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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Racismo é o principal problema a ser enfrentado no combate à intolerância religiosa

 
Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi celebrado em 21 de janeiro; número de registros deste tipo de crime aumentam 22% em São Paulo

Texto: Nataly Simões | Edição: Pedro Borges | Imagem: Roger Cipó

No dia 21 de janeiro é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído há 13 anos pela lei 11.635 em homenagem à Mãe Gilda, Iyalorixá vítima de intolerância religiosa em 1.999. Em São Paulo, os registros deste tipo de crime cresceram quase 22% no ano passado, conforme revelam dados da Polícia Civil.

Em 2019, foram registrados 3.969 boletins de ocorrência para casos de intolerância religiosa, contra 3.260 registros em 2018. A média de ocorrências diárias também aumentou de 8,93 em 2018 para 10,97 em 2019.

Para o Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo (CRESS-SP), o racismo é o principal problema a ser enfrentado no combate à intolerância religiosa no país. Um estudo de autoria dos conselheiros estaduais da entidade, Julio Cézar de Andrade e Luciano Alves, alerta para os exemplos recentes deste tipo de crime como a viralização de vídeos com facções do crime organizado e líderes evangélicos fundamentalistas comemorando êxito ao atacar terreiros de candomblé.

O estudo afirma que na análise de ações contra crenças ligadas às tradições negras e indígenas, constatam-se estreitas ligações com as expressões do racismo que estruturam a sociedade brasileira. O texto destaca que mais de um terço dos registros de discriminação religiosa é de violência contra locais e pessoas vinculadas às crenças de matriz africana.

Segundo o conselheiro Luciano Alves, o combate à intolerância religiosa perpassa por diferentes debates como a reavaliação de políticas públicas, a educação em direitos humanos e principalmente o combate ao racismo religioso.

Não adianta querer ver mudança se não houver discussão do combate ao racismo. O racismo implícito na cultura, no rechaço à cultura afro-brasileira ou às religiões de matriz africana”, explica.

Laicidade do estado


De acordo com a Constituição Federal, o Brasil é um estado laico e que prega a desagregação da religião e seus valores sobre os atos governamentais. O artigo 5º considera inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

O conselheiro Luciano Alves avalia que o estado laico, como descrito na Constituição, deve combater a intolerância principalmente a expressa por meio da violência. Segundo ele, na prática, o combate não acontece no país.

“O fortalecimento da laicidade do Estado já seria um ponto fundamental no combate à intolerância porque a garantia da expressão religiosa estaria prevista de forma suficiente. Isso não significa o que está sendo feito agora, por exemplo, com o crescimento vertiginoso da relação do Estado com denominações evangélicas. Os três poderes [executivo, legislativo e judiciário] deveriam defender a laicidade do Estado”, sustenta.

Fonte: almapreta

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

“Solte meu cabelo!”


 
 
Leio notícia com deliberação do Ministério Público Federal da Bahia, que impede que autoridades possam decidir sobre corte de cabelos, maquiagem e cor das unhas de estudantes. O alvo, segundo o noticiário, seriam as chamadas escolas cívico-militares.

De Edson Cardoso, enviado para o Portal Geledés
No ano passado, uma professora do Recôncavo comentava comigo o caso de uma garota que tinha procurado sua professora, colega de minha informante, para pedir-lhe que intercedesse junto à mãe para que esta permitisse que ela fosse com os cabelos soltos para a escola. A garota dizia que já se cansara de pedir, sem êxito, à mãe: “Solte meu cabelo!”.

A criança insistia que queria ficar igual a suas colegas e amiguinhas e era grande a resistência da mãe, por isso queria a ajuda da professora.

A liberdade com que se expressam os cabelos de nossa juventude neste momento vai bater de frente com uma concepção de disciplina vigente em escolas militares. A questão essencial é, a meu ver: rasgados os véus enganadores dos preconceitos, as crianças estão curtindo a delícia e o prazer de serem quem são, certo? Sabem-se negras e curtem seu pertencimento étnico.

Diante desse fato, histórico e social, o que fará uma noção estreita de disciplina? Não tenho dúvidas, vai tentar inculcar preconceitos. Eu digo que vai tentar e antecipo que será uma tentativa vã, destinada ao fracasso.

Quando chamo a atenção para a dimensão histórico-social dessa afirmação da identidade é para salientar o esforço que fizemos para nos libertarmos daquelas travas da negação e do controle. Uma luta longa e difícil cujos resultados não poderão ser apagados por nenhum documento “legal”.

Recolho na farmácia um folheto publicitário. Um grupo de doze jovens negras em atitude desafiadora: “Hidratação poderosa para você definir seus cachos e seu amanhã”.

Sim, ninguém está falando somente de cabelos. Na real, o papo nunca foi esse. Como se pode ver, a hidratação permite fornecer elementos a nossa reflexão sobre poder e quem define o quê na nossa vida.

A disciplina militar que raspa, corta, prende e esconde também não engana ninguém. É como a prisão por vadiagem que se seguiu à Lei Áurea, em 1888. Era preciso continuar a manter o controle sobre corpos livres.

Os valores abstratos, que normalmente são alardeados como razão para as medidas repressoras, transformam-se em coisa nenhuma diante dos fatos desmoralizadores que acompanham os formuladores dessas políticas.

“Solte meu cabelo!” tem um significado que envolve a construção mesma da pessoa, não é acidental nem superficial, nem tampouco suscetível de controle pela disciplina militar.

Lembram-se de Tiririca? “Veja os cabelos dela/parece bombril de arear panela”. “Solte meu cabelo!” é modo de expressão da pessoa que enfrentou os tiriricas da vida e seus asseclas. O pensamento reacionário que se traveste de normas e regras disciplinares imagina-se capaz de retomar um tempo em que adultos viviam aterrorizando crianças com seu próprio cabelo.
 
 
Edson Cardoso (Foto: Ernesto Rodrigues/Fundo Brasil)
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Edson Lopes Cardoso
Jornalista e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo

** Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

Fonte: geledes

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

O nazismo no governo Bolsonaro e a escalada do racismo no Brasil

Por Silvio Almeida,
Teoricamente há uma distinção entre as ideologias de “supremacia branca” e de “superioridade branca”. Essa distinção, aliás, é essencial para distinguir a história das relações raciais no Brasil e países como a Alemanha, EUA e África do Sul.

 Silvio de Almeida (DIVULGAÇÃO/CHRISTIAN PARENTE)

No Brasil, a ideia de “superioridade branca” converteu-se no final do sec. XIX no assimilacionismo. Foi uma saída genial dos intelectuais da época porque dava conta do problema das elites do pós-abolição, que era lidar com a massa de negros livres.

Diante da impossibilidade de fazer como nos EUA e defender a “supremacia branca”, o Brasil – um país de negros, indígenas e mestiços – apostou na “superioridade branca”. Daí a aposta no branqueamento como forma de “civilizar” o país.

A ideia de superioridade branca teve diferentes versões que vão do “assimilacionismo” (mestiçagem para eliminar o negro) até o “mulatismo” (mestiçagem para ressaltar o “melhor” de cada raça). Cada uma dessas teorias está ligada ao contexto político do pais pós abolição.

O racismo brasileiro é um produto sofisticado, feito sob medida por pensadores do gabarito de Nina Rodrigues, Silvio Romero, Oliveira Vianna e em outra chave, Gilberto Freyre. Atenção: todos devem ser lidos para que se entenda o Brasil. Coloco esta questão porque, salvo engano, o que fez ontem o ex-secretário de cultura é a primeira manifestação de supremacia branca feita por um membro do governo brasileiro, rompendo uma mecânica histórica de reprodução do racismo.

O racismo brasileiro mudou de patamar.

É curioso porque esse governo que se opõe ao globalismo agora se globaliza alinhando-se ideologicamente aos supremacistas brancos dos EUA e da Europa. E antes que se fale que foi um “caso isolado”, basta pegar o histórico do próprio presidente. Isso tudo para dizer que considero um marco na história do Brasil o que aconteceu ontem. É preciso olhar para o cenário – nacional e internacional – e para todos os atores. As reações ao episódio nos dão o grau dos desafios que iremos enfrentar nos próximos anos.

A luta antirracista terá mais trabalho ainda.

Terá que lidar com os supremacistas no poder e, ao mesmo tempo, denunciar os que se fingem civilizados, mas se aproveitaram da superioridade branca para naturalizar a situação calamitosa do povo negro e indígena deste país. Qualquer tentativa de diminuir a gravidade do que disse o simulacro de nazista que ocupava a pasta da cultura é com ele compactuar. Qualquer tentativa de separar “cultura” de “economia” neste governo é aperto de mão com racistas.

O jogo está aberto.

[texto/fio publicado pelo professor Silvio Almeida no Twitter – @silvioal]

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Afeto e o racismo na família? Quem tem joga!

 
Priscila Gama. Crédito: Instagram

Para todos os lugares que eu olho, existem grandes embates quando o assunto é racismo e as relações familiares. Há muito tempo eu venho tentando encontrar as melhores palavras pra dividir os meus sentimentos sobre isso.

A maioria absoluta da população brasileira vem de famílias miscigenadas que, infelizmente, não dão a devida importância aos registros plurais e os diálogos de respeito e acabam reproduzindo dentro das relações familiares, atitudes racistas violentadoras e extremamente dolorosas pros corpos negros desse círculo.

Uma consideração que sempre me causa incômodo é justamente o fato de que há afeto nesse círculo. A boca que chama o cabelo crespo de 'bombril' e a mesma que manda um "Deus te abençoe " antes de dormir. O braço que te aponta um dedo pra negativas características pretas é o mesmo que te acalenta quando você precisa de apoio. E é um peso enorme pra nós ter que equalizar o afeto e o racismo, porque não há equalização pra isso... nunca há.

Mas o que fazer, então?

Bom, esse é um assunto em que eu e muitas amigas viemos conversando nos últimos dois anos com mais afinco. Justamente porque é parte das histórias que vivemos no passado e que, inevitavelmente nossos filhos viverão se não partir da gente essa ressignificação das nossas culturas familiares.

Eu sei. É foda sofrer racismo é ainda ter que ter paciência para reeducar as pessoas. Mas é isso, né? Se não for você em seu corpo preto, a agente de diálogo com aquela sua 'tia' racista que te ama, quem será? Pra quem ela dará ouvidos e terá alguma reflexão geradora de mudanças?

O meu relato pessoal é de que eu sou filha de uma mulher branca e o meu maior convívio familiar intenso e enraizado até a minha infância, foi com essa minha parte da família e portanto não tenho qualquer dúvida sobre o amor e o afeto que eles tem por mim.

No entanto, essa minha galera também foi educada no mesmo sistema racista e extremamente preconceituoso que a maioria. E lutar com essa generalização de um pensamento absoluto ignorante e cruel comigo e com outros é uma guerra dolorosa e sem fim em que eu resolvi lutar conversando, mostrando, trocando livros, conversando mais um pouco, me posicionando e chamando a ATENÇÃO quando for necessário.

E assim vamos restabelecendo os vínculos já existente, mas agora considerando a pluralidade como plataforma coletiva familiar... E se alguém errar, a gente conversa de novo. Até que a gente consiga que todo mundo entenda.

Entenda inclusive que "até ter uma sobrinha, neta, prima, filho, avó, marido ou esposa" não exime ninguém de ser racista. Inclusive é justamente porque o afeto não anula (infelizmente) as crenças preconceituosas e a péssima educação tendenciosa e racista que a gente, enquanto sociedade, tem recebido ao longo dos anos.

É péssimo, eu sei. Mas eu não sei lidar de outra forma.

Veja, eu não tenho método pra isso. Mas eu tenho o que muitos chamam de propósito, então eu acredito que isso, somado ao fato da gente ter que fazer parte da mudança pra começar a mudar o mundo, tô aí conversando com a família toda e aos poucos ressignificando o existir de cada um.

Nessa coluna eu tô falando de um corpo preto para outro corpo preto. Mas na semana que vem vamos falar sobre como ser um branco aliado e verdadeiramente antirracista, tá! Já avisa pra quem precisa. 
 
Fonte: agazeta

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Do racismo ao antirracismo racista: desafios para a educação


Por Marcio André dos Santos*,
No Brasil de hoje é praticamente consenso considerar o racismo e adiscriminação racial como mecanismos combinados que estruturam as relações sociais, cujos resultados diretos se expressam em prejuízos econômicos e ocupacionais para os negros (pretos e pardos de acordo com a classificação oficial do IBGE). Análises estatísticas produzidas por agências de pesquisa do governo federal, como o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada — IPEA sustentam de forma concreta o abismo social existente entre brancos e negros ao longo do tempo. Apesar de verificadas melhorias nos índices sociais para praticamente todos os grupos sociais nas últimas décadas, as desigualdades raciais continuam a figurar como um dos principais desafios brasileiros. As distâncias sociais entre os dois grupos evidenciam-se especialmente no campo da trajetória escolar e da educação em todas as suas fases: ensino básico, fundamental, secundário e superior — incluindo a pós-graduação (mestrado, doutorado, pós-doutorado).

A desigualdade provocada nos primeiros anos de vida escolar tende a surtir efeitos permanentes ao longo da vida. Os sociólogos Carlos Hasenbalg e Nelson do Vale e Silva desenvolveram uma teoria que chamaram de “ciclo cumulativo de desvantagens” para explicar como esse fenômeno se manifesta na vida das pessoas a cada geração. O argumento é basicamente o seguinte: por causa das condições de pobreza geradas pelo racismo estrutural, famílias negras terminam por deixar como “herança” baixos índices de escolaridade aos seus filhos que, por sua vez, irão determinar o lugar de subalternidade social destes no mercado de trabalho. Consequentemente, os filhos de uma geração precedente terão muito mais dificuldades em deixar como herança condições adequadas a sua prole, reproduzindo a dinâmica cíclica de desvantagem ao mesmo tempo social e racial (na realidade a dimensão racialdas desigualdades está “colada” a lógica estrutural da reprodução social). Portanto, mesmo que se verifique mobilidade social individual, a imensa maioria dos negros continua a herdar as desvantagens geradas no passado e reproduzidas no presente por causa da continuidade (intencional) do racismo estrutural.





Esse é um dos motivos pelos quais o debate sobre a superação do racismo no campo da educação é tão importante atualmente. É necessário que haja transformação profunda neste campo para que se construa uma sociedade mais igualitária e para isso é preciso que um conjunto de políticas públicas específicas seja desenvolvido. Neste sentido, este texto tem como objetivo travar um breve diálogo com educadores(as) sobre o papel do racismo em nossa formação social e maneiras de enfrentá-lo no cotidiano escolar. Não existem respostas fáceis a estas questões. Inicio com uma breve contextualização de algumas características de nossa formação social ou, mais apropriadamente, da formação racial brasileira.

Formação Racial Brasileira: breves apontamentos

A formação social brasileira é caracterizada pelo conjunto de relações de variados grupos nacionais, étnicos e raciais constituidores de nosso país. Europeus, indígenas, africanos, asiáticos e povos árabes tiveram aqui uma gama de relações e conflitos, seja no campo político, comercial, religioso ou afetivo-sexual. Inicialmente os colonizadores portugueses, homens em sua maioria, tiveram seus primeiros transcursos sexuais com as mulheres indígenas e depois com as africanas e negras brasileiras, geralmente com base na violência sexual e no estupro. Este “(des)encontro colonial” resultou uma imensa população mestiça. Entre o final do século 19 até meados dos anos 30 do século 20, ideias de superioridade racial eram comuns entre os membros das elites brasileiras, considerando aqui elites intelectuais, políticas e econômicas. Devido à influência das teorias racistas vigentes na Europa, reinava entre nós a noção de que os brancos eram superiores aos negros. Aos brancos eram atribuídos a capacidade de constituir grandes civilizações, contrário do que se pensava sobre os negros, vistos como selvagens e bárbaros, incapazes de realizações civilizacionais.





A mestiçagem, largamente praticada no país, foi vista como empecilho ao progresso que se desejava. Os pensadores sociais e políticos das décadas finais do século 19, influenciados pelo racismo científico e pelas ideias evolucionistas e deterministas comuns nos círculos intelectuais da época, eram céticos quanto ao futuro racial brasileiro. Dessa forma, limpar o “sangue negro e mestiço” da população em prol do “sangue branco” europeu parecia a solução mais lógica a ser considerada.

O branqueamento por meio da promoção da mestiçagem transforma-se em novo projeto político de engenharia racial. Além do mais, o embranquecimento significava passaporte e condição necessária para transformar o Brasil em uma nação digna desse nome. Embranquecer tinha o mesmo significado que modernizar. Todo o aparato estatal da época foi mobilizado a fim de possibilitar a importação de imigrantes europeus, considerados racialmente superiores e mais aptos ao trabalho agrícola e ao desenvolvimento industrial. Era comum imaginar datas para que este processo tivesse fim. No final do século 19, João Batista de Lacerda acreditava que em cem anos a mestiçagem transformaria todos os brasileiros “de cor” em brancos adaptados as condições especiais dos trópicos.

Apesar do intenso influxo de “sangue europeu”, em especial para os estados do sul e sudeste, a população mestiça não diminuiu conforme o esperado. A mestiçagem e/ou o embranquecimento não pareciam mecanismos suficientes para frear o crescimento demográfico da população negra. Em meados dos anos 30 inicia-se um processo de reversão no pensamento racial brasileiro. A mestiçagem deixa de significar um problema para a identidade brasileira e passa a ser vista como o principal atributo da nacionalidade. Torna-se um valor. O mestiço e/ou mulato passam a ser vistos como o brasileiro por excelência. Tal transmutação, é claro, não se deu de forma imediata, tampouco tranquila. Uma série de fatores teriam influenciado essa guinada no pensamento racial brasileiro: o modernismo literário; o culturalismo antropológico; e as condenações às teorias racistas na Europa.

Um dos principais expoentes desta mudança de paradigma do “dilema racial brasileiro” foi o sociólogo pernambucano Gilberto Freire. Em sua principal obra, Casa Grande & Senzala, publicada em 1933, Freire desenvolveu uma complexa explicação da formação nacional brasileira e do papel dos diferentes povos em tal formação, especialmente portugueses, indígenas e africanos. Atribui-se a este autor a ideia segundo a qual o contato íntimo entre estes três “povos”, juntamente com as características típicas de uma sociedade patriarcal teria gerado uma espécie de “democracia étnica e social” singular. Na verdade, jamais tivemos algo semelhante a uma democracia racial. Pelo contrário, o consenso acadêmico, político e estatístico continua a reforçar a tese de que os padrões de desigualdades raciais entre brancos e negros resistem em ser revertidos. Desde pelo menos os anos de 1930 com a emergência da Frente Negra Brasileira e o surgimento dos movimentos negros organizados que a democracia racial é denunciada como estratégia ideológica que mantém os brancos na condição de dominantes em todas as dimensões sociais, políticas e econômicas no país.





Devido a estes aspectos que é fundamental entender as dinâmicas da formação racial brasileira como continuidade de padrões sociais e econômicos em benefício do grupo racial branco e, ao mesmo tempo, como fracasso de um processo de modernização que se revelou incapaz de romper e superar as assimetrias sociais do passado.

Do racismo ao antirracismo racista

O racismo anti-negro típico do final do século 19 e início do século 20 vai dando lugar a um tipo de antirracismo institucional ou no que passo a chamar de antirracismo racista. Em outros termos, após os anos 30 defender ideias abertamente racistas já não era mais tão politicamente correto quanto antes, ainda que muitos cientistas e intelectuais continuassem a defender princípios eugenistas, pregando a purificação racial dos não-brancos como, por exemplo, cientistas sociais como Renato Kehl, Oliveira Vianna e literatos como Monteiro Lobato. Estudiosos das relações raciais contemporâneos designam essa mudança como o surgimento do “mito da democracia racial”. A crença de que o pertencimento racial das pessoas não era razão suficiente para impedir os processos de mobilidade social influenciou vários estudiosos das relações raciais, como Donald Pierson e Arthur Ramos.

De construção intelectual da formação social brasileira o “mito da democracia racial” vai lentamente ser incorporado a um tipo bastante específico de ideologia estatal. Praticamente todas as instituições sociais passaram a sustentar e a defender o antirracismo como um valor nacional. No imaginário das elites políticas, racismo de verdade era o que se praticava nos Estados Unidos e África do Sul, já que nestes países havia leis rigorosas de proibição de casamentos interraciais, de separação física entre brancos e negros dentre inúmeras outras regras de restrição de contato e convívio. Aqui o que teríamos era no máximo um preconceito social. Se os negros eram os mais pobres dentre os pobres não era por causa de práticas racistas presentes nas relações sociais e sim devido a herança de desigualdades sociais geradas pelo arcaísmo de uma sociedade que durante séculos foi escravocrata, rural, logo, atrasada.

Do ponto de vista político-ideológico, o antirracismo racista brasileiro só veio a perder força na segunda metade dos anos 90 do século 20, ainda que seja comum representantes de instituições governamentais declararem que não temos um problema propriamente racial. A partir do reconhecimento estatal de que o racismo e a discriminação racial operam como mecanismos de manutenção de distâncias socioeconômicas entre brancos e negros é que ações de superação das desigualdades raciais começaram a ser desenhadas e postas em prática. Evidentemente que o reconhecimento oficial desses mecanismos não significou imediatamente mudanças de comportamento e mentalidades. O racismo institucional continua a ser largamente praticado em nosso país, ainda que ninguém goste de reconhecer-se racista ou preconceituoso.

Benefícios para uns, prejuízo para todos

O antirracismo racista brasileiro não tem nada de cordial e amistoso como muitos imaginam e sustentam. Pelo contrário. O antirracismo racista que impera entre nós é exatamente aquele que continua a impedir o avanço de iniciativas que tentam superá-lo. Apesar dos avanços verificados nas últimas décadas no campo das políticas em prol da igualdade racial, ainda temos muito o que fazer. A persistência de índices elevados de discriminação racial no acesso à educação em todos os níveis têm como resultado direto baixos níveis de qualificação profissional de negros em detrimento de brancos. Ainda que brancos também amarguem elevados índices de desigualdade social, a situação é bem pior para os negros em todos os campos da vida: acesso a saúde, exposição à violência urbana, desemprego, déficit de moradia, chances educacionais, etc.

Depois de dito isso tudo, como fazer para trabalhar com este tema em sala de aula? Não temos espaço suficiente aqui para propor metodologias e alternativas para trabalhar com esta temática. Entretanto, já temos disponíveis alguns instrumentos que podem auxiliar educadores(as) de todo o país neste sentido. A Lei n. 10.639/03, que estabelece o ensino de história da África e da cultura afro-brasileira, conta hoje com um conjunto de iniciativas desenvolvidas a fim de auxiliar os profissionais da educação nesta direção





Em suma, o combate ao racismo institucional e a todas as formas de preconceito associadas a cor da pele e ao pertencimento racial deve ser encarado por todos nós — educadores(as), formadores de opinião, acadêmicos, cidadãos comuns — como um dever coletivo em prol de um país melhor que valoriza e respeita as diferenças, sejam étnicas, raciais ou de gênero.

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*Marcio André dos Santos é cientista político e professor da UNILAB, campus dos Malês, Bahia.

Fonte: Medium

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Lucas Santos: “Saí da favela, mas não posso ficar alienado enquanto matam negros e pobres”

Promessa do futebol brasileiro e cria da comunidade Para-Pedro, no Rio, o atacante que joga na Rússia se inspira em ativistas negros para contestar a violência policial em sua cidade

Lucas Santos em treino com a seleção brasileira.
Lucas Santos em treino com a seleção brasileira.Joe Klamar (Getty Images)

Criado na Para-Pedro, uma favela no bairro de Irajá, zona norte do Rio, Lucas Santos cortava o cabelo na mesma barbearia em que o mototaxista Kelvin Cavalcante, de 17 anos, foi morto a tiros durante uma operação policial, em outubro. A Polícia Civil ainda não concluiu as investigações para determinar se as balas que atingiram o adolescente partiram de agentes do Estado. “Eu conhecia o Kelvin, um moleque do bem”, conta Lucas. “A morte dele me deixou revoltado. Poderia ter acontecido comigo ou com algum familiar. Dizem que é por engano, mas morrem cada vez mais pessoas negras e pobres nas favelas. Cada vez mais o Rio é um lugar medonho para se viver, apesar das belezas naturais.”

Após o enterro de Kelvin, no cemitério de Irajá, moradores protestaram contra as ações violentas na região. Um policial sacou um fuzil, deu tiros para o alto e tentou dispersar o ato agredindo manifestantes. Ele foi afastado pela Polícia Militar por descumprir o protocolo da corporação. Na época, pelas redes sociais, Lucas Santos chegou a criticar o que chama de “espírito genocida” do governador Wilson Witzel (PSC). “As atitudes que ele toma me fazem acreditar que se trata de uma política de genocídio contra a população menos favorecida. Nenhuma pessoa deve comemorar a morte de um ser humano, independentemente do que estivesse fazendo. Entendo que é preciso ser duro com a criminalidade e o tráfico, mas não consigo ficar feliz com o assassinato de alguém. Essa postura do governador abala a confiança na polícia. Quem deveria proteger, na verdade, está matando muitos de nós.”

Depois de eleito, Witzel já declarou que policiais iriam “mirar na cabecinha” de suspeitos armados com fuzil e celebrou o desfecho de um sequestro a ônibus na ponte Rio-Niterói, em agosto – o sequestrador acabou abatido por um atirador de elite. Morando em Moscou desde setembro, quando foi emprestado pelo Vasco ao CSKA, o atacante reafirma a intenção de usar sua visibilidade como jogador para questionar ações da polícia na favela. “Nunca tinha vivido em um lugar tão seguro quanto a Rússia. Eu poderia muito bem ficar calado, mas, pela minha raça e pela minha cor, não tenho o direito de esquecer da minha origem.”

Em novembro, ele comemorou a soltura do DJ Rennan da Penha, condenado por associação ao tráfico na Vila Cruzeiro. “Existe uma tentativa de criminalização do funk. Algumas letras são pesadas, mas retratam a realidade da favela”, diz o jogador, que cita o próprio exemplo para discordar da condenação do funkeiro devido à proximidade com traficantes. “Eu tenho amigos e até familiares que foram pro lado do crime, infelizmente. Nem por isso deixei de falar com eles. Quero que eles saiam dessa vida. E não é me afastando ou virando a cara que vou convencê-los.” Parte da família de Lucas Santos ainda mora na Para-Pedro. Embora se orgulhe das raízes, vislumbra alcançar a estabilidade financeira com o futebol para tirá-la da comunidade. “É desejo meu proporcionar uma situação de maior conforto aos meus familiares. Mas se engana quem acha que favela é só cenário de violência. Lá tem muita coisa boa.”

Lucas também viu com bons olhos a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorecido pela mesma decisão do STF que livrou Rennan da Penha da prisão por vetar o cumprimento da pena após condenação em segunda instância. Ele se considera de esquerda e, apesar de ponderar sobre os escândalos de corrupção em governos do PT e o processos contra Lula, avalia que as gestões petistas beneficiaram a população mais pobre. “Não sigo cartilha nem bato palma para tudo que a esquerda faz. Mas a gente, na favela, percebe a diferença entre um governo de direita e um de esquerda. Para alguns, o Lula poderia ter feito mais. Só que ninguém nega que ele deu dignidade aos negros e pobres. Já o atual Governo faz o que pode pra dificultar nossa vida.”

Na última eleição, o atacante formado pelo Vasco conta que, em concentrações com os juniores do clube, tentou orientar colegas a não votar no presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, não só entre companheiros da base, muitos atletas optaram pelo ultradireitista. “A maioria dos jogadores de futebol saiu de baixo. Mas poucos buscam se informar sobre política. Resolvi me aprofundar porque muita coisa estava em jogo pra quem vem do mesmo lugar que eu vim. Os que escolheram a direita por querer uma mudança não pensaram nas consequências.”

Ativismo inspirado em ícones negros

 

Depois de uma aula de história, Lucas Santos teve curiosidade de pesquisar mais sobre a figura de Martin Luther King Jr., pastor e ativista norte-americano que dá nome à principal avenida de Irajá. Aos poucos, o interesse por personalidades do passado o levou a conhecer Nelson Mandela e Zumbi dos Palmares. “Eu achava que ser chamado de ‘macaco’ ou ‘pretinho’ era uma brincadeira. Meus pais me diziam que isso não era certo, mas só entendi o que significa racismo ao descobrir a história desses líderes negros.”

O gosto pelo rap também ajudou a moldar sua consciência social. “No começo eu ouvia só por ouvir. Com o tempo, passei a estudar as letras e aí, sim, entendi a mensagem.” Pela habilidade com a bola nos pés, Lucas ganhou bolsa em um colégio particular de Bento Ribeiro, onde estudou até o último ano do ensino médio. Se dividia entre as aulas, os treinos no Vasco e os jogos estudantis. “Foi um diferencial ter estudado numa boa escola. Tive essa sorte. Mas nem todos nascem com talento para o futebol. Por isso, oferecer educação pública de qualidade tinha que ser obrigação de qualquer governo.”
Emprestado pelo Vasco, o atacante defende o CSKA Moscou.
Emprestado pelo Vasco, o atacante defende o CSKA Moscou.
Na Rússia, sem ainda compreender o idioma local, diz não ter notado nenhum tipo de manifestação racista nos jogos. “Sei que outros jogadores já sofreram com isso por aqui, mas, diretamente, ninguém me hostilizou.” No Brasil, porém, a discriminação sempre foi perceptível. “Desde muito cedo, me insultam com racismo nos campos de futebol. Procuro me blindar da ignorância das pessoas.” O atacante defende que mais personalidades do esporte devem se mobilizar em torno do enfrentamento ao racismo. “Uma mobilização que inclua jogadores brancos nessa luta que é de todos. As pessoas famosas precisam se engajar contra o preconceito de raça, classe e gênero.”

Seu plano é permanecer na Europa, perto do objetivo de disputar uma Champions League. No entanto, se mostra motivado a retornar ao time que o revelou caso o CSKA não exerça a opção de compra ao fim do contrato de empréstimo, sobretudo pelo propósito de marcar o nome na galeria de craques notáveis em São Januário. “Para mim, a história do Vasco, que contribuiu para a inclusão de negros e pobres, é muito inspiradora. Espero ter a oportunidade de voltar e me tornar mais um ídolo negro do clube.”

Fonte: Elpais

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

6 práticas para discutir racismo e identidade na sala de aula

Atividades para o Fundamental I e II que podem ser aplicadas em qualquer época do ano 

Foto: Getty Images
POR: Larissa Teixeira
O Dia da Consciência Negra foi celebrado na última semana, mas o debate sobre os direitos da população afrodescendente brasileira não deve se limitar a um dia, ou a uma semana. As próprias redes sociais nos ajudaram a lembrar disso, com ataques racistas contra crianças negras dias após o Brasil relembrar a luta por igualdade de um grupo que representa mais de metade de nossa população.

Como um espaço de reflexão e construção de conhecimento, a escola não pode ficar de fora. Por isso, NOVA ESCOLA selecionou seis atividades que abordaram temas como racismo, identidade, história e cultura. Inspire-se pelos bons exemplos e convide a turma a refletir:

Tour cultural com foco na igualdade

Na EMEB Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, em Cuiabá, a turma foi impulsionada a refletir criticamente sobre a igualdade de oportunidades para negros, indígenas e mulheres a partir de figuras históricas do entorno. O projeto criado pela professora Sueli Xavier Ribeiro envolveu as turmas do 1º ao 4º ano, incluindo 11 estudantes com deficiências intelectual, múltipla e física.

Cultura afro-brasileira em foco

Neste projeto sobre gêneros textuais em Língua Portuguesa e em Libras, os alunos do 6º ano da EE Roldão Lopes de Barros, em São Paulo, estudaram sobre a cultura afro-brasileira nas disciplinas de História, Artes, Geografia e Ciências. Entre os 35 estudantes, oito eram surdos ou possuíam algum grau de deficiência auditiva.

A identidade brasileira de cada um

Realizado na CMEI Cid Passos, em Salvador, esse projeto de arte estimulou os pequenos a pensar sobre a questão indígena e africana. Nas atividades, as crianças passaram a se reconhecer nos personagens estudados e, assim, construíram e assumiram a própria identidade.

A realidade afro do Brasil

Para discutir a respeito da cultura e arte africana e afro-brasileira, as crianças do CMEI Darcy Castello Mendonça, em Vitória, entraram em contato com releituras de obras artísticas, capoeira, música, dança, culinária, jogos e brincadeiras da cultura negra. Assim, elas aprenderam a respeitar e valorizar a contribuição dos negros na formação da cultura brasileira.

Quilombos e cultura, uma relação estreita

Esta sequência didática com alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental propõe um estudo sobre os quilombos e sua importância para o Brasil. O projeto fará os alunos discutirem sobre mudanças e permanências nas relações sociais locais, além de compreenderem e valorizarem elementos das culturas afrodescendentes e da resistência negra no país.

Preconceito e racismo: raízes escravagistas

O projeto estimula a turma a debater sobre o racismo e o preconceito étnico-racial no Brasil. Ao perceber as marcas da presença da cultura africana na sociedade brasileira, as crianças se reconhecem como fruto de um processo de miscigenação e compreendem o racismo como uma herança do período escravagista.

Fonte: novaescola

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Professor da UNESP é chamado de macaco e esfaqueado em Bauru

Em uma denúncia feita em suas redes sociais, o professor narrou ter sido chamado de “macaco” por um homem que, depois, o atacou usando um canivete.

Imagem: Cristiano Zanardi/ FolhaPress

Em um estabelecimento comercial na cidade de Bauru, o professor Juarez Xavier da UNESP sofreu ofensas racistas de um homem, aparentemente embriagado, além de ser atacado com um canivete, sendo ferido e tendo que ser levado a uma UPA.

Em 20 de novembro, dia da Consciência Negra, Juarez Xavier de 60 anos, professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação na Universidade Estadual Paulista (UNESP), sofreu um ataque racista de um homem em um estabelecimento comercial em Bauru, segundo informa a Polícia Militar.

Em uma denúncia feita em suas redes sociais, o professor narrou ter sido chamado de “macaco” por um homem que, depois, o atacou usando um canivete. O professor sofreu dois golpes, um no ombro direito e outro no braço esquerdo. Os ferimentos não foram graves, mas o professor teve que ser levado para uma UPA próxima para sutura. O agressor, cuja identidade ainda não foi revelada, foi parado por populares e detido pela polícia.

Segundo o informe da PM, após sofrer a ofensa racista, o professor teria se defrontado com o atacante, que reagiu com ataques físicos. Em meio à briga, o agressor sacou o canivete e desferiu os golpes contra Juarez. Nós do Esquerda Diário repudiamos esse brutal ataque racista contra o professor Juarez Xavier!

Fonte: esquerdadiario

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Bate-papo Gratuito | Racismo e criminalização do funk (29/11)



• Mês da Consciência Negra no Espaço f/508 de Cultura •

Bate-papo Gratuito
Racismo e Criminalização do Funk, com Jô Gomes
Dia 29 de novembro, às 19h

No dia de 29 de novembro – mês da Consciência Negra, a jornalista, pesquisadora e dançarina Jô Gomes conduzirá um debate gratuito, a partir das 19h. A proposta do encontro é difundir a cultura Funk e contribuir para a sensibilização do público quanto à importância de valorizar e respeitar o movimento e seus praticantes.

Além disso, metade das duas horas do bate-papo será reservada para uma oficina de Passinho, a fim de ensinar alguns fundamentos da dança social nascida no começo do século nos bailes funk cariocas, além de tratar dos seus precursores, a história dos passos e sua técnica.

O bate-papo é gratuito; para participar, basta entrar em contato pelo e-mail equipef508@gmail.com.

Foto: Daniel Marenco

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Jamilly 8 anos sofreu racismo e agressão na escola , teve o cabelo cortado por um grupo de crianças



Jamilly 8 anos sofreu racismo e agressão na escola , teve o cabelo cortado por um grupo de crianças. Assista:

RELATO DO RAPAZ Q AJUDOU JAMILLY 
👉 Jamilly, menina, preta, 8 anos de idade, mora na vila industrial _ zona leste da cidade de São Paulo, recentemente foi mais uma vitima da maldita doença social, o racismo e suas estruturas, essa semana ela foi cercada por um grupo de crianças e virou motivo de piada, chamaram ela de "fedida", "cabelo duro"...etc na sequência começaram a corta o cabelo dela dizendo que precisavam de bombril. (perversidade pura).

Intervir imediatamente e na sequência conversei com as crianças envolvidas, não adiantou, durante a conversa chegou o pai de uma delas e diz: "criança é criança, deixa elas brincar, essa coisa de racismo é da sua cabeça". Peguei Jamilly pelos braços, levei ate a mãe dela, dei algumas dicas, falei sobre o racismo estrutural...enfim esse fato me deixou bastante machucado.

Me comprometo fazer um lindo album fotográfico para Jamilly para ela não esquecer do quanto ela é linda e potente, assim contrapondo nas minhas possibilidades esta doença que tenta tirar a todo custo a autoestima e a dignidade da criança negra no Brasil.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Parlamentares negros e negras protocolam Projeto de Lei para eliminação do racismo institucional



No mês da Consciência Negra, grupo de parlamentares negros e negras apresenta, em parceria com ativistas do movimento negro, projeto de lei que visa enfrentar o racismo institucional na administração pública

Buscando alternativas para enfrentar o racismo institucional na administração pública, parlamentares negros protocolaram, nesta quarta-feira, 6/11, às 13h, um projeto de lei que orienta União, estados e municípios para identificação e eliminação de práticas de discriminação racial que prejudiquem o acesso igualitário da população aos serviços e às políticas públicas. Assinam o PL as deputadas Áurea Carolina (PSOL/MG), Benedita da Silva (PT/RJ) e Talíria Petrone (PSOL/RJ) e os deputados Bira do Pindaré (PSB/MA), Damião Feliciano (PDT/PB), David Miranda (PSOL/RJ) e Orlando Silva (PCdoB/SP).

A iniciativa é uma ação coordenada dos mandatos, em diálogo com a Coalização Negra por Direitos. O PL inclui cursos sobre enfrentamento ao racismo institucional, direitos, deveres e garantias fundamentais, de acordo com o Artigo 5º da Constituição Federal, na formação de servidores da administração pública e agentes de segurança pública, segurança e vigilância particular.

O projeto também prevê o estabelecimento de diretrizes para a abordagem policial, bem como a inclusão de temas sobre a eliminação da discriminação de gênero, raça e credo nos planos nacionais, estaduais e municipais de Segurança Pública e Defesa Social. É proposta ainda a elaboração de um protocolo de enfrentamento ao racismo institucional em todas as esferas da administração pública para promoção do acesso igualitário e justo aos serviços oferecidos à cidadania.

Ato contra o racismo – Parlamentares e ativistas do movimento negro participam de Ato pelo Enfrentamento ao Racismo Institucional amanhã, às 13h, no Salão Verde. A proposta é dar visibilidade à iniciativa dos parlamentares negros e negras, inédita na Casa, para a construção colaborativa do projeto de lei. A atividade de insere no marco do mês da Consciência Negra.