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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Exposição Fotografica Além das Algemas no Complexo Cultural de Samambaia/DF (17/01)


Para Além das Algemas é uma exposição que revela parte das sensibilidades, afetos e angústias em imagens e poesias feitas por adolescentes e jovens que cumprem medida socioeducativa nas unidades de internação de Planaltina, Recanto das Emas, São Sebastião e Santa Maria.

É compreensão que vidas são poesias, ao mesmo tempo em que enfrentam as dores do racismo, da desigualdade e da violência - que insistem em colocar um ponto final em vidas e sonhos. É ampliar as vozes destas juventudes que gritam: a real é que somos reticências, continuaremos a cantar, a escrever, a sonhar.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Projeto Identidade Negra 2019 - Universidade de Brasília (UnB)


Esse projeto teve inicio no ano passado e em 2019 está de volta. Para quem não conhece, é um projeto de intervenção fotográfica urbana autoral idealizada e executada por mim, Marconi Cristino Silva, estudante do curso de Artes Cênicas da Universidade de Brasília e fotógrafo desde 2016, que tem como objetivo (literalmente) mostrar a cara dos estudantes negros e negras através de retratos dos mesmos.


A iniciativa surgiu a partir do desejo em mostrar a diversidade dos corpos negros presentes na universidade, bem como falar sobre presença, representatividade e afirmação negra em um espaço historicamente ocupado por sua maioria por estudantes brancos.


Entre 2018 e 2019, foram fotografados aproximadamente 300 estudantes que participaram do projeto de forma voluntária.

Inicialmente, os retratos, impressos em Preto e Branco em folha A4, seriam expostos em forma de “lambe-lambe”, ou simplesmente “Lambe”, que é uma vertente das artes visuais que consistem em fazer intervenções urbanas e não urbanas através colagens de imagens, desenhos, frases de efeito, poemas e coisas do tipo.


Devido a algumas dificuldades, as fotos (ainda) não foram expostas em forma de lambe nos espaços da Universidade, exceto na área externa do Centro de Convivência Negra (CCN), localizada no Campus Darcy Ribeiro, na própria UnB.

A iniciativa teve apoio da Diretoria da Diversidade (Div) e do Centro de Convivência Negra (CCN), que cederam o espaço físico de suas respectivas sedes para a exposições das fotos e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) apoiaram no custeio das impressões das fotos.







O Projeto pretende continuar no próximo ano, com novidades.

Agradeço a todos que apoiaram a iniciativa. Divulguem! Apóiem!
Segue abaixo o link com as fotos das duas edições do Projeto (Copiem e Colem no navegador).


@UnB - Universidade de Brasília

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

WORKSHOP – Fotografias de Família: Ancestralidade, Memória e História (21 e 22/10)



WORKSHOP – Fotografias de Família: Ancestralidade, Memória e História
Onde: Auditório da #BCE - #UnB
Quando: 21 e 22 de outubro de 2019, de 9h às 12h

Descrição: Neste workshop, o documentarista e professor Thomas Allen Harris apresenta um panorama de suas estratégias de diálogo interdisciplinar e práticas participativas voltadas à abordagem sobre trajetórias individuais e coletivas, com foco especial em fotografias de família. A atividade é aberta à comunidade acadêmica e a pessoas interessadas em reflexões sobre ancestralidade, memória e história. 
 
Para tanto, solicita-se às e aos participantes que levem para o workshop fotografias de suas famílias que incluam pessoas de diferentes gerações.

Convidado: Thomas Allen Harris é um premiado documentarista, fotógrafo, curador e escritor. Desde 1990, tem trabalhado com arquivos de várias origens, questionando hierarquias que orientam as narrativas históricas, por meio do uso de documentários e metodologias de pesquisa centradas na imagem e relatos de base oral. 
 
Em 2009, Harris e sua equipe lançaram o projeto transmídia de engajamento comunitário “Digital Diáspora Family Reunion Roadshow”, uma ação itinerante e virtual em que as pessoas são convidadas a explorar e compartilhar as narrativas ricas e reveladoras encontradas nos álbuns de fotos da família.
 
Atualmente, Thomas é professor do Departamento de Estudos Afro-Americanos e do Programa de Estudos de Filme e Mídia e desenvolve o programa de televisão “Family Pictures USA”, que analisa a formação de bairros e cidades dos Estados Unidos através das lentes de fotografias de família, performances colaborativas e testemunhos pessoais de suas comunidades.
 
Filmografia:
Through a Lens Darkly: Black Photographers And the Emergence of a People (2014)
Twelve Disciples of Nelson Mandela (2005)
É Minha Cara/That's My Face (2001)
VINTAGE - Families of Value (1995)

Mais informações sobre Thomas Allen Harris em:
https://filmstudies.yale.edu/people/thomas-allen-harris
http://1world1family.me/thomas-allen-harris/

Confirmação de participação:
Enviar e-mail para fotografiasdefamiliaunb@gmail.com, informando: Nome Completo, Data de Nascimento, Área de Formação Acadêmica (Se houver).

Realização: Programa de Pós-Graduação em História - UnB

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Jovem de Ceilândia ganha prêmio internacional de fotografia

Emanoel Porto Nobre descobriu a paixão pelos retratos no projeto social Jovem de Expressão e usou o talento para fazer um ensaio com as avós
 
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles

Morador de Ceilândia, Emanoell Porto Nobre, 22 anos, está prestes a levar sua cultura periférica e suas raízes nordestinas para o outro lado do oceano. Formado nas oficinas do programa social Jovem de Expressão, o retratista venceu um concurso internacional de fotografia com ensaio afetivo tendo sua avó, Dalva Porto Nobre, 58, e a bisavó, Josefa Carinana, 89, como modelos. O prêmio: 30 dias em Moscou, na Rússia, — com todas as despesas pagas—, para uma mostra criada especialmente para ele.

A paixão pela fotografia começou em 2014, quando conheceu a iniciativa da Rede Urbana de Ações Socioculturais, RUAS — projeto que atende jovens entre 18 e 29 anos de idade, com ações que vão de terapia comunitária a atividades profissionalizantes. Lá, ingressou em uma oficina de fotografia, o que, segundo ele, transformou sua vida. “Abriu a minha visão sobre as possibilidades que eu teria na minha frente. Eu sempre quis ser artista e eles me mostraram que eu poderia ser”, ressalta.

Com o talento para as imagens lapidado, tratou de encontrar o que lhe comovia. “Eu sempre gostei de fotografar pessoas, pois elas têm muito a oferecer. Um olhar, o detalhe das mãos… Tudo me emociona”, adianta. O interesse pelo universo feminino o acompanha desde a infância. Criado por três mulheres, a mãe, a avó e a bisavó, sempre viu nas antepassadas a força que não encontrava no sexo masculino.

“Durante a vida, elas precisaram enfrentar todo tipo de dificuldade. Sempre me inspiraram muito, a história delas daria um filme”, afirma Emanoell.

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A exposição de Emanoel na Rússia será inspirada nos cordéis nordestinos
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
 
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Emanoell Porto Nobre nasceu e se criou nas ruas de Ceilândia
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
 
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 O jovem aprendeu o ofício de fotografar no programa Jovem de Expressão
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
 
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Sua paixão é fotografar pessoas
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
 
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"Um simples olhar traz tantas coisas", acredita
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
 
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Para o fotógrafo, o Jovem de Expressão amplia as possibilidades de quem não tem oportunidade
Vinícius Santa Rosa/Metrópoles
 
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Emanoell Porto Nobre nasceu e se criou nas ruas de Ceilândia
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles

No entanto, o ensaio vencedor não surgiu de caso pensado. Em uma visita, tocado pelos cuidados da avó com a bisavó, que lutava contra a hanseníase em estágio avançado, resolveu eternizar o momento. “Era tudo tão triste, minha bisa estava cega, perdendo partes do corpo, mas ao mesmo tempo minha avó se mostrava tão altiva e forte”. Ao postar o clique nas redes sociais, passou a receber uma enxurrada de elogios. Motivado por uma amiga, resolveu que as “duas mulheres da sua vida” mereciam mais que apenas uma foto.


“O único critério e exigência para mim mesmo é que não queria que ela aparecesse debilitada, pois ela não era assim. Ela era dançante, brincalhona, não parava nunca. E assim que eu quis que ela fosse lembrada”, considera o jovem.

Para alcançar o resultado desejado, ele antecipou o Carnaval. Muniu-se de confete e balões coloridos e promoveu uma brincadeira. “Ela não sabia que eu a estava fotografando, o que deixou tudo mais natural. Como ela sempre foi sacana, começou a rir e nos xingar”, lembra. A sessão de fotos foi o último grande momento de Emanoell com a bisavó, que faleceu semanas após o dia de alegria. “Parece que eu estava sentindo, algo me empurrou para fazer isso. Foi nossa despedida”.

Emanoel Porto Nobre/DivulgaçãoEmanoel Porto Nobre/Divulgação

O jovem registrou os últimos dias da bisavó, que sofria com hanseníase. Com a tristeza e o luto pela perda, o fotógrafo engavetou por meses o trabalho. “Eu nem mostrei para ninguém da minha família”, conta. Depois de um tempo, resolveu revisitar a obra e lançá-la no mundo. “Eu nunca tinha me inscrito em nenhum concurso. Não acreditava muito em mim. Mas decidi arriscar sem nenhuma pretensão”, ressalta. Três meses depois, chegou o veredito, Emanoell tinha vencido pelo voto popular. “Eu nem divulguei, nem sabia que tinha de votar, fui totalmente pego de surpresa pelo resultado. A única coisa que fiz foi chorar nos braços da minha mãe”, garante.

A minha ideia era homenagear a minha bisavó em vida, não deu tempo. Hoje, eu recebo tudo isso como um presente. Penso que ela está me ajudando de onde quer que estejaEmanoell Porto Nobre

O novo desafio imposto a Emanoell é apresentar a cultura nordestina e o poder da mulher negra brasileira aos gringos. “Como a maioria das famílias aqui de Ceilândia, somos nordestinos. Quero contar essa trajetória da minha família, que é a mesma de tantas outras, durante a exposição”, conclui.
 
Vinícius Santa Rosa / MetrópolesVinícius Santa Rosa / MetrópolesEmanoell Porto Nobre, aluno de fotografia do programa Jovens de Expressão, de Ceilândia, acaba de ganhar um prêmio internacional de fotografia
 
Fonte: metropoles

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Fotógrafo do Recanto das Emas é selecionado para expor trabalhos em NY

Luiz Ferreira, de apenas 23 anos, foi um dos selecionados para expor no Patchogue Arts Gallery (foto: Divulgação/Guilherme Couto)


O estudante de artes visuais Luiz Ferreira está arrumando as malas para realizar a primeira exposição internacional, em Nova York. Com apenas 23 anos, Ferreira foi um dos convidados da Patchogue Arts Gallery, para apresentar o trabalho BRIGHT que estará exposto a partir de 8 de setembro na cidade norte-americana. Mas para que o morador do Recanto das Emas possa ir acompanhar a própria mostra, ele precisa de ajuda para custear as despesas de passagem e hospedagem.
 
Um dos trabalhos de Luiz Ferreira 
(foto: Luiz Ferreira/Divulgação)

Por isso, Ferreira criou uma “vaquinha” on-line para levantar o valor de R$ 5 mil. “A abertura é agora em setembro, mas eu vou só vou conseguir em outubro (no encerramento), caso consiga o dinheiro. Eu fiz a vaquinha on-line porque os meus amigos me pressionaram muito e eu estou tentando arrecadar, cada dia entra um pouquinho, eu to com esperança”, explica o fotógrafo. As doações podem ser feitas por esse link.

A ida à cidade norte-americana veio quase por acidente, como conta Ferreira: “Estava procurando alguma coisa sobre residência e me deparei com esse edital. Enviei meu currículo em junho e o resultado saiu agora em agosto. Fiquei feliz, é outra perspectiva pra mim, é um trampo que vai ressignificar nossa história pela arte, na prática, principalmente no caso da periferia, que tem dificuldade de ir tão longe”.
Exposição

Um dos objetivos de BRIGHT – que está indo a Nova York – é retratar a masculinidade negra fora dos padrões e tabus impostos pela sociedade contemporânea, como acredita o artista. “O corpo negro tem um estereótipo, principalmente o masculino, ele tem uma objetificação muito grande, e existe também as cobranças que a gente tem nesse processo de transformação. Então eu foquei mais nesse processo de raça e classe. Porque dentro da masculinidade tem essa divisão, o homem branco tem uma dominância muito forte, enquanto negro parece mais objetificado”, aponta Ferreira.
 
Um dos trabalhos de Luiz Ferreira 
(foto: Luiz Ferreira/Divulgação)

O fotógrafo ainda defende a iconografia do trabalho como uma forma de memória: “É sobre contar nossa própria história. Eu sempre tento levar a memória, expor a relação do tempo e espaço. Acho que dentro da comunidade negra foi perdida. Tudo que a gente sabe dentro da nossa história é contado por nossos avós, por uma contação de história informal. Sempre tento sempre consolidar essa história. No mundo contemporâneo a gente tem esse poder de escrever nossa história pela arte e não só seguir o que foi contado por colonizadores”.
 
Referências
 
Um dos trabalhos de Luiz Ferreira 
(foto: Luiz Ferreira/Divulgação)

O que mais chama a atenção ao ver o trabalho de Ferreira é o forte traço contemporâneamente urbano. Contrastes e traços duros moldam a composição das fotos e deixam claro que mesmo o artista sendo tão jovem, pratica importante controle sob as fotos. Não para menos, o morador do Recanto das Emas cita referências de peso para a própria carreira, como o alagoano Jonathas de Andrade (que tem apenas 35 anos), a paulista Rosana Paulino, o também ceilandense Antonio Obá e o nova-iorquino superstar Jean-Michel Basquiat.
A fotografia que será exposta em Nova York 
(foto: Luiz Ferreira/Divulgação)

Já sobre o panorama da cidade em relação a recepção artística, a opinião de Ferreira é assertiva: “Eu acho que aqui em Brasília existe um pré-mapeamento com os artistas. Eu acho que é mais difícil uma pessoa nova entrar nos meios de produção artística, sabe? Como se fossem mais fechadas. Claro que em algumas galerias são mais abertas, mas no fim das contas foi mais fácil ser aceita lá do que aqui”.

A carreira de Luiz Ferreira na fotografia é relativamente nova. “Eu comecei a fotografar há 4 anos, com um curso gratuito que teve lá na Ceilândia. Eu sempre me senti atraído pela fotografia e sempre me senti incomodado com a representação das pessoas negras na arte e ao mesmo tempo eu estava buscando minha identidade como um negro e durante esse processo eu passei a usar a narrativa da representação negra no meu trabalho, porque eu não via muito”, conta.