um transporte público caro e de baixa qualidade sejam cotidianos (dados da PDAD, 2018). 
 
Há também pouca infraestrutura para o transporte por bicicleta e a pé nas duas cidades. A falta de investimento em políticas que garantam o direito à mobilidade urbana pesa de forma distinta na vida das mulheres e da população LGBT, para quem locomover-se implica também em encarar outros perigos e discriminações. 
 
É sobre essas dificuldades, mas também sobre como elas são enfrentadas todos os dias, que o Mapa das Desigualdades se dedicou a conversar. Assista:
 
 
Realização: Movimento Nossa Brasília e Inesc Apoio: Oxfam Realização audiovisual: COMOVA
 

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Festival de Curtas do Distrito Federal amplia prazo de inscrições


Estudantes têm até 20/9 para inscreverem suas obras para mostra

por João Gabriel amador, Ascom/SEEDF
Uma boa notícia para quem quer participar da 5ª edição do Festival de Curtas das Escolas Públicas do DF: o prazo de inscrições foi estendido para setembro. A mudança no cronograma foi publicada nesta quarta-feira (10/7) no Diário Oficial do DF.

Com a alteração, o prazo para inscrições passa para 20 de setembro. Anteriormente, os estudantes tinham até o dia 19 de julho para inscrever suas obras junto a organização. A data da mostra também mudou: passou de setembro para os dias 25 e 26 de novembro. Confira abaixo o cronograma atualizado do evento:



CRONOGRAMA DO PROCESSO SELETIVO
  • Início das inscrições. 16/05
  • Transcurso do prazo para inscrição e postagem do link do Filme em rede social de compartilhamento de vídeos. 16/05 a 20/09
  • Encerramento das inscrições. 20/09
  • Análise da ficha de inscrição online, da declaração online do(a) professor(a) mediador(a) e da equipe gestora da unidade escolar frente à posse das licenças, autorizações, direitos, atribuições de direitos, consentimentos e permissões e checagem do link do filme pela comissão organizadora. 23/09 a 26/09
  • Divulgação preliminar dos filmes inscritos no site da SEEDF. 27/09
  • Prazo para recurso frente às produções fílmicas inscritas. 30/09 a 04/10
  • Divulgação final dos filmes inscritos no site da SEEDF. 07/10
  • Análise das produções fílmicas inscritas e seleção das 15 (quinze), de cada nível e/ou modalidade, pela comissão julgadora. 08/10 a 25/10
  • Divulgação preliminar da lista das 15 (quinze) produções fílmicas selecionadas, por nível e/ou modalidade. 28/10
  • Prazo para recurso frente às produções fílmicas selecionadas. 29/10 a 04/11A
  • Divulgação final das 15 (quinze) produções fílmicas selecionadas no site da SEEDF. 05/11
  • Entrega de licenças, autorizações, direitos, atribuições de direitos, consentimentos e permissões e do arquivo do filme referente às 15 (quinze) produções fílmicas selecionadas, por nível e/ou modalidade, para a comissão organizadora, na Gerência de Produção e Difusão de Mídias Pedagógicas/ Cana E, sito à SIA SAPS – Setor de áreas Públicas – Lote E, Unidade III da SEEDF. 05/11 a 07/11
  • Entrega das licenças, autorizações, direitos, atribuições de direitos, consentimentos e permissões e do arquivo do filme referente às 15(quinze) produções fílmicas selecionadas, por nível e/ou modalidade, para a comissão organizadora, na Gerência de Produção e Difusão de Mídias Pedagógicas/Canal E, sito à SIA SAPS – Setor de áreas Públicas – Lote E, Unidade III da SEEDF, dos novos filmes convocados, caso haja alguma desclassificação, conforme previsão neste edital. 08/11 a 12/11
  • Enquete – rede social – categoria Melhor Filme pelo júri popular análise e julgamento das 10(dez) categorias pela comissão julgadora. 13/11 a 22/11
  • Exibição dos filmes do Ensino Médio, Educação Profissional e Educação de Jovens e Adultos (EJA – 1º, 2º e 3º segmentos) e Solenidade de premiação, no turno matutino. 25/11
  • Exibição dos filmes do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e solenidade de premiação, no turno matutino. 26/11
  • Homenagem à professora Ghisa Pôrto. 25 e 26/11
O Festival de Curtas das Escolas Públicas do DF é uma parceria da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) com Secretaria de Cultura do Distrito Federal (Secult), por meio da Gerência de Produção e Difusão de Mídias Pedagógicas – GMIP/Canal E.

Entre os objetivos do festival, destaca-se a oportunidade de dar visibilidade à produção audiovisual dos estudantes da rede pública de ensino do DF e contribuir com a formação do público em relação à linguagem cinematográfica. Podem participar todos os estudantes regularmente matriculados na rede pública de ensino do DF que estejam cursando o ensino fundamental – séries finais (6º ao 9º ano); ensino médio regular, educação profissional ou educação de jovens e adultos (EJA).

Para se inscrever, o estudante precisa apenas de um celular, de uma câmera ou filmadora digital. A produção cinematográfica – ficção, documentário ou animação – deverá ter até cinco minutos de duração. Não serão aceitos filmes institucionais, publicitários, propaganda política partidária ou que contenham teor pornográfico, cenas explícitas de violência, apologia ao uso de drogas, consumo de cigarro ou bebidas alcoólicas. A abordagem poderá ser livre – para premiação geral – ou trabalhar o tema “a escola que temos, a escola que queremos”.

As produções audiovisuais vão concorrer a dez categorias. Montagem, direção, fotografia, roteiro, desenho de som, ator, atriz, abordagem do tema e melhor filme serão avaliados pela comissão julgadora. Outra votação vai definir o melhor filme pelo júri popular.

Os 30 filmes mais bem avaliados serão exibidas no 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, além de ficarem disponíveis nos sites oficiais das secretarias de Educação e de Cultura do DF. Os estudantes vencedores ganharão troféus e vão participar de oficinas voltadas para a área do audiovisual, oferecidas pelo Centro Universitário IESB, o IFB e a 70 MM.
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Mais informações:

5º Festival de Curtas

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Ex-alunos da UnB querem produzir filmes sobre as cotas raciais

A produção Rumo depende de financiamento coletivo para ser viabilizada

por Samara Schwingel*
Bruno Victor (E) e Marcus Azevedo (D)

Bruno Victor dos Santos e Marcus Azevedo são formados em audiovisual pela Universidade de Brasília (UnB), abriram um financiamento coletivo on-line para a produção do segundo filme dos dois juntos: Rumo, um documentário-ficção sobre a história de 15 anos do sistema de cotas para negros, instituído pela Universidade de Brasília (UnB). Para o projeto sair do papel, é necessário que o financiamento coletivo voltado para a produção da obra chegue a meta mínima de R$ 5 mil. Até o momento, o marco não foi atingido e o prazo vai até 25 de junho. O filme tem como tema central os quinze anos de cotas raciais na UnB, primeira instituição a estabelecer o sistema no Brasil, em 2003. Os jovens são os mesmo diretores do curta Afronte, lançado em 2017.

A produção Rumo será um doc-ficção, ou seja, vai misturar partes documentais com ficção. Segundo Bruno, o filme tem uma importância social e representa a população negra, periférica e LGBTI. “Queremos mostrar as lutas traçadas dentro do ambiente universitário e dos negros que lutaram para instituir as cotas como política pública”, diz. "Quantos de nós foram os primeiros de suas famílias a entrar numa universidade? Isso é muito representativo", afirma.

Além disso, o diretor acredita que a obra é uma forma de gerar discussão e entendimento acerca do assunto. “Essas vivências geralmente não são contadas no cinema nacional. Muita gente, por não entender o funcionamento do sistema de cotas, acaba sendo contra ele”, explica. “Com a produção, esperamos que a sociedade entenda a importância dessa política”, afirma.

Marcus acredita que apesar dos 15 anos de cotas na UnB, ainda há muitas pessoas que não são bem informadas sobre o assunto. “Muitos alunos tiveram acesso à educação por causa desse sistema”, conta. O jovem afirma que Rumo vai contar a história de uma mãe e um filho que tentam ingressar na universidade por meio das cotas.

Marcus explica que o primeiro filme teve um engajamento maior em relação a apoio no financiamento. “Já está quase acabando o prazo e não batemos a primeira meta. Gostaria de dizer para as pessoas que é importante apoiar o cinema brasileiro para que as produções sejam sobre o cotidiano e englobe a população negra”, afirma. “É importante falarmos de nós e mantermos produções que reflitam a realidade.”

Afronte


O curta produzido por Bruno e Marcus e lançado em 2017 está no segundo ano de festivais. A obra recebeu o prêmio Saruê no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e de melhor curta no Festival Mix Brasil. Também realizado por meio de financiamento coletivo, o filme é considerado um sucesso por seus produtores.

O financiamento coletivo de Rumo

A data de limite para a arrecadação do mínimo de R$ 5 mil é até 25 de junho. Sem atingir essa marca, Bruno e Marcus não poderão retirar nenhuma quantia já doada. Para ajudar, acesse o site Benfeitoria. Doações a partir de R$15 oferecem diversos tipos de prêmios para os doadores.