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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Do próprio bolso, professora produz conteúdo afrocentrado


 Joaninha Dias, professora e pedagoga, desenvolve atividades afrocentradas nas unidades de ensino da rede municipal Arthur Souza/LeiaJáImagens
 
A professora e pedagoga Joaninha Dias explora os mais diversos conteúdos produzidos por pessoas negras em classe e impacta famílias
por Maya Santos,
Vinda de uma família majoritariamente negra, Joana de Angelis Dias da Silva, 36, ou Joaninha Dias como prefere ser chamada, exerce sua função como professora e pedagoga contando aos estudantes um outro lado da história brasileira, a história do povo afro-brasileiro.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os negros (pretos e pardos) representam 54% da população brasileira. Esse dado nos leva ao ano de 2003, que marca um passo importante para a luta da população afro-brasileiro, quando entra em vigor a Lei 10.639/03. Ela versa sobre a inclusão, em todo conteúdo programático escolar, o ensino da história, da cultura e da luta afro-brasileira, além da contribuição do negro na formação da sociedade nacional.

As aulas são ministradas especialmente nas áreas de educação artística, literatura e história brasileira. E, para Joaninha Dias, a lei pauta um viés para luta antirracista na rede de ensino da Região Metropolitana do Recife (RMR), mas que ainda precisa de aprimoramento para tratar dos temas de forma mais eficiente.

A pedagoga revela que o ensino de conteúdo afrocentrado, confeccionado por ela, ajuda “as crianças negras a conhecerem a própria história e também crianças brancas conhecerem a história do povo negro”, enfatiza. Além disso, o material ainda tem a proposta de um futuro com maior respeito e igualdade entre as raças, além de elevar a autoestima das crianças negras.

O início de tudo

Em 2014, foi realizada a feira literária “Erês e Curumis: Pequenos Leitores, Grandes Escritores”, na Escola Municipal Nossa Senhora da Conceição, localizada em Jaboatão dos Guararapes. A feira resultou no “Manual de Atividades com Contos Africanos”, que a pedagoga confeccionou e destinou a profissionais da educação básica trabalharem em classe, uma vez que, segundo ela, o Estado demonstra carência na entrega de material didático pronto para desenvolvimento em sala.

Em contrapartida, a gestora da Gerência de Políticas Educacionais de Educação Inclusiva, Direitos Humanos e Cidadania (GEIDH), Vera Braga, diz que foi instituído pela Secretaria de Educação de Pernambuco (Seduc-PE) um plano para as relações étnicos-raciais, em meados de 2014, junto aos grupos da sociedade civil organizadas, como o Movimento Negro Unificado (MNU).

Braga ainda reforça que, desde 2015, os profissionais das áreas de ensino no Estado passam por capacitações realizadas por equipes, que circulam em 16 gerências regionais para ministrar formações técnicas que capacitem os professores e professoras. Durante o ano, são realizados encontros quinzenais, mensais e trimestrais.

A gestora do GEIDH, Vera Braga, revela que existe um calendário na gerência com sugestões de material a serem trabalhados nas escolas, mas não dispõe de materiais didáticos próprios. A ausência desse conteúdo seria para dar maior liberdade para atuação pedagógica dos professores, principalmente da educação básica. “Apenas damos sugestões. O professor tem autonomia para conduzir a sua aula. Apenas estabelecemos um diálogo, uma parceria com o professor a fim de lhe fornecer mais subsídios”, disse a gestora do GEIDH ao LeiaJá.

A relação entre escola e comunidade

A linguagem simples e dinamizada gera interesse nos pequenos, assim a pedagoga Joaninha ganha a confiança e aprovação dos pais e gestão das escolas em que é professora. A iniciativa influencia outros profissionais para exercitar as atividades propostas em classe, promovendo uma valorização as contribuições intelectuais do povo negro brasileiro.

Os pais que antes não entendiam a importância da inclusão de conteúdo afrocentrado nas aula agora mudam os hábitos de consumo midiático, como explica a pedagoga. “Agora está procurando conteúdo no YouTube mesmo, que sejam de crianças negras, que sejam de mulheres negras, porque ela viu o quanto os olhos da filha brilharam quando ela se viu representada”.

A docente também comemora a repercusão do trabalho realizado em classe para a comunidade, ao ouvir uma das mães identificar a presença de corpos negros em conteúdos consumidos pela filha. “Ela fez a reflexão e isso pra mim foi muito impactante. É o resultado na comunidade, nas coisas que a gente vem fazendo, no trabalho em sala de aula todo dia”. 


Em outros territórios brasileiros

Em outros estados brasileiros, professoras e professores negros implementam conteúdos afrocentrado. Como é o caso de estudantes no Distrito Federal, que participam de palestras e atividades artísticas que geram a valorização da história e cultura afro-brasileira, estabelecendo como forma de avaliação dos aprendizados apresentações de trabalhos.

O material de Joaninha alçou voos altos, chegando até a França, além de demarcar o território nordestino, como no estado de João Pessoa e outras cidades da RMR. A professora disponibiliza o material aos interessados, por e-mail, a fim de promover a popularização do conhecimento e melhores práticas de abordagem da pauta. Quem tiver interesse basta mandar um e-mail para joaninha.dias@yahoo.com.
Fonte: leiaja

Negros são 82% dos resgatados do trabalho escravo no Brasil

Por Daniela Penha,
 
 
Alta porcentagem de negros entre escravizados resgatados é sintoma da realidade vivida pelos negros ainda hoje, segundo pesquisador de História Afro-Brasileira (Foto: Sergio Carvalho – Subsecretaria de inspeção do trabalho do Ministério da Economia)

Uma família de homens e mulheres negras. Nenhum dos quatro filhos conseguiu terminar o ensino médio. Cresceram na roça e começaram a trabalhar ainda crianças. João (nome fictício), de 26 anos, deixou a escola na sexta série, por volta dos 12 anos. Desde então, trabalha cortando cana ou colhendo café. Em agosto de 2018, foi um dos 18 trabalhadores resgatados em situação análoga à de escravo em uma fazenda de café em Minas Gerais.

João é parte dos números que, para especialistas, comprovam a marginalização das populações negras. A cada cinco trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão entre 2016 e 2018, quatro são negros. Pretos e pardos representam 82% dos 2,4 mil trabalhadores que receberam seguro-desemprego após resgate. Entre os negros resgatados estão principalmente homens (91%), jovens de 15 a 29 anos (40%) e nascidos em estados do Nordeste (46%). O levantamento foi feito pela Repórter Brasil, com base em dados obtidos da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, por meio da Lei de Acesso à Informação.


O chamado “seguro-desemprego trabalhador resgatado” é um auxílio temporário destinado às vítimas de trabalho escravo. Entre 2016 e 2018, de 2.570 trabalhadores resgatados, 2.481 receberam auxílio (96%), sendo que 343 se autodeclararam brancos e 2.043 negros (soma de pretos e pardos). Os demais se autodeclararam amarelos (18), indígenas (66) ou não fizeram declaração de raça.

“Ser negro é igual a estar sujeito a situações diversas em que sua vida é desvalorizada, você é um ser desqualificado socialmente e sua cultura é deslegitimada”, afirma Sérgio Luiz de Souza, professor da Universidade Federal de Rondônia e pesquisador de História Afro-brasileira e Africana, mostrando como os números são sintomas da realidade vivida pelos negros ainda hoje. “As populações negras, que são metade da população brasileira, não têm acesso ao ensino superior, ao Parlamento, têm menos acesso à saúde, à educação, são os mais pobres, vivem menos.”

Os dados desta reportagem vêm do cadastro do seguro-desemprego preenchido pelos trabalhadores resgatados pelo governo. O processo de coleta de dados vem passando por aprimoramento para garantir que todas as entradas sejam baseadas em autodeclaração – condição necessária para a validade do registro. Portanto, a possibilidade de variações estatísticas deve ser considerada. Isso não afeta, contudo, a ordem de grandeza da representação de negros e não-negros entre os resgatados.

Os dados também revelam que a maioria dos resgatados, assim como João, não concluíram o ensino fundamental: 56%. Entre o total havia ainda 14% de analfabetos.

“Sinal gritante da desigualdade”, na avaliação de Gildásio Silva Meireles, agente do Centro de Defesa da Vida de Açailândia, no Maranhão, onde auxilia trabalhadores explorados, após ser resgatado 12 anos atrás. “É uma questão de sobrevivência. A maioria de nós [negros] não tem estudo e se sujeita a qualquer situação para tirar o sustento da família”, afirma.

Do total de negros resgatados, 62% eram trabalhadores rurais, florestais e da pesca; 29% atuavam na indústria. O estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça”, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado no último dia 12, mostrou que a população negra representa 64% dos desempregados e 66% dos subutilizados, além de ganhar menos do que os brancos.
“O dinheiro que sobra é só para comer. Queria estudar melhor para não ficar passando por isso. Mas não tive oportunidade”, diz João.
Mas educação é a solução? Para Jorge Ferreira dos Santos, coordenador da Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (Adere-MG), não nos moldes atuais. “Qual modelo de educação ajuda a libertar nosso povo? Esse modelo que está aí nos prepara para sermos escravos do sistema. As oportunidades que temos hoje são o trabalho doméstico, a roça, a construção civil”, afirma Santos. “Continuamos acorrentados, senão pela corrente física, pela lei que mais exclui do que inclui.”

João continuou trabalhando na colheita do café, mesmo depois do resgate feito pelos auditores fiscais do então Ministério do Trabalho, atual Ministério da Economia. Diz que a situação em que foi resgatado em Minas foi a pior pela qual já passou. A casa onde dormia estava cheia de ratos; a caixa d´água, infestada de morcegos; o pagamento não era adequado. “Mas é sempre sofrido.”

A fazenda de onde ele foi resgatado exibia certificações internacionais renomadas, entre elas a C.A.F.E. Practices, selo da Starbucks em parceria com SCS Global Services, e a certificação da UTZ, a maior da indústria cafeeira.

Para o professor Souza, há uma naturalização da desigualdade. “Escravizar um negro, tomar a terra de um indígena ou de um quilombola, matar uma negra, é irrelevante e socialmente aceitável. São seres invisibilizados.”

 
 
Maioria dos 2.043 pretos e pardos encontrados em situação análoga à escravidão é de jovens, nordestinos e sem escolaridade (Foto: Sergio Carvalho – Subsecretaria de inspeção do trabalho do Ministério da Economia)

Em 2007, quando foi resgatado, Meireles conheceu o Centro de Defesa da Vida de Açailândia (MA). Passara cinco meses e meio trabalhando em uma fazenda, na roçada de pastos, sem receber um real. Fazia parte de um grupo de 18 trabalhadores que contraía dívidas ao chegar na propriedade, passava o dia vigiados e vivia em condições insalubres: sem água potável, sem banheiro, dormindo com os animais da propriedade. Meireles conseguiu fugir, buscou ajuda e voltou para resgatar os demais. Após cinco meses sem notícias suas, a esposa quis o divórcio. Sem ter para onde voltar após o resgate, ficou em Açailândia e decidiu trabalhar na causa. Hoje, atua em Monção (MA). “Os casos existem, mas são mais camuflados do que antigamente.”

O caminho para um país com equidade e voltado para a diversidade social, étnica, racial e de gênero passa, segundo o professor Souza, por ações do Estado e da sociedade. Para ele, o governo deve implementar políticas como ampliação de universidades e instituições de pesquisas, cotas e leis pró-diversidade, mas a sociedade civil e grupos que conseguem chegar ao governo também precisam agir. “Não existe a implementação de políticas públicas e de instrumentos do Estado sem luta social. A sociedade é dinâmica”, afirma.

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Nota de redação: a matéria foi atualizada no dia 25 de novembro de 2019 às 15h46 para incluir um parágrafo que explica a metodologia utilizada para extrair os dados que esta reportagem se baseou.

Esta reportagem foi realizada com o apoio da DGB Bildungswerk, no marco do projeto PN: 2017 2606 6/DGB 0014, sendo seu conteúdo de responsabilidade exclusiva da Repórter Brasil
 

Ellen Oléria canta Nina Simone (07 e 08/02)


Ellen Oléria chega em Brasília com show em homenagem à cantora estadunidense Nina Simone (1933-2003). O espetáculo é composto pelas canções imortalizadas na voz de Nina como “Ain’t got no, I got life”, “Felling good” e “My baby just cares for me”. A admiração da artista por Nina Simone, uma referência pra nova geração de intérpretes pelo mundo, fez com que esse show fosse idealizado.

A proposta do encontro de Oléria com Rodrigo Bezerra (guitarra), Jhoninha Medeiros (baixo), André Braz (bateria) e Serge Frasunkiewicz (teclados) é atualizar as canções de Nina em seu tom político, enquanto ativista pelos direitos civis de negras e negros em décadas de resistência e luta anti-racista. Também visitar o lado romântico da artista que fez do amor o fundamento de sua resistência discursiva.

++++++ Discotecagem com Dj Pezão
++++++ Visuais jazzísticos inebriantes com Vj Nibêra

Show inédito em Brasília.
A gente nem sabe o que dizer, só sentir ♥
Então bora pro jazz!

Ingressos antecipados disponíveis no link>>>>>
https://www.sympla.com.br/ellen-oleria-canta-nina-simone__766267

//Jazz no Porão e Cervejaria Criolina apresentam//
BIG JAM: Ellen Oléria canta Nina Simone
Dias de 7 e 8 fevereiro (dia 7 - INGRESSOS ESGOTADOS)
na Cervejaria Criolina
Abertura da casa às 20h / Show às 22h30
(sujeito à lotação)

*Os preços estão sujeitos a alteração sem aviso prévio

Aniversariantes do dia tem entrada gratuita!
Basta apresentar a identidade na entrada e ser feliz. ;)
Entrada de menores de 18 anos somente acompanhados pelo responsável legal.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Moradores enfrentam falta de água na Cidade Estrutural em Brasília/DF

 
por Francisco Dutra,
Moradores dos setores Leste e Oeste da Estrutural estão enfrentando falta de água. Segundo eles, torneiras e chuveiros secaram às 17h do domingo (02/02/2020). Até as 10h30 desta segunda-feira (03/02/2020), o problema persistia.

“Não teve qualquer comunicado”, disse o pedreiro Verinaldo Guedes de Souza, 44 anos. De acordo com ele, a falta de água ocorre regularmente. Geralmente, quando as torneiras estão secas no Setor Leste, o abastecimento fica normalizado no Oeste. E vice-versa.

“Donos de mercados, padarias e restaurantes não estão conseguindo lidar com essa falta de água toda hora”, afirmou.

O empresário Evanildo da Silva Macedo, 43, conta que os moradores estão sem saber o que ocorreu. “Quando começou o problema, disseram que a rede da cidade estava migrando do reservatório de Santa Maria para o do Descoberto. Depois, falaram que o problema começou com ligações clandestinas, furto de água”, pontuou.
O outro lado

A Caesb informou que está trabalhando para regularizar o abastecimento da região. “Periodicamente, equipes da companhia retiram ligações clandestinas do Setor Santa Luzia, que são responsáveis pela diminuição da pressão da rede de água das áreas regulares da Estrutural”, afirmou a estatal, em nota.

Ainda de acordo com a Caesb, o Setor Santa Luzia não está dentro da rede regular de fornecimento da empresa. Por questões sociais e humanitárias, a companhia fornece caminhões-pipa para o local.
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francisco.dutra@metropoles.com

Fonte: metropoles

'Constranger os racistas é mais que necessário', afirma psicólogo




por Clarissa Pacheco,
Há uma semana, as gêmeas Verena e Valentina, de apenas 3 anos, enfrentaram uma situação de racismo enquanto passaram pela estação Rodoviária do metrô de Salvador. Um segurança branco exclamou, assim que as viu: "Misericórdia! Bucha 1 e bucha 2". A expressão preconceituosa se referia ao cabelo das duas crianças. Modelos, as meninas nunca tinham vivido situações assim e a reação foi inevitável. No dia seguinte, queriam prender os cabelo, contou a mãe, Sandre Weydee.

O CORREIO conversou com Valter da Mata Filho, coordenador do Grupo de Trabalho Psicologia e Relações Raciais do Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03), sobre os efeitos do racismo na infância. Confira:

De que forma o racismo vivido na infância pode mudar a relação da criança com o corpo, com a autoestima?

Pense que o racismo é uma ideologia que hierarquiza os grupos humanos a partir da noção de raça. A criança é um ser altamente indefeso e dessa forma não possui desenvolvimento cognitivo para entender esse tipo de ideologia. A tendência dessa criança é experimentar e compreender o mundo com o código vigente na sociedade. Dessa forma todas as expressividades de valores aprendidas pelas crianças, deverão ser as mesmas difundidas pela sociedade. Num país que valoriza a cultura europeia, assim como o padrão de beleza e normalidade, a criança negra passa a se sentir deslocada, não existe representações positivas de pessoas com a sua estética, seu corpo, ao contrário, as representações são negativas e subalternas. A saída é reivindicar um ideal de ego branco para si (quando isso é possível, quando são mais claras) ou resignar-se a esse local de inferioridade, acarretando aí a baixa autoestima. Ela se avalia enquanto sujeito e não gosta do que vê.

Qual a importância de se manter um acompanhamento psicológico diante de episódios como o vivido pelas duas crianças no metrô?

O que as crianças sofreram foi discriminação racial, é um crime. A discriminação racial é um comportamento manifesto geralmente cometido por alguém preconceituoso. Essa discriminação pode ter um efeito traumático, porque normalmente ocasiona uma grande humilhação. Os efeitos dessa humilhação terão danos diferentes em indivíduos diferentes, pois depende de uma série de fatores situacionais que estão sujeitos. Posso elencar o suporte social, principalmente da família, como os valores e crenças parentais são passados a essas crianças, seu desempenho nos diversos cenários a que estão submetidos. Um trauma pode comprometer o desenvolvimento cognitivo de uma criança e ter repercussão em diversos componentes subjetivos como o desempenho escolar e a socialização.

Que comportamentos podem decorrer de episódios como esse?

Primeiro é não querer passar mais pela dor que passou. A dor ensina e condiciona determinados comportamentos. Ela pode querer fazer de tudo para se afastar dos marcadores que fizeram com que elas fosses discriminadas. No caso do metrô, foi o cabelo. Então elas poderão pedir para seus pais que normatizem seus cabelos, através de processos estéticos geralmente invasivos como o alisamento. A autoestima é atingida diretamente pois a criança passa a ter noção que sua imagem é negativa, é tida como exótica e não como bonita. A autoimagem é importante para a construção de uma identidade positivamente afirmada.

De que forma as pessoas que convivem com as vítimas podem contribuir para diminuir um trauma?

As pessoas próximas tem um papel crucial na vida dessas crianças. Não podem legitimar as agressões que elas sofreram através da domesticação de corpos e mentes. Uma criança que cresce achando que há alguma coisa errada do ponto de vista estético (seu cabelo, sua cor,seu nariz, etc), pode desenvolver um complexo de inferioridade que vai influenciar sua autoconfiança. Os adultos precisam mostrar que existem outras possibilidades de ser e estar no mundo. Que existem outras estéticas, outras formas que não as que foram convencionalizadas enquanto “certas”.

O caso das meninas no metrô foi explícito, mas há outras formas mais 'sutis', se pode dizer assim, de minar a autoestima de crianças negras, como a comparação com colegas, amigos, pessoas que convivem. Como lidar com isso?

O brasileiro é um ser esquisito. Tem vergonha de dizer que tem preconceito, mas não tem vergonha de se comportar como se o tivesse. O racismo se esconde em muitas práticas cotidianas. Exclusões de círculo de amizade, exclusão para determinados cargos institucionais, preferências afetivas, sem falar do racismo recreativo que é aquele no qual o indivíduo racista, classifica seu comportamento como se fosse uma brincadeira. Geralmente os encontramos nos apelidos pejorativos e piadas de péssimo gosto. É preciso enfrentar essas pessoas, causar mal estar mesmo, não achar que esse tipo de comportamento possa ser aceito. Constranger os racistas é mais que necessário.

E como tratar dessas questões com as pessoas quem impõem esse racismo?

Racismo é crime e assim deve ser tratado. A naturalização por parte da sociedade prejudica a percepção do mesmo, assim como seu potencial de dano. Ouvimos muitos humoristas afirmando que o mundo está chato demais, porque não se pode fazer piadas com grupos subalternizados. Mas essa é a ideologia corrente: as pessoas querem licença para discriminar. 
 

Kabengele Munanga, o antropólogo que desmistificou a democracia racial no Brasil

Professor recebe homenagens pela luta contra todas as formas de discriminação racial: "Todos os racismos são abomináveis e cada um faz as suas vítimas a seu modo. O brasileiro não é o pior, nem o melhor, apenas tem suas peculiaridades"

 Créditos da foto: O professor Kabengele Munanga: ''Não há democracia racial no Brasil'' 
(Cecília Bastos/USP Imagens) 
 
Por Lilian Milena,
O professor dr Kabengele Munanga, antropólogo brasileiro-congolês, é uma das principais referências na questão do racismo na sociedade brasileira. Seus estudos, realizados desde a década de 1970, foram responsáveis por romper a visão eurocêntrica da antropologia, repensar a participação dos negros na história do país e, ainda, consolidar os estudos preparatórios para a Constituição de 1988, no eixo que tange os Diretos Humanos e combate à toda a forma de racismo no Brasil.

Por conta desse engajamento, Munanga vem recebendo ao longo de sua vida diversos reconhecimentos. Em 2018, a Universidade de São Paulo concedeu a ele o Prêmio USP de Direitos Humanos.

O mais recente reconhecimento aconteceu neste 13 de maio, quando a Área de Direitos Humanos da Faculdade de Direito da USP realizou um encontro para marcar também os 50 anos da assinatura, pelo Brasil, da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial.

Em entrevista ao GGN, Munanga comentou sobre a importante articulação da sociedade e movimentos civis para não permitir o retrocesso dos avanços já conquistados contra as diferentes desigualdades.

“A luta pela mudança, da transformação da sociedade, demora muito. Já tivemos no Brasil algumas conquistas, sobre a questão da igualdade entre branco, negro, indígenas e outros diferentes e isso foi luta de gerações do movimento negro que vem desde Zumbi dos Palmares até agora”, explicou.

Kabengele defende ainda que o embate por justiça social não pode ser levada adiante apenas por meio do discurso.

“As palavras são importantes, mas a luta se faz com políticas e essas políticas estão sendo destruídas. A consciência está lá, o discurso está lá, mas não as políticas públicas, que estão sendo destruídas por uma conjuntura onde parece que não se entendeu”, nota o antropólogo em relação às posturas políticas do governo Bolsonaro.

“A gente se pergunta o que está por trás disso, porque a questão para mim não é ser de direita ou ser de esquerda, a questão importante é saber como se viver em uma sociedade que tem problemas, onde você deve construir políticas sociais”, destaca.

A grande preocupação do antropólogo é que, enquanto a formação e consolidação de políticas públicas de afirmação e combate às desigualdades partem de um processo de anos, a destruição desses mecanismos, pelo contrário, pode acontecer em um curto espaço de tempo. Em outras palavras, o que está em andamento no país é o desmonte de um processo de conquistas históricas.

“A luta pela liberdade não tem preço. A única saída é a população se mobilizar para defender seus direitos, para que esse retrocesso não aconteça mais e que possamos recuperar o que está sendo perdido rapidamente, construindo mais do que o que já foi feito”, concluiu.
 



No caminho do bem


Presente na homenagem ao professor Munanga, o fundador da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, explicou que a luta contra o preconceito racial tem como particularidade o fato de ser uma luta civilizatória: “é uma luta de homens e mulheres em qualquer lugar do planeta, uma luta pelo bem, elevação, engrandecimento e pela plenitude do indivíduo humano em qualquer parte do nosso globo”, ressaltou.



A seguir, os principais trechos do discurso da Kabengele Munanga realizado durante o evento em sua homenagem:

O silêncio e o não dito sobre o racismo brasileiro marca o preconceito da educação e da formação da cidadania em toda as direções. Como escreveu Eliane Cavalleiro, esse silêncio começa no lar e se prolonga na educação infantil, desde a escola.

Foi com essa consciência, com a consciência dessa lacuna, que organizei o livro Superando o racismo na escola, a pedido do Ministério da Educação, cuja a primeira edição, em 1999, contou com o prefácio do então Ministro da Educação Paulo Renato Souza, e a segunda impressão, em 2001, com o prefácio do então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Outras edições certamente vieram no governo do ex-presidente Lula.

Desde então, os convites começaram a chover de várias escolas, para dar palestras e conferências sobre o tema. Me lembro de uma aula marcada com educadores de uma escola pública da periferia de São Paulo, acho que era em Capão Redondo, se não me falha a memória. Me chegou um convite da Unesco, para ir à Paris, na Semana da África, que cai em maio de cada ano, para participar de uma mesa sobre a negritude, por causa de um pequeno livro que escrevi a respeito do Brasil.

A data da minha aula na periferia coincidia, infelizmente, com a data do embarque para Paris. Naquele dia pesou a consciência. Eu preferi declinar o convite da Unesco para honrar meu compromisso com os educadores da escola da periferia de São Paulo.

Não conto isso como autopromoção, mas apenas como exemplo de como a consciência pode pesar quando se trata de escolher entre interesses individuais e coletivos.



Sem dúvida, todos os racismos são abomináveis e cada um faz as sua vítimas do seu modo. O brasileiro não é o pior, nem o melhor, mas ele tem as suas peculiaridades, entre as quais o silêncio, o não dito, que confunde todos os brasileiros e brasileiras vítimas e não vítimas.

Como disse Ali Wiesel, judeu Nobel da Paz, o carrasco sempre mata duas vezes, a segunda é pelo silêncio, prática característica do racismos brasileiro que sempre mata duas vezes: mata fisicamente, como mostra as estatísticas sobre a genocídio da juventude negra em nossas periferias; mata na inibição da manifestação da consciência de todos, brancos e negros, sobre a existência do racismo em nossa sociedade. É por isso que eu costumo dizer que o racismos brasileiro é um crime perfeito.



Eu poderia ficar indiferente, me esconder no mundo dos brancos onde tenho amigos, não apenas no Brasil, mas também em outros países ocidentais. Digo com muito orgulho que minhas relações de amizade não têm fronteiras raciais, mas nem por isso vou negar uma realidade crua e chocante que, infelizmente, muitos brasileiros não enxergam pois confundem mitos e realidades.

É claro que as coisas estão mudando, a consciência vem crescendo, como mostrado aqui nas falas do ministro Lewandowski, do ministro José Gregório e professor Celso Lafer.



Num trecho de entrevista em minha homenagem, publicado na revista USP de agosto de 2017, as intelectuais pesquisadoras Silvia Dantas, Lígia Pereira e Maura Véras, me consideram como um intérprete africano no Brasil, porque perceberam que eu tenho um olhar diferente, uma leitura diferente de muitos brasileiros sobre a questão racial no país.

Mas esse olhar não é distante, frio, neutro (como diriam alguns, um olhar objetivo), é um olhar subjetivo, engajado, afetivo e apaixonado, um olhar de solidariedade que me acompanha cotidianamente no meu estilo de vida, nas minhas aulas e, sobretudo, nos meus textos.



O mito da democracia brasileira, apesar de já ter sido destruído política e cientificamente, tem uma forma inercial difícil de desmantelar. Se perguntarmos hoje aos norte-americanos, sul-africanos, europeus e brasileiros sobre a existência de preconceitos e discriminação racial em suas respectivas sociedades, teremos respostas diferentes a serem interpretadas de acordo com a época, a história de cada país e sua estrutura de poder.

Os norte-americanos, brancos e negros, poderão dar respostas claras e diretas. Atualmente alguns deles podem até dizer que os preconceitos raciais recuaram porque elegeram um presidente negro, além de apresentar hoje mobilidade social, na qual nota-se uma pequena burguesia. O sul-africano também não teria dificuldade para confirmar a existência do racismo e de suas práticas em sua sociedade. Alguns podem até dizer que esse fenômeno recuou com a supressão das leis do apartheid e pelo fato de os negros estarem no comando político do país.

Alguns franceses, alemães poderão dizer que em sua sociedade exista apenas a xenofobia em relação aos imigrantes e, não necessariamente, o preconceito racial.

A mesma pergunta feita aos brasileiros pareceria inconveniente, incômoda e até mesmo perturbadora. Muitos, comparativamente aos americanos, sul-africanos, não teriam respostas claras e diretas, suas respostas seriam ambíguas e fugitivas.

Para muitos, o Brasil não é um país preconceituoso e racista, sendo as violências sofridas pelos negros e não brancos, em geral, apenas uma questão econômica ou de classe social, que nada tem a ver com os mitos de superioridades e de inferioridade racial. Nesse sentido, os negros, indígenas e outros, não brancos, são discriminados porque são pobres. Em outros termos, negros, brancos e pobres, negros e brancos da classe média, negros e brancos ricos (não sei quantos negros ricos tem nessa sociedade), não se discriminam entre si, tendo em vista que eles pertencem todos à mesma classe social. Uma bela mentira.



Para algumas pessoas mais esclarecidas, e mais sensíveis ao cotidiano brasileiro, existe sim preconceitos e práticas discriminatórias no Brasil, em relação aos negros, povos indígenas e outros.

No caso dos resultados de uma pesquisa realizada pelo Datafolha, de 1995, que resultou na edição do livro Racismo Cordial, de Cleusa Turra e Gustavo Venturi, publicado pela Ática, seria interessante interrogar-se como o racismo pode ser cordial apenas no Brasil, e não em outro canto do mundo.

Nessa pesquisa, 89% dos brasileiros aceitaram a existência do racismo no país, embora apenas 10% tivesse confessado que conhecem pessoas que discriminam, ou que eles mesmo já teriam sido discriminados.

Perguntaram para as mesmas pessoas se elas não se importariam se suas filhas, seus filhos se casassem com uma pessoa negra. As respostas revelaram contradições até entre as pessoas que declararam que não são racistas, na medida em que não viam com bons olhos casamento inter-racial entre pessoas brancas e negras. Elas mostraram preocupação em ter netos negros ou mestiços que sofrerão também preconceitos raciais na sociedade. Reprovaram o casamento inter-racial deixando claro a ambiguidade que permeia a apologia da mestiçagem como símbolo da identidade nacional brasileira.



A dificuldade de combater o racismo brasileiro está justamente nas suas peculiaridades, que o diferenciam de outras formas de manifestação de racismo, conhecida na história como, por exemplo, o regime nazista ou o apartheid na África do Sul, para citar apenas os mais conhecidos. Nesses modelos, o racismo foi explícito, institucionalizado e oficializado pelas leis naqueles países. Praticou-se o racismo do estado.

No Brasil o racismo é implícito. De fato, ele nunca foi oficializado nos princípios da pureza de sangue, da superioridade e da inferioridade racial. Por causa dessa ausência de leis segregacionistas, os brasileiros não se consideram racistas, quando se comparam aos demais países.

Os brasileiros se olham nos espelhos sul-africanos, americanos e nazistas e se percebem sem nenhuma mácula, em vez de se olharem em seu próprio espelho. Assim ecoa, dentro de muitos brasileiros, uma voz muito forte que grita ‘não somos racistas! racistas são os outros!’. Essa voz forte e poderosa é o que chamo inércia do mito da democracia racial.

Kabengele Munanga, em 1977 enquanto apresentava sua tese de doutorado na USP

Veja ainda trechos das falas de autoridades que participaram da homenagem ao professor Kabengele Munanga:

– Nós [o estamos homenageando neste encontro] não só pela sua importância acadêmica na área da antropologia, nos estudos e na contribuição bastante destacada que nos trouxe do conhecimento global na área de seus estudos [sobre a questão racial no Brasil], mas principalmente pela honra que ele nos brindou de ser um professor integrante no nosso programa de Direitos Humanos – destacou Floriano Azevedo Marques, diretor da Faculdade de Direito da USP.

– O professor Kabengele Munanga é um exemplo de acadêmico e foi, como todos nós sabemos, um pioneiro do estudo científico da questão do negro em nosso país, com a sua expertise científica -, compartilhou o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski.

– É importante repetir o quanto seus estudos são relevantes, particularmente, na esfera do direito, porque nós, por mais que tenhamos nos esforçado, a implementação de políticas públicas e de inclusão ainda é muito limitada. E os estudos do professor Kabengele nos mostraram duas coisas: primeiro, a dureza da realidade, como a realidade não se amolda aos nossos belos princípios; e, segundo, é sua própria figura, além dos estudos do professor Kabengele, e tudo o que foi feito por ele numa sociedade em que, nós sabemos, criam limitações em matéria racial -, ponderou o professor dos cursos de pós-graduação da Faculdade de Direito da USP, Calixto Salomão.

– O professor Kabengele Munanga reúne duas condições extremamente salientes para que sua vida se tornasse absolutamente emblemática: o fato de ser um estudioso profundo, alguém especializado com um alto gabarito na questão da desigualdade e discriminação racial; e alguém que, pelo seu exemplo de vida, pela sua atitude concreta consegue, e conseguiu, continuamente acender uma luz para que nós possamos ver mais longe no âmbito da discriminação racial e tomar medidas efetivas com base na sua eliminação -, prosseguiu Alberto Amaral Jr, coordenador da área de Direitos Humanos dos cursos de pós-graduação.

– É uma oportunidade prestarmos homenagem a um grande professor que tem com seu conhecimento ampliado a nossa percepção de problemas demonstrando, uma vez mais, qual é o papel das ciências humanas para o entendimento da sociedade e sua melhoria -, reforçou o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer.

– O professor Munanga é um símbolo do significado dessa luta política de tornar o Brasil democrático e mais igualitário -, pontuou o ex-ministro da Justiça e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Universidade de São Paulo José Gregório.

– Acho que quem não está aqui não está apenas marcando uma ausência, mas um ato de omissão histórica. O Brasil vai ser outro, mas por obra de pessoas como o senhor [Kabengele], do que aqueles que detém um poder extremamente frágil, temporário e não entendeu da missa a metade, pensando que nós fizemos alguma coisa com intuitos meramente ornamentais -, continuou Gregório, concluindo:

– Eles não sabem que nós plantamos fundo, temos raízes e essas raízes não vão se soltar a nenhum tipo de oposição que acontecer. Portanto, os Direitos Humanos estão vivos, dispostos e sem dúvida nenhuma símbolos como do professor Munanga nos propele a ter cada vez mais fé nesses direitos -.

– O professor Kabengele rompeu com a epistemologia eurocêntrica, quando trabalhou com antropologia na África, sobre os colonialismos. Essa é uma importância crucial, diz respeito ao conhecimento e nós somos tributários dele. O caminho que o professor Kabe criou é um caminho, até certo ponto, solitário ou até mesmo com poucos acompanhantes -, refletiu Leila Maria Gonçalves Leite Hernandez, atual chefe do Centro de Estudos Africanos da USP.

– Não menos importante é o fato de lembrar que, desde 1950, pensa-se muito no Brasil a questão do negro, então são estudos vários e, mais uma vez, os estudos do professor Kabe também propiciam uma ruptura com o eurocêntrico, a partir do protagonismo desses estudos, com acento muito claro nos movimentos negros, na participação dos negros na história do Brasil, do nosso país. Mais uma vez, é uma postura que põe em questão a produção que se fazia, até então, com outras indagações -, explicou a pesquisadora lembrando ainda que os estudos e trabalhos de Munanga contribuíram para a construção das pautas incluídas pelos movimentos negros na Constituição de 1988.

– Nessa manhã, celebramos em grande medida também Zumbi dos Palmares, as nossas heroínas, Luiza Mahin e Dandara dos Palmares. Eles, sem equipamentos da tecnologia, conseguiram resistir e nos entregar uma nação em gestação, no que diz respeito aos seus valores estruturantes, e nós aqui em pleno início do milênio ainda temos todas as dificuldades de consolidar aquilo que era os sonhos dos nossos fundadores – avaliou o sociólogo e fundador da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente.

– De modo que, pensar Kabengele Munanga, é pensar que essa construção foi uma construção de grandes heróis que, tendo todas as adversidades contra si, ainda assim puseram como compromisso e propósito a criação de uma pátria justa. Foram heróis aqueles que fizeram isso no passado e são heróis os que fazem isso no presente, e por conta disso nós estamos, a bem da verdade, homenageando um herói brasileiro, um herói de todos nós que é o professor Kabengele Munanga -, completou Vicente.

Participaram também da homenagem Eunice Aparecida de Jesus Prudente, professora doutora da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, e que coordenou os trabalhos da mesa; além de Laura Arantes Quintino dos Santos, a quarta mulher a presidir o Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito da USP.

*Publicado originalmente no Jornal GGN