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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Descanse em Paz, Adriano!


Nos despedimos de um grande ícone e referência da nossa infância de Brasília/DF e entorno. O famoso "Neguinho da Demacol" faleceu. As informações é que ele estava muito ruim de saúde. Descanse em Paz, Adriano!

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Morre Kofi Annan, primeiro negro secretário-geral da ONU e Nobel da Paz

Diplomata de origem ganense se chocou com os Estados Unidos na invasão do Iraque

Kofi Annan na Assembleia Geral da ONU, em 2012 
Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP

ACRA — Primeiro negro e representante da África subsaariana a ocupar a Secretaria Geral das Nações Unidas e Prêmio Nobel da Paz em 2001, Kofi Annan morreu neste sábado, aos 80 anos, informou a Fundação Kofi Annan. Annan, de nacionalidade ganense, morreu em um hospital em Berna, na Suíça, depois de uma "breve enfermidade", cercado em seus últimos dias por sua segunda mulher, Nane, e seus filhos Ama, Kojo e Nina.

Primeiro secretário-geral egresso dos próprios quadros da ONU, Annan serviu dois mandatos, de 1997 a 2006. Seu período à frente da instituição multilateral criada depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial foi marcada por um embate com os Estados Unidos por causa da invasão do Iraque em 2003; pelo fortalecimento dos mecanismos globais de combate à Aids; e pela criação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, depois renovados como Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

"De muitas maneiras, Kofi Annan foi a Organização das Nações Unidas. Ele subiu nas fileiras para liderar a organização no novo milênio com inigualável dignidade e determinação", disse, em uma declaração, o atual secretário-geral da ONU, o português António Guterres.

CONTROVÉRSIAS


Em sua carreira na ONU, iniciada em 1962, Annan não ficou imune a controvérsias. Em 1994, quando era subsecretário-geral e responsável pelas operações de paz, Annan foi criticado pela inação das Nações Unidas no genocídio em Ruanda, quando 800 mil tutsis e hutus moderados foram massacrados em um período de pouco mais de três meses. O departamento de Annan foi acusado de ignorar informações de que o genocídio estava sendo planejado.

O setor de operações de paz voltou a ser criticado em 1995, durante os conflitos separatistas na antiga Iugoslávia, quando 8 mil muçulmanos foram mortos por milicianos sérvios em um setor supostamente protegido pela ONU na Bósnia.

No 10º aniversário do genocídio em Ruanda, Annan reconheceu que sua atuação ficou aquém do necessário. "Eu poderia e deveria ter feito mais para dar o alarme e arregimentar apoio. Essa memória dolorosa, ao lado daquela da Bósnia, influenciou muito do meu pensamento como secretário-geral", disse.

Depois de ganhar em 2001 o Nobel da Paz pelo trabalho da ONU "por um mundo mais organizado e mais pacífico", Annan enfrentou um dos seus momentos mais difíceis à frente da organização. Apesar de não haver provas de que o Iraque do ditador Saddam Hussein estivesse envolvido nos ataques terroristas do 11 de Setembro nos Estados Unidos, o governo de George W. Bush começou a preparar a invasão do país árabe.

Na época, o Iraque continuava sob embargo internacional por causa da invasão do Kuwait, no início dos anos 1990, e os inspetores de armas da ONU se esforçaram em mostrar que, apesar das acusações americanas, não havia provas de que Saddam mantivesse armas de destruição em massa.
 
Ainda assim, os Estados Unidos invadiram o Iraque, derrubaram Saddam e ocuparam o país, à frente de uma coalizão de aliados, sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU.

— Do nosso ponto de vista e do ponto de vista da Carta da ONU, [a invasão] foi ilegal — disse mais tarde Annan em entrevista à BBC.

Essa posição causou problemas para o então secretário-geral quando ele foi envolvido na investigação que apontou abuso e corrupção no programa chamado de "petróleo por alimentos" — antes da ocupação americana, o Iraque era autorizado a vender pequenas quantidades de petróleo em troca de comida e remédios para sua população.

Descobriu-se que um dos filhos de Annan, Kojo, recebeu pagamentos de uma empresa contratada para monitorar o programa. O próprio secretário-geral, no entanto, livrou-se da acusação de ter usado impropriamente sua influência em favor do filho.

IMPERFEITA, MAS NECESSÁRIA

"A ONU pode ser melhorada, não é perfeita. Mas, se não existisse, precisaria ser criada", disse Annan durante entrevista que deu em seu 80º aniversário em abril, no Instituto de Pós-Graduação de Genebra. "Sou um otimista teimoso, nasci otimista e continuo otimista", acrescentou.

Annan deixou as Nações Unidas em 2006, mas não deixou a cena internacional. Criou a fundação que leva seu nome, dedicada à promoção da paz e do desenvolvimento sustentável, e fazia parte do grupo de líderes conhecido como The Elders, fundado por Nelson Mandela para promover a paz e os direitos humanos. Ele intermediou um acordo entre grupos políticos rivais no Quênia, e em 2016 foi nomeado para uma comissão independente que investiga a situação da população da etnia rohingya em Mianmar.
 
"Kofi Annan era filho de Gana e sentia uma responsabilidade especial para com a África. Ele estava particularmente comprometido com o desenvolvimento africano e profundamente engajado em muitas iniciativas, incluindo sua presidência do Painel Progresso da África e sua liderança inicial da Aliança por uma Revolução Verde na África (AGRA)", afirma o comunicado divulgado neste sábado pela Fundação Kofi Annan.

Koffi Annan e sua irmã gêmea, Efua Atta Annan, nasceram em 1938 na então colônia britânica da Costa do Ouro, em uma família de posses — seu pai foi governador provincial no período colonial. O país se tornou independente quando ele tinha 19 anos. Depois de iniciar a universidade em Gana, ele concluiu os estudos nos Estados Unidos. Começou a trabalhar na ONU na Organização Mundial da Saúde (OMS).

NOTA DO BRASIL E REPERCUSSÕES

Em nota, o governo brasileiro expressou "imenso pesar" pela morte de Annan e destacou o apoio dele à reforma da Conselho de Segurança da ONU. "Tinha profundo conhecimento do funcionamento da ONU, tanto na sede em Nova York, como nas missões no terreno espalhadas pelo mundo. No período em que esteve à frente do Secretariado, entre 1997 e 2006, Kofi Annan destacou-se como defensor da reforma e da revitalização das Nações Unidas, inclusive do Conselho de Segurança, bem como do fortalecimento institucional das agendas de direitos humanos e de promoção da paz", diz a nota.
 
O comunicado brasileiro lembrou também que, sob Annan, foram criadas a Comissão de Consolidação da Paz e o Conselho de Direitos Humanos, que substituiu a antiga Comissão de Direitos Humanos, considerada parcial em favor das grandês potências. "O governo brasileiro deseja que seja sempre recordado o legado de Kofi Annan, um dos maiores defensores do multilateralismo, para que suas ações e seus ideais de paz, justiça e tolerância continuem a servir de inspiração para as gerações vindouras", conclui a nota.

O presidente de Gana, Nana Akufo-Addo, descreveu Annan como um motivo de orgulho para o país e decretou uma semana de luto. "Diplomata consumado e altamente respeitado, o ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan foi o primeiro da África Subsaariana a ocupar essa exaltada posição. Ele trouxe considerável renome ao nosso país por essa posição e por sua conduta e comportamento em a arena global", diz Akufo-Addo em um comunicado oficial.

O alto comissário para os Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra'ad al-Hussein, que será substituído em setembro pela ex-presidente do Chile Michele Bachelet, chamou Annan de "o melhor exemplo da humanidade e o epítome da decência".

— Quando eu disse a ele uma vez como todos estavam resmungando sobre mim, ele me olhou como um pai olharia para um filho e disse severamente: "Você está fazendo a coisa certa, deixe-os resmungar". Então ele sorriu! — contou al-Hussein. 
 
Fonte: oglobo

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Luto, luto.. Não deixaremos de lutar!



Por Jonathan Marcelino,
- Eu pensei em escrever um texto sobre a política explícita de assassinato de pessoas negras no Brasil... Mas desisti. 


- Pensei em dizer sobre como o conceito de "segurança pública" não contempla absolutamente nada e só fortalece a barbárie, o terror e o fascismo.


- Pensei em dizer que crianças estão sendo assassinadas no estado mais evangélico do Brasil. O estado que é governado pelos evangélicos Witzel e Crivella. O mesmo estado onde Silas Malafaia, Edir Macedo e outros "mercadores da fé" construíram seus conglomerados religiosos. 


- Pensei em escrever sobre como a desigualdade no Brasil aumentou significativamente nos últimos anos e meses. E que cresceu o número de pessoas que recebem até R$ 89,00 por mês.


- Pensei em dissertar sobre como a guerra as drogas no Brasil representa um engodo, uma falácia que só serve como justificativa para encarcerar e matar jovens negros e pobres no Brasil.


Mas sinceramente, não tenho energia, não tenho forças, fracassamos... Nossa democracia é uma farsa, um espectro disforme, um miragem irreal e inalcançável para ampla massa de pobres que compõe as grandes cidades desse país.


Cinco crianças Mortas por "bala perdida" no Rio de Janeiro só esse ano.

Crianças NEGRAS estão sendo ASSASSINADAS pelo ESTADO.

Estado brasileiro GENOCIDA.

Luto, luto.. Não deixaremos de lutar!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Morre bombeira do DF atingida por árvore e fio de alta tensão


Marizelli Armelinda Dias, a militar do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBM-DF) atingida por uma árvore e por um fio de alta tensão, não resistiu aos ferimentos e morreu na tarde deste domingo (15/9).

Integrada à corporação em 2018, Marizelli, 31 anos, trabalhava no combate a um incêndio em uma mata na QNL 02, em Taguatinga, de manhã. Em determinado momento, uma árvore caiu, arrastando fios de alta tensão.

Tanto a árvore quanto os fios atingiram a bombeira, que sofreu uma parada cardíaca. Reanimada, ela foi levada ao Hospital Regional de Ceilândia, onde acabou falecendo horas depois. Ela deixa dois filhos, Raniele, 4 anos, e Erick, 5.


O acidente foi gravíssimo. Segundo informações do Tenente Machado, Marizelli foi atingida do lado esquerdo por um galho de eucalipto de médio porte. A árvore teria caído em decorrência das chamas.

Ele ainda informou que ela teve traumatismo craniano, fratura na coluna torácica em dois pontos, no fêmur e no braço — ambos esquerdos —, e edema torácico.


Ex-marido e pai dos filhos da militar, Raimundo Mendes Alves, 50 anos, descreveu Marizelli como uma pessoa "muito alegre e muito querida".

"Ela se esforçou muito para entrar nos bombeiros. Mesmo grávida, ela estudou, se esforçou e conseguiu", contou Alves, que é bombeiro da reserva.

Pelo Twitter, o governador Ibaneis Rocha se manifestou: “Que tristeza para o Distrito Federal perder uma de suas combatentes do Corpo de Bombeiros, que dedicava sua vida a salvar outras. Toda minha solidariedade à família da soldado Marzielli, que Deus conforte seus corações. O GDF está de luto”.

O CBMDF emitiu um comunicado lamentando a morte da colega. "É com imenso pesar que o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal informa o falecimento da SD/1. Marizelli Armelinda Dias, na tarde de 15 de setembro, em decorrência de um acidente durante uma ocorrência de incêndio em vegetação na QNL 02, próximo à via Estádio, uma árvore caiu, trazendo consigo a rede de alta tensão, atingindo a militar, às 07h30 (15/09)", informava o texto.

A CEB também emitiu uma nota de pesar. "A equipe técnica foi acionada e atuou imediatamente para dar o apoio que se fizesse necessário ao socorro à vítima.

A CEB manifesta sua palavra de pesar e conforto à família de Marizelli Armelinda Dias e seus amigos, e se associa à dor de todos os integrantes do Corpo de Bombeiros Militar do DF." 
 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Toni Morrison, escritora negra americana e ganhadora do prêmio nobel de literatura, morre aos 88 anos

Foto: Timothy Greenfield-Sanders
 
AquilombandoDFE lamenta profundamente a morte de Toni Morrison, aos 88 anos.

A escritora nasceu em 1931, em Ohio, nos Estados Unidos. Formada em letras pela Howard University, estreou como romancista em 1970, com "O olho mais azul". Em 1975, foi indicada para o National Book Award com "Sula", e dois anos depois venceu o National Book Critics Circle com "Song of Solomon". "Amada" lhe valeu o prêmio Pulitzer. Foi a primeira escritora negra a receber o prêmio Nobel de literatura, em 1993. Aposentou-se em 2006 como professora de humanidades na Universidade de Princeton. Seu romance mais recente, "Deus ajude essa criança", foi publicado no Brasil em 2018.

No discurso que proferiu ao receber o Nobel, Morrison disse: "Nós morremos. Esse pode ser o significado da vida. Mas nós fazemos linguagem. Essa pode ser a medida de nossas vidas."

Cinco livros essenciais da escritora:

Autora americana, vencedora do Nobel de Literatura e do Prêmio Pulitzer, deixou romances intensos marcados pelo racismo e as feridas da escravidão

A escritora americana Toni Morrison, primeira mulher negra a receber o Prêmio Nobel de Literatura
(Philippe Wojazer/Reuters)

Ganhadora de um Nobel de Literatura e de um Prêmio Pulitzer, a escritora Toni Morrison traçou com sua pena romances poéticos sobre temas duros — especialmente voltados para as feridas da escravidão e do racismo nos Estados Unidos. A autora, que influenciou diversos outros escritores e até roteiristas, como Shonda Rhimes, morreu na segunda-feira 5, aos 88 anos de idade, deixando onze romances publicados, além de ensaios e textos infantis. Confira abaixo cinco de suas principais obras:

O Olho Mais Azul (1970)




Primeiro romance de Toni, publicado quando ela tinha 39 anos, o livro conta a história de uma garota negra na década de 1940 em Ohio, que sonha ter olhos azuis. Para a menina, a brancura é sinônimo de beleza em um mundo assombrado pela escravidão e cercado de referências que associam garotas brancas ao que é “correto”.

Vívido, sensível, mas também duro e sem filtros, o livro foi descrito pelo jornal The New York Times como “uma prosa tão precisa, tão fiel ao discurso e tão carregada de dor e assombro que o romance se torna poesia”. À época, teve uma resposta ambivalente do público, com baixas vendas. Ganhou reconhecimento ao entrar para uma lista de leitura de uma universidade. Desde então, enfrentou desafios legais e chegou a ser banido em escolas de vários estados americanos por tratar de temas tabu como incesto e abuso sexual infantil.

Amada (1987)



Com seu quinto livro, Toni ganhou status de celebridade ao dramatizar a dolorosa história real de Margaret Garner, uma escrava que tem sua busca pela liberdade marcada pela complicada relação com a filha, que nasce durante sua fuga.

“É uma obra-prima americana, a qual repensa, de um jeito curioso, todos os grandes romances da época em que é escrito”, escreveu A.S. Byatt, no jornal The Guardian, por ocasião do lançamento.

Em decisões polêmicas, Amada foi preterido em dois dos principais prêmios americanos da área ao ser publicado, levando 48 escritores a assinarem uma carta aberta na New York Times Book Review denunciando o não reconhecimento de Morrison.

Em 1988, veio, então, o Prêmio Pulitzer, e o livro foi adaptado para o cinema dez anos depois como Bem-amada, filme estrelado por Oprah Winfrey como a mãe, Sethe.

Jazz (1992)



A aclamada e chocante trama se passa na década de 1920, no Harlem, bairro negro de Nova York, e narra a história de uma jovem baleada pelo amante e que ainda é alvo do ódio da esposa traída, mesmo após sua morte. A obsessão amorosa se mescla com os dramas e temores de uma época em que a cidade grande faz promessas além do que vai cumprir.

A genialidade da autora é percebida na construção do romance que flerta com o estilo musical do título, com notas em desarranjo, quase independentes, criando uma cacofonia harmoniosa. Diversos narradores parciais apresentam seu ponto de vista, mudando a perspectiva da trama. A música em si, claro, também permeia o romance, segundo da trilogia iniciada por Amada.

Paraíso (1998)



Paraíso completou a trilogia de romances de Toni iniciada com Amada e seguida por Jazz, desafiando a leitura dominante do passado, ao explorar, especificamente, a história afro-americana desde meados do século XIX até os dias atuais.

Na trama, uma cidade fictícia e utópica é habitada apenas por negros, que se refugiaram ali depois da escravidão. Rígidos seguidores de uma extrema lista de regras, os habitantes se chocam com a chegada de forasteiras, sendo uma delas branca. A crise culmina em um brutal assassinato.

Primeiro livro escrito depois de ser agraciada com o Nobel de Literatura, em 1993, Paraíso apresenta o típico estilo de múltiplas vozes narrativas com saltos temporais para falar sobre preconceito e identidade.

Voltar para Casa (2012)



“De quem é esta casa?” é a pergunta que abre o romance, que trata de um outro tema recorrente no trabalho de Toni: o que é um lar e como isso molda ou dilacera o ser humano.

Nele, a escritora conta a história de um rapaz nos seus 20 anos que volta para casa, em Seattle, depois de lutar na Guerra da Coreia. Um jovem que deixa “um exército integrado” para retornar para “um país segregado”, como escreveu o jornal The New York Times em uma resenha na época do lançamento. No retorno, ele encontra a irmã, oprimida por uma sociedade machista. Ambos terão, então, que encontrar novos significados para recomeçar. 
 

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Nosso Adeus à Ruth de Souza, a grande dama negra do teatro, do cinema e da TV

Reprodução

Ela foi a primeira brasileira indicada a um prêmio internacional e abriu caminho para o artista negro no Brasil 
 
Ruth de Souza, que morreu neste domingo 28 aos 98 anos no Rio de Janeiro, foi a primeira atriz negra a se apresentar no Theatro Municipal do Rio, em 1945.

A quebra de tabu a fez ser considerada a primeira-dama negra do teatro, do cinema e da televisão. Com seu papel na peça “O Imperador Jones”, escrita por Eugene O’Neil, 74 anos atrás, Ruth abriu caminho para o artista negro no País.

Foi também a primeira brasileira indicada ao prêmio de melhor atriz em um festival internacional de cinema, com o papel no filme “Sinhá Moça”, no Festival de Veneza, em 1954.


 
A atriz morreu no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Ela estava internada no Centro de Tratamento Intensivo desde a última segunda-feira 22 para tratar de uma pneumonia.

O último trabalho da atriz foi na minissérie “Se eu fechar os olhos agora“, da TV Globo, filmado em 2019. Ela foi homenageada no Carnaval de 2019 pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz durante desfile da Série A.
Repercussão

O ator Paulo Betti disse que a morte de Ruth é uma grande perda para a cultura do País. “Ela é uma figura muito importante para a cultura brasileira. Fez o Teatro do Negro. Foi uma pioneira”, disse Betti.

O cineasta e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Cacá Diegues destacou que Ruth de Souza não foi só uma grande atriz, “como também foi um símbolo da ascensão da qualidade do trabalho dos negros, todos grandes atores”.

Lázaro Ramos emociona ao se despedir da atriz Ruth de Souza: ''Um de seus filhos''
 
Ator emocionou seguidores ao dizer adeus à amiga Ruth de Souza: "Te amo profundamente" Ontem, às 16:11
 
Lázaro Ramos e Ruth de Souza Foto:Reprodução/Instagram

Lázaro Ramos prestou uma homenagem emocionante à atriz Ruth de Souza.

O ator publicou um texto com algumas fotos junto com a atriz, falecida na manhã deste domingo (28) aos 98 anos de idade. Os dois trabalharam juntos na série Mister Brau e o texto mostra como Lázaro Ramos tem um super carinho pela veterana.

"Mãe Ruth, fui procurar uma foto nossa pra publicar neste dia tão triste e eis que sempre nos encontrei assim, sorrindo e oferecendo carinho um para o outro. Tô bem confuso com este momento, me faltam palavras pra te agradecer por tudo que me ofereceu, de ensinamento, de amor a cada encontro mas principalmente por ter me escolhido como um dos seus filhos. A familia que você formou continuará. Nós seguiremos em honra a você. Te amo profundamente", escreveu Lázaro na legenda.

Seguidores se emocionaram. A atriz Mariana Xavier escreveu: "Que lindeza. Merece todas as homenagens". A jornalista Flávia Oliveira destacou a importância de Ruth: "Meu abraço, Lazinho. Dia triste para todos nós. Dona Ruth, agora ancestralizada, era a evidência viva de que 'nossos passos vêm de longe'. Ela nos ensinou a direção", citando o livro de Jurema Werneck.

LUTO


A atriz Ruth de Souza faleceu neste domingo (28) aos 98 anos de idade às 11h20.

Ela estava internada há seis dias no Hospital Copa D'Or, em Copacabana, na zona sul do Rio, e faleceu em decorrência de complicações de um quadro de pneumonia. Em seus últimos dias, a artista teve que ser sedada e recebia tratamento médico. O último trabalho dela na TV foi em uma participação na minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora, de 2019. 
 

Adeus a grande diva Ruth de Souza! Eterna em nossos corações...