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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Assassinatos de jovens negros no Brasil aumentam 429% em 20 anos


Os negros constituem a maioria das vítimas, ocupando, em média, quatro em cada cinco casos de homicídios no ano de 2017 
 
Em um momento em que a redução da maioridade penal volta a ser discutida como solução para a segurança, uma pesquisa realizada pela Fundação Abrinq mostra que as vítimas de homicídio no Brasil têm cor. Em 20 anos, o número de jovens negros assassinados aumentou 429%, ante 102% de jovens brancos.

A pesquisa levou em conta números divulgados pelo Ministério da Saúde sobre mortes de crianças e adolescentes até 19 anos. Os dados analisados são de 1997 até 2017. A fundação conclui que, baseado nos números, o Brasil vive em um cenário de guerra civil.

“Em todas as unidades da federação selecionadas, os negros constituem a maioria das vítimas, ocupando, em média, quatro em cada cinco casos de homicídios no ano de 2017”, diz o relatório.


O presidente Jair Bolsonaro pautou sua campanha em um discurso focado na segurança pública. Liberação de armas, prisão perpétua, redução da maioridade penal entre outras promessas levaram o pesselista a ocupar o maior cargo do País.

O sucesso desse discurso encontra respaldo no fato de a violência ter aumentado no Brasil. A quantidade de assassinatos cometidos entre 1997 e 2017 aumentou 57,3%. Quando o estudo analisa jovens de até 19 anos, o número salta para 76,5%.

Marca registrada do atual governo, a arma vem sendo defendida como solução para a violência, mas quando analisamos os dados não é essa a realidade. Nesses 20 anos, houve um aumento de 120% de homicídios causados por armas de fogo. “Assassinatos por armas de fogo sugerem que a convergência da concentração de óbitos entre indivíduos de cor/raça negra atesta a exposição dessa população à vulnerabilidades das quais a manifestação da violência armada pode representar apenas uma dimensão”, disse o relatório.


“O exame das estatísticas de homicídios revela um País que convive com o extermínio de sua população de crianças e adolescentes, que são diariamente expostos aos riscos de terem suas vidas interrompidas antes mesmo de atingirem a idade adulta, especialmente quando tratamos de indivíduos de cor/raça preta ou parda”, conclui.
 
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Fonte: cartacapital

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra no DF


::Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História::

Museu Nacional recebe exposição que reconta a presença negra no DF

A exposição histórico-fotográfica Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História do Distrito Federal foi construída coletivamente por estudantes da Universidade de Brasília (UnB), pesquisadoras/es e diferentes profissionais negras/os das áreas de História, Letras, Arquitetura e Urbanismo e Comunicação. É resultado de pesquisa desenvolvida sobretudo no acervo do Arquivo Público do DF.

Ressaltar a importância das pessoas negras como sujeitos históricos que têm deixado suas marcas no Distrito Federal. Esse é o objetivo da exposição histórico-fotográfica Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História do Distrito Federal, que estará no Museu Nacional da República, de 12 a 29 de setembro de 2019. O material foi construído coletivamente por estudantes e pesquisadores da Universidade de Brasília e profissionais de diferente áreas, mobilizados pela professora Ana Flávia Magalhães Pinto, do Departamento de História. A maioria das imagens que a compõem foi selecionada por meio de análise profunda de fontes no acervo do Arquivo Público do DF. A entrada é gratuita.

Desenvolvida a partir de projetos de iniciação científica e extensão da universidade, a exposição encara o desafio de articular os conhecimentos acadêmicos nos campos da História, Comunicação, Arquitetura e Urbanismo aos saberes do ativismo social para a eliminação do racismo. Os registros fotográficos selecionados para a exposição datam de 1956 a 1998 e chamam atenção para o lugar da população negra como maioria dos habitantes do DF.
De acordo com Ana Flávia, a ação parte da perspectiva da História Pública, pensada a partir da multiplicidade dos sujeitos envolvidos e legitimados a contribuir para a construção das narrativas históricas. “Trabalhamos com a chave dos estudos históricos da liberdade e do pós-abolição, sobretudo no que toca o interesse pela reflexão sobre as trajetórias individuais e coletivas da gente negra e o enfrentamento ao racismo. A população do DF é formada por 57% negros/as é preciso refletir sobre a variedade e a complexidade dessas experiências ao longo do tempo”, explicou historiadora.
Reintegração de posse – A exposição histórico-fotográfica busca revelar a presença de pessoas negras em Brasília para além da figura do “candango”, personagem usual dos canteiros de obra e das narrativas sobre a capital. Para isso, apresenta esses e outros brasilienses em espaços sociais diversos, dando vida, cor e movimento à cidade. “Nossa proposta é falar da história negra no DF e lidar com os diversos aspectos da própria sociabilidade deste território”, revelou a historiadora.

Ambientes interativos estimulam os visitantes a encontrar o caminho percorrido por seus familiares até Brasília e suas idas e vindas pelas 31 regiões administrativas do DF. O público é convidado a dialogar e colaborar com o que está nas imagens, registros escritos e relatos de pessoas em diferentes contextos. “Trata-se de um convite ao diálogo com as histórias que elas próprias trazem ao sair de suas casas”, concluiu Pinto.
História Pública - De acordo com Guilherme Lemos, historiador que compõe a equipe, serão realizadas oficinas e tour virtual pelos espaços de memória das histórias negras no DF e visita guiada por monitores à exposição que está no Museu Nacional, como parte da Semana de Extensão Universitária da UnB. “Apresentaremos à comunidade como o documentos foram selecionados para a mostra, quais as técnicas utilizadas e como articulamos isso com os conhecimentos históricos intersubjetivos da cidade através das entrevistas com pessoas negras que vivem em Brasília desde a construção”, indicou Lemos.

As atividades acontecerão em 26/09, das 19h às 21h no auditório Joaquim Nabuco, na UnB, e 27/9, das 14h às16h30, no Museu Nacional. As oficinas são aberta para toda a comunidade. As inscrições estão abertas em: http://www.dex.unb.br/a-semana-universitaria-2019.

Serviço - Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História do Distrito Federal
Local: Museu Nacional da República, Conjunto Cultural da República
Data: de 12 a 29 de setembro de 2019 (Entrada gratuita).
Evento de abertura: 12/9, 19h.

Visitas guiadas:
Sexta e sábado (13 e 14/9), das 9h às 19h.
Domingo (15/9), das 09h às 15h.
Terça (17/9), 9h às 12h.
Quarta (18/9), das 9h às 19h.
Quinta (19/9), das 9h às 15h.
Sexta e sábado (20 e 21/9), das 9h às 19h.
Domingo (22/9), das 9h às 15h.
Terça (24/9), das 9h às 12h.
Quarta (25/9), das 9h às 19h.
Quinta (26/9), das 9h às 11h.

Informações para a imprensa
Mara Karina Silva - (61) 9 9296.9522 (Whatsapp)
marakarinasilva@gmail.com

‘Bacurau’. Mas pode chamar de… Brasil

 
Por Aydano André Motta,
Uma lista – COM SPOILERS – das semelhanças, metáforas e referências que conectam ficção e realidade no filme de Kleber Mendonça e Juliano Dornelles

Foto icônica da chegada a Bacurau: caminhão-pipa e frase emblemática. Foto de divulgação

Em cartaz desde a semana passada após viagem de aclamação e prêmios no exterior, “Bacurau” se passa num futuro distópico, mas desfila incômodas semelhanças com a vida real do Brasil – no presente. Aqui, uma lista – COM SPOILERS – da mistura perturbadora.

1. A falta de acesso a água potável e saneamento. O caminhão-pipa serpenteando por estradas em escombros é um personagem da trama. Ao ser perfurado por tiros, os moradores correm para tentar salvar um pouco da água que escorre pela terra. Na vida real, metade dos brasileiros não tem acesso a esses serviços.

2. O isolamento internacional. Bacurau some do mapa, referência precisa do Brasil que briga com os vizinhos da América do Sul e parceiros estratégicos mundo afora, como França e China.

3. O povo desvalorizado e subjugado. Os visitantes vêm participar de uma competição macabra: o extermínio de pessoas esquecidas, que vivem no “fim do mundo”, onde só tem valor como mercadoria – a população, aliás, foi vendida aos estrangeiros para servir de alvo. 
 
Michael (Udo Kier), o líder dos assassinos: agente do caos. Foto de divulgação

4. A elite patética. Dois habitantes do sul, “a região rica”, contratados pela trupe gringa, se enxergam brancos como os visitantes. Mas descobrem, do jeito mais sangrento, que são, isso sim, latinos, compatriotas dos pobres nordestinos. Como os migrantes que sonham ser “nativos” em Miami ou Portugal, mas continuam brasileiros.

5. A violência tatuada na nossa sociedade. Os oprimidos têm, como grande orgulho de sua cidade, o museu onde se destacam fotos de cangaceiros portando armas. E eles reagem à brutalidade com ainda mais força, utilizando armas antigas e explosivas. Como os opositores, saboreiam a própria violência. Além disso, caixões são transportados o tempo inteiro na cidade. Faz sentido, no país que, em 2018, matou 67 mil pessoas.

6. A sedução pelo extermínio. O filme se passa “daqui a alguns anos”. Num dado momento, a TV transmite evento ao vivo, a tarja informa: “Execuções públicas no Vale do Anhangabaú”. Combina com o discurso vitorioso de extermínio do povo pobre e preto.

7. A milícia. Para reagir aos invasores, os habitantes de Bacurau pedem socorro ao ex-matador que voltou à cidade. Ele se une a outros criminosos, que vivem nas cercanias. Exatamente como a milícia age nas grandes cidades, vendendo segurança num primeiro momento, para depois controlar a vida toda nas comunidades distantes.

8. As drogas. “Nós estamos sob efeito de forte psicotrópico, e você vai morrer”, avisa morador de Bacurau a um dos visitantes. Todos os habitantes ingerem um comprimido, antes da batalha. Um território onde parece se estar delirando, fora do juízo, como o Brasil de hoje.

9. A tragédia dos políticos. Diante do povoado deserto, o prefeito em campanha pela reeleição traz comidas e remédios vencidos. Quando vai embora, leva uma jovem prostituta. Qualquer semelhança com políticos da vida real não será mera coincidência.

10. O abandono das crianças. “Ele parecia ter 16 anos”, despreza um dos estrangeiros, após balear menino bem mais jovem. Encaixa na discussão sobre a redução da maioridade penal, pautada pela intolerância.

11. Sobre enxugar gelo. Domingas, a médica interpretada (magistralmente, mais uma vez) por Sônia Braga vive sob forte pressão, que só consegue aliviar com a muleta da bebida alcoólica. 
 
Sônia Braga, como a médica Domingas: estresse e álcool. Foto de divulgação

12. A falta de individualidade. As identidades dos moradores são apagadas e vigora o conceito de tribo, onde todos exercem o mesmo papel. Da jovem que chegou de volta à sua terra natal ao idoso com postura de sábio, a população aperta unida o gatilho contra os visitantes.

13. O monstro adormecido. Líder dos estrangeiros exterminadores, Michael (Udo Kier) não é assassinado, mas preso num buraco, como se dali pudesse emergir um dia.

Bônus 1: Num enterro coletivo, são citadas vítimas como “Mariza Letícia” e “Marielle”. Nem precisa explicar, né?

Bônus 2: Repare na placa da foto lá do alto, a distância que falta até Bacurau. De novo, nem precisa explicar, né?

Morte de professor em sala de aula abre debate sobre saúde mental nas escolas

Professor se enforcou dentro da sala de leitura. Colegas contam que ele sofria de depressão. Psicanalista fala da banalização da doença e critica medicalização
 

‘Escola, espaço da troca, conhecimento, construção de laços afetivos, criações… Mas, neste dia 15, à tarde, recebemos a triste notícia da morte do professor Gilberto Gil, dentro da sua UE. Professor lutador, ótimo profissional da Educação, mas que infelizmente não exercerá mais o ofício do Magistério entre nós e nossos alunos, profissão que, com certeza, abraçou dignamente. A Regional VI do Sepe se solidariza, neste momento de muita dor, com a família e comunidade escolar da EM Maria Florinda Paiva da Cruz. Prof. Gil Presente! Agora e Sempre!’

Com esta mensagem pública, o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) comunicou a morte do professor que era querido pelos colegas e pelos alunos da Escola Municipal Maria Florinda Paiva da Cruz, no bairro de Jacarepaguá. Gil, como era conhecido, se enforcou dentro da sala de leitura na última quinta-feira (15/08).

"Quando, mais um, professor morre, este leva consigo uma parte significativa de ensinamentos e novos aprendizados ficam suspensos na atmosfera da vida”, escreveu Ricardo Rigope no Facebook da escola, em homenagem a Gil. “Muito triste com a notícia professor era um excelente professor carinhoso e dedicado aos alunos foi professor da minha filha em 2017 esse vazio que o levou a isso que só DEUS pode preencher"
 
 
”, publicou Danielle Rodrigues, mãe de aluna.

Gil era professor de Matemática, mas estava afastado das atividades nas salas de aula por questões de saúde. Segundo informações compartilhadas por professores, além da depressão, enfrentava o tratamento de um aneurisma. Readaptado, atuava, ultimamente, na sala de leitura, onde tirou a própria vida.

O caso chocou toda a comunidade escolar e abriu um debate sobre a delicada questão da saúde mental dos professores e funcionários da rede pública de ensino – veja comentários abaixo. Afinal, estariam eles preparados para sofrer as pressões que a atividade exige, em um ambiente e condições de trabalho muitas vezes não apropriados ou mesmo hostis, e, ainda assim, oferecer o suporte necessário a jovens estudantes que cada vez mais se tornam também vítimas de transtornos emocionais?

No mês passado, um jovem estudante de 18 anos se jogou do sétimo andar do prédio onde morava, na Tijuca. O caso também deixou o colégio particular onde estudava em estado de choque. Estudantes e pais de alunos chegaram a elaborar um abaixo-assinado, exigindo mais psicólogos. Procurado pelo ViDA & Ação, o colégio não quis se manifestar a respeito das medidas tomadas após a mobilização.

‘Depressão ainda é vista como preguiça ou desleixo’


Isolamento, ansiedade e desânimo crônico estão entre os sintomas comuns para quem convive com depressão, mas a reação à doença é algo bem particular e em muitas pessoas diagnóstico é difícil. Só no Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), já existem cerca de 12 milhões de pessoas com depressão, sendo esse o maior número da América Latina, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Outro dado, segundo a organização, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo até 2020.

Para Guilherme Fainberg, médico psicanalista, a depressão muitas vezes não é vista como doença, mas como preguiça, desleixo ou capricho. “A maneira pela qual é tomada a doença, lembra em muitos aspectos o ‘’passado’’, porque o juízo de valor emitido entra no mérito, na intenção e no caráter do individuo”, ressalta. 
 
Segundo ele, “há uma banalização da doença e um certo relativismo por uma concepção de tempo distinta. Não se tem o direito ao adoecimento, o excesso de rigor diante do ser fragilizado pela doença ou patologia faz com que este se sinta ainda pior e muitas vezes cometa o suicídio”.

Para o especialista, é necessário ampliar o conceito do auto-perdão. “Vivemos em uma época, aonde precisamos fazer o máximo possível, no menor tempo. Adoecemos assim, por expectativas irreais. Nossos corpos não suportam a falha e o tempo natural das coisas. Não nos perdoamos por errarmos, quando poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tao bons, como diria Sigmund Freud, médico neurologista criador da psicanálise. Quando tem-se que escolher uma coisa entre dez, muitos, celebram o infortúnio da certeza que perderam nove. Nos tornamos neuróticos pelo eterno descontentamento”, afirma.
Banalização da doença x excesso de medicação

O profissional também critica o excesso de medicalização da doença. Segundo ele, nas cidades grandes, capitais, regidas pela primazia da eficácia, qualquer mal como tristezas ou frustrações (que precisam ser vividas, ganham rótulo de depressão, há uma banalização da dor necessária e uma corrida para medicá-la. Nas cidades do interior, mais bucólicas, acontece o processo inverso. Há uma tolerância exagerada, inclusive em casos patológicos como depressão e psicose.

“Tristeza não é depressão. Necessitamos elaborar nossas perdas, nossos lutos, nossos infortúnios. Ultrapassá-los pensando repetindo e elaborando acerca dos fatos penosos que nos acometem. A ‘medicalização’ dos sentimentos é uma prática comum e equivocada seja com drogas ilícitas ( que porventura ocupam este papel) ou lícitas que não deveriam ser prescritas em dadas circunstâncias”, comenta.

“Sem dúvida alguma, doenças existem. Mais do que isso, assolam e devastam vidas. Não escolhem raça, credo ou cor , simplesmente acontecem e são silenciosas de início. Cada caso deve ser entendido em seu contexto,através de uma ótica singular, levando-se em consideração desde aspectos culturais, orgânicos, epigenéticos e genéticos. Que ao final desta avaliação o médico suficientemente bom possa, com zelo e extremo bom senso, diferenciar aquilo que é normal do que é patológico em cada um”,
finaliza o especialista.
Professores e jornalista criticam o ‘sistema’

Existe na educação escolar uma fragilização dos que a ministram. Um professor ou professora recebem diariamente forte desqualificação pessoal e profissional. O contexto atual corrobora para tal situação. A escola está defasada de valores. O professor devendo ser um mediador do conhecimento, acaba por cumprir funções para as quais não está capacitado. Refiro-me aos cuidados que deveriam advir da família, Estado, formação enfim. A Escola não dando conta de tais valores,faz o repasse de tais responsabilidades ao educador, gerando grande frustração por parte de todos os indivíduos que dela fazem parte. A insistente busca de se resolver problemas enfrentados dos quais não temos alcance vem causando o adoecimento da classe. Somos os que ainda acreditam que é possível fazer. Mas, antes, existe um processo de desmonte social. É preciso, acredito, repensar a sociedade e redefinir metas” (Elisabete Ribeiro de Meirelles, professora)

“Ontem um professor da rede municipal do Rio cometeu suicídio, dentro da escola. Pensei aqui em como a gente tem descuidado dos nossas colegas de profissão. Como a gente se enfia no nosso próprio mundo e não se envolve, de fato, com aqueles que passam grande parte do tempo ao nosso lado. Eu não sei o que vai ser desse país, mas esse sistema já nos massacra há muito tempo. Por isso, penso que precisamos sorrir e chorar mais com nossos colegas. Tomar pra gente o peso que o “paralisa”, ou “acelera”. Parar e ouvi-lo, não importa o que estejamos fazendo no momento. Não pretendo fazer um discurso moral, só não quero perder mais um professor. A gente faz muita falta, acredite! 
 
#ProfessorGilpresente””, escreveu uma professora em um grupo de whatsapp.

“Na minha trajetória já tive amigo professor que morreu de derrame, ataque cardíaco por falta de pagamento, assassinado por dever dinheiro a agiota, suicídio, câncer e assalto a mão armada, além de fãs amigas com violência doméstica. E em todas as vezes me vi em todas as situações… (…) O que leva um professor de Educação Física, um profissional, um educador, a cometer um ato extremo contra a própria vida DENTRO DA SALA DE AULA QUE ELE TRABALHAVA???”, questionou outra professora.

“O que leva um professor de Educação Física a se enforcar na sala de aula?”. (…) “Porque o SISTEMA está executando os nossos vizinhos.. A falta de comida no prato. A falta de dinheiro para comprar remédios. A grana que falta para a passagem de ônibus ou BRT. A falta de perspectiva para o futuro dos nossos filhos. A ‘arminha’ aparece como uma corda no pescoço. E porque o professor fez\ isso na sala de aula? Porque ele afrontou o sistema que o fez subir na cadeira. Fica em paz”, escreveu o jornalista Ricardo França, sensibilizado com o caso. 
 
Quando a morte leva um professor (por Ricardo Rigope)

Quando um professor morre,
uma árvore-de-esperança
perde as folhas,
o solo-nutriente ao redor empobrece
e a paisagem fica triste, cinza e empoeirada.

Quando, mais um, professor morre,
este leva consigo
uma parte significativa de ensinamentos
e novos aprendizados ficam suspensos
na atmosfera da vida.

Quando a morte leva um professor,
ela insiste em plurificar
e pluralizar
a sua mensagem de esperança,
a sua mensagem para um amanhã digno,
onde olhares de crianças ascendem o que há.

Em cada retina infantl,
o professor não morre.
Ele renasce com luzes esclarecedoras
e poéticas.
 
Fonte:  vidaeacao

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Clélia Rosa – Trabalhando relações étnico-raciais na educação



Conversamos com a pedagoga Clélia Rosa, sobre como as relações étnico-raciais podem ser abordadas em sala de aula. Assista:



Conheça mais sobre o trabalho de Clélia Rosa
https://www.facebook.com/oficialluder

Núcleo de Estudos de Filosofia Africana Exú do Absurdo apresenta Professor Wanderson Flor


Começando as apresentações pelo nosso mestre ... Uã/Wanderson Flor, além de ser o professor responsável pelo NEFA, faz parte da coordenação nos auxiliando e contribuindo com sua experiência academica de professor e pesquisador

Suas pesquisas se estruturam nas seguintes áreas

1) As filosofias africanas e afrodiaspóricas; 
2) Relações Raciais e Tradições Brasileiras de Matrizes Africanas (Com ênfase nos candomblés); 
3) Ensino de Filosofia e Filosofia da Educação (com ênfase na formação docente para o trabalho com o ensino da culturas e histórias africanas, afro-brasileira e indígenas); 
4) Fundamentos da Bioética (Com ênfase nos aportes contra-coloniais às bioéticas latino-americanas e dimensões bioéticas das Políticas de Saúde para a População Negra). 
 
Além das categorias criadas no âmbito das filosofias africanas e dos estudos antirracistas sobre as relações raciais, utiliza o aporte das teorias de gênero, dos feminismos, da psicanálise e do instrumental analítico produzido por Michel Foucault. Investiga, ainda, saúde da população negra, diversidades de gênero e de orientação sexual, direitos humanos, estudos sobre a colonialidade e suas repercussões na educação e na Bioética.

Fonte: Núcleo de Estudos de Filosofia Africana Exú do Absurdo

Simpósio Nacional de Prevenção do Suicídio e Automutilação


No próximo dia 10 de setembro, a Frente Parlamentar de Prevenção do Suicídio e Automutilação (FPSA) e a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados irão promover um dia inteiro de debates e palestras com especialistas e autoridades para esclarecer informações sobre doenças mentais e dialogar sobre a valorização da vida.

Os debates e painéis começam às 09h e se estenderão ao longo do dia. Já estão confirmadas as presenças da Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que vai apresentar as políticas do Governo Federal sobre o tema; do Dr. Antonio Geraldo, da Associação Psiquiátrica da América Latina; Dr. Elias Lacerda, presidente da Comissão de Prevenção de Automutilação, Bullying, Cyberbullying, Sexting e Suicídio da Riex/DF; Dr. Humberto Correa, Presidente da Associação Brasileira de Prevenção do Suicídio e Associação latino-americana de Suicidologia; e Bernardinho, técnico da seleção brasileira de vôlei. Na oportunidade, também será realizada a formatura da turma do SAMU-DF, especialistas em prevenção e pós-venção do suicídio.

O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas aqui: https://forms.gle/uyhHdc6L72TYnjyb9

Haverá emissão de certificado!