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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Ceilandense Marcelo Café usa a música para falar de empoderamento


 
Marcelo Café: "Temos de tomar posição, celebrar nossa negritude com o que é nosso de direito. A música brasileira é negra, a cultura é negra, o carnaval é negro, o samba é negro" (foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press )

Café também se utiliza do poder da música para defender o lugar de fala dos negros


“Falar sobre a beleza negra, o empoderamento, o assumir a negritude, tudo isso é fator de existência.” Com essas palavras, Marcelo Fernandes Rocha — conhecido como Marcelo Café — defende o poder de fala e a importância de se posicionar em uma sociedade racista. Destaque na cena artística brasiliense, o cantor e compositor de 46 anos passeia pelos estilos do samba e do samba-rock com forte militância. “Temos de tomar posição, celebrar nossa negritude com o que é nosso de direito. A música brasileira é negra, a cultura é negra, o carnaval é negro, o samba é negro.”

Marcelo nasceu em Niterói (RJ). Aos 10 anos, veio para Brasília com a família para acompanhar o pai, funcionário da Rádio Planalto. Ainda criança, teve contato com instrumentos musicais. “Comecei a tocar de 7 para 8 anos. Minha mãe deu meu primeiro violão, me ensinou os primeiros acordes”, lembra. Na infância e em parte da adolescência, tocava na igreja acompanhando a mãe, que era do coral. Já adulto, fez apresentações em barzinhos e, em 2007, assumiu o vocal da banda autoral Casa-Grande, que misturava bossa-nova e rock. “Esse foi um dos momentos mais importantes da minha carreira, para me aceitar como compositor.”


O morador de Ceilândia se consolidou na carreira e coleciona prêmios por suas composições, a exemplo de A Revolução é Preta, ganhadora do Festival Universitário de Música Candanga (Finca), em 2017. No ano seguinte, Marcelo foi finalista do festival de música da Rádio Nacional como melhor intérprete.

O artista conta que a letra da canção premiada veio por inteira após ler a frase “I have seen God and she’s black” (em português, “Vi Deus, e ela é negra”), usada pelo movimento Black Powers, nos Estados Unidos. “A Revolução é Preta foi composta em um momento mágico. Estava na Universidade de Brasília, andando do ICC Norte para o ICC Sul, quando tive a visão de uma mulher sob as nuvens e, ao redor dela, ogans negros tocavam tambores. E ela vinha trazendo o samba, a cura. É uma música muito forte, que fala de empoderamento, de amor”, relata.

E empoderamento tem de sobra nas canções de Marcelo Café. A primeira composição de cunho étnico e político foi Preto Empoderado. A letra, feita em parceria com Cristiane Sobral, fala sobre a beleza do negro, de se aceitar como é, com o cabelo black, a cor de pele. “Tem músicas minhas que eu toco hoje que existem há pelo menos 10 anos, mas a gente sempre fica na dúvida de colocar para jogo. Especialmente quando é uma música política como a minha. Eu demorei muito para começar a revelar”, expõe o artista, que pretende lançar um disco apenas com canções que enaltecem a negritude. No novo EP, programado para ser lançado no meio do ano que vem, haverá sete músicas autorais, entre elas, A Revolução é Preta, O Samba Cura e Monalisa é Negra.

A inspiração para essa reverência de fala por meio da música veio de um outro artista influente. “O Luiz Melodia foi importante para o meu reconhecimento como negro. Quando eu vi esse cara cantando Pérola Negra e a forma como ele se movimentava no palco, vestido todo de vermelho, eu pensei: ‘olha só esse cara, eu também posso fazer isso’”.

Preconceitos

Para Marcelo Café, dificilmente um negro não tenha passado por algum episódio de preconceito no Brasil. Um gesto, um olhar, uma fala, que, às vezes, nem se percebe. “Quando você desperta para isso, é fácil notar como a televisão te invisibiliza. Apesar de ser maioria na população, o negro é minoria em muitos lugares e nos espaços de poder. O Brasil não assume que é um país racista, não assume que existe essa segregação, que existe o racismo institucional que nos mata todos os dias, nos tira direito.”

Uma das frases destacadas pelo músico durante a entrevista ao Correio foi que “a gente não nasce negro no Brasil, a gente se torna negro”. De acordo com ele, todo o sistema colabora para isso. “Quando uma criança negra sai de casa para ir à escola, ela se depara com uma realidade em que a cor de pele dela não é aceita, o cabelo não é o bonito. E principalmente o ensino de história não favorece. E, nesse processo, você se torna realmente negro, começa a perceber como as pessoas te olham. Com isso, vem o empoderamento, o orgulho e o entender o que é ser negro no país.”

Projetos

Com 20 anos de carreira como músico, Marcelo Café também movimenta a cena artística da cidade com vários projetos independentes, principalmente em regiões da periferia. Um deles é o Tardezinha do Samba, que ocorre em Ceilândia e, em 28 de dezembro, terá sua segunda edição. Será na Casa do Cantador, das 12h às 23h. Onze artistas do DF vão se apresentar, e a entrada é gratuita.

Outra iniciativa é o Baile do Café, realizado sempre em maio, para comemorar o aniversário do cantor. O evento, aberto à população, mistura várias vertentes da cultura negra, como o soul, charme e o rap.

Sacerdote

No candomblé, ogan é o nome do sacerdote escolhido pela divindade ancestral orixá, que permanece lúcido durante todos os trabalhos. Não entra em transe, mas, ainda assim, recebe a intuição espiritual. Geralmente toca instrumentos de percussão.

Preto Empoderado
Preto de cabelo black não é homem de bem
Preta de cabelo black não tem a aparência que convém
Elas são negras, o manual da melanina
Então abaixa, alisa, corta e investiga
Não sabe que tem que clarear
Que ousadia
Pois espere o inesperado
É o preto empoderado
Eu tenho orgulho da minha cor, do meu cabelo e do meu nariz
Porque eu sou crioulo

Monalisa Negra
Eu fiz o samba só pra ela
Num domingo de manhã, que o céu acordou o dia
Lá na feira eu vi você soltar o pixaim
Renascença ébano, um Da Vince negro pixe
Um sorriso, um enigma
Me encantando e convidando
Me senti privilegiado quando ela me fitou
Uma tela feita óleo
Que oxalá me regalou
Monalisa negra dominando tudo
Na cor de tua pele, escrevi o meu futuro
 

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

5ª Feira Cultural de Ceilândia/DF - 30 nov e 01 dez Casa do Cantador



 
Em novembro e dezembro, a Casa do Cantador do Brasil receberá a 5ª Feira Cultural de Ceilândia. Seguindo a tradição da cidade, conhecida por suas várias feiras populares, o evento propõe um ambiente cultural permeado pela diversidade musical, cultura popular, poesia e barraquinhas com produtos artesanais e da gastronomia popular. Esta 5ª edição será realizada nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, sábado e domingo, compondo uma extensa programação com artistas locais como GOG, Teresa Lopes, Viela 17, Paraibola, Marcelo Café, André Freitas e Adriano, Lília Diniz, Mamulengo Fuzuê e muitos outros. A Feira reúne diversos artistas e gêneros artísticos, com o forró, o samba, o rap, o sertanejo, o teatro e a poesia, celebrando a diversidade cultural da cidade. As apresentações começam a partir de 16h, indo até o fim da noite de cada dia.

Mais sobre a Feira
Idealizada pela Artecei, a Feira Cultural de Ceilândia tem a proposta de se firmar como um evento anual e impulsionador da formação de público, criando um espaço de forte interação entre espectadores e artistas expoentes da periferia. Se destaca como uma grande feira que valoriza a economia criativa e a diversidade artística e cultural ceilandense e nacional, reunindo artistas e brincantes da música, poesia, repente, hip-hop, palhaçaria, teatro de bonecos e outras manifestações da cultura popular. Em cada dia de feira são diversas atrações para todas as idades e públicos.

Ceilândia e a Casa do Cantador
Ceilândia tem a maior população urbana do Distrito Federal. São quase 490 mil habitantes, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD), realizada em 2015. É também uma das Regiões Administrativas mais atuantes no campo cultural e uma das cidades que mais têm moradores nordestinos fora do Nordeste. Não à toa, é lá que está a Casa do Cantador do Brasil, único monumento de Oscar Niemeyer construído em uma cidade satélite fora do Plano Piloto. Na Casa do Cantador, poetas repentistas, cordelistas e violeiros do Nordeste e do Brasil se encontram, são acolhidos e fazem suas cantorias. Ceilândia é assim, um celeiro de várias expressões culturais, berço de grandes artistas.

SERVIÇO
Feira Cultural de Ceilândia - 5ª edição
Quando: 30 de novembro e 01 de dezembro, sábado e domingo
Horário: 16 às 00h
Onde: Casa do Cantador do Brasil - QNM 32 Área Especial, Ceilândia Sul
Entrada: Franca
Classificação: Livre

www.artecei.com.br

Programação:

>>30 de Novembro - Sábado<<
16h- André & Adriano
16h50 - Mamulengo Fuzuê
17h40 - Som de Classe
18h30 - Margô
19h20 - Marcelo Café
20h10 - Fuzuê Candango
21h - Teresa Lopes
21h50 - Caco de Cuia
22h40 - Viela 17

>>01 de Dezembro - Domingo<<

16h - André Freitas e Adriano
16h50 - Lília Diniz
17h40 - Mamulengo Fuzuê
18h30 - Du Amaral
19h20 - Gerson De Veras
20h10 - Taleta de Bambu
21h - Paraibola
21h50 - GOG

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Estudante de Ceilândia/DF é escolhida pelo programa Jovens Embaixadores 2020


Maria Eduarda da Silva Oliveira é estudante do Centro de Ensino Médio 02 de Ceilândia Norte

A Embaixada e os consulados dos Estados Unidos no Brasil divulgaram, nesta quarta-feira (30), os nomes dos 50 estudantes selecionados para participar do Programa Jovens Embaixadores 2020. O Distrito Federal terá três representantes (veja lista abaixo).

Um dos escolhidos é o estudante do CED 01 do Guará, Felipi Alisson de Sousa, 18 anos. O jovem teve a alegria de receber pessoalmente, em casa, a carta-convite para participar do programa. “Fiquei muito feliz. Já tinha tentado outras vezes, mas a perseverança valeu a pena”, relatou o rapaz.

Para alcançar a seleção, o jovem contou com o apoio do Centro Interescolar de Línguas do Guará, onde tem aulas de inglês e francês há três anos. Além disso, Felipi desenvolve trabalhos voluntários, que contaram para a escolha. “Sou co-fundador do Globalizando, que reúne professores voluntários para darem aulas de idiomas a estudantes de baixa renda”, conta o aluno.

A viagem dos Jovens Embaixadores para os EUA será de 10 a 29 de janeiro de 2020. Durante essas três semanas, eles passarão pela capital dos EUA, Washington, D.C., viajarão para quatro cidades, onde serão hospedados por família voluntárias.

Além disso, os jovens participarão de atividades como oficinas sobre liderança e empreendedorismo, projetos de impacto social, reuniões com representantes do governo dos EUA, frequentarão escolas da região e farão apresentações sobre o Brasil.

Apesar do nervosismo, Felipi está animado e considera que a experiência tem potencial transformador. “Acho que o programa é uma forma de democratizar oportunidades. Espero que traga mudanças positivas e abra portas, como ocorreu com outros participantes”, afirma.

Jovens Embaixadores

Criado em 2002, o programa tem como alvo alunos brasileiros que são exemplos em suas comunidades, em termos de liderança, atitude positiva, trabalho voluntário, excelência acadêmica e conhecimento da língua inglesa.

O programa é muito concorrido e recebe candidaturas de todo o Brasil. Os selecionados viajam em janeiro para um programa de três semanas nos Estados Unidos. Durante a primeira semana, conhecem a capital daquele país e seus principais monumentos, participam de reuniões com organizações do setor público e privado, visitam escolas e projetos sociais e participam de oficinas sobre liderança e empreendedorismo jovem.
 

Confira abaixo os representantes DF:
  • Felipi Alisson de Sousa: Centro Educacional 01 do Guará e CIL do Guará
  • Kássia Leandra Mendes de Oliveira: Centro Educacional 04 do Guará e CIL do Guará
  • Maria Eduarda da Silva Oliveira: Centro de Ensino Médio 02 de Ceilândia Norte
 

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Morador de Ceilândia, grafiteiro dá vida às paradas de ônibus de Taguatinga


A arte está tomando conta das paradas de ônibus de Taguatinga. Onde antes havia pichações e sujeira, desenhos brotam em forma de cultura e alegram quem espera pelo transporte coletivo.

A iniciativa é da Administração Regional de Taguatinga. Os desenhos coloridos saem das mãos do grafiteiro Fernando Cordeiro, popularmente conhecido como Elom, que também é servidor da administração.

Em alguns locais, ele desenvolveu projeto próprio; em outros, os temas foram sugestões da comunidade. As ideias vieram por meio da página QNL, QNJ News e os assuntos abordaram feminicídio, suicídio, maus tratos aos animais, violência e drogas, entre outros. A administradora da página é a fotógrafa Fernanda Rios, 40 anos.

“As paradas de ônibus estavam sujas. Com a pintura, as pessoas não colam cartazes, evitando a poluição visual”, observa Fernanda.

Além dos desenhos, mensagens também estampam as paredes. “Leve sua mulher à parada de ônibus” ou “Feminicídio: não seja a próxima vítima” são alguns exemplos do que é grafitado por lá.

Já foram revitalizados pontos de ônibus na M Norte, na QNG, na QNH, no Pistão Norte, na Nova QNL e na Avenida Hélio Prates. Uma média de 20 neste ano. A ideia é que outros 30 sejam reformados até o final do ano.

O material é doado pela comunidade. Uma média de 15 latas de spray é utilizada, além de uma de tinta acrílica, nos trabalhos em cada ponto. As pinturas levam, em média, de 6 a 8 horas para ficarem prontas.

Para o administrador regional de Taguatinga, Geraldo César de Araújo, o trabalho foi necessário porque as paradas de ônibus estavam sujas e cheias de cartazes. “A intenção é torná-las mais humanas e confortáveis. Também estamos revitalizando a parte superior das paradas, tirando entulhos e eliminando goteiras”, frisou Geraldo.

Repercussão positiva

Para Fernando Cordeiro, o reconhecimento é o maior prêmio pelos trabalhos. “Uma vez estava dentro do ônibus e vi uma pessoa comentando: ‘Pô, o cara arrebentou naquele grafite’. E era uma obra minha!”

“Sinto-me muito feliz porque estou dando minha contribuição para a cidade. Além disso, a repercussão é positiva”, acrescenta o grafiteiro.

Em algumas ocasiões Fernando ganha reforço para realizar os trabalhos. Já colaboraram os grafiteiros Scooby, Drop, Ataques, Aqez, Nativo e Paulo Órfão.


Os trabalhos normalmente são executados de madrugada. Mas, quando são realizados durante o dia, chamam a atenção de quem passa pelo local ou aguarda chegada de ônibus.

Um exemplo é a moradora Roselita Souza Brasileiro. “Quando cheguei e vi o trabalho, amei. Está muito bonito. Inclusive tirei fotos para mostrar para meus amigos nas redes sociais. É muito bom ver que o local está sendo cuidado. A cidade fica mais bonita e alegre”, comemora.

Fernando é grafiteiro há 20 anos. Morador da Ceilândia Norte, ele conta que a arte lhe ofereceu um caminho melhor, longe da criminalidade. “O grafite e o rap foram as oportunidades que tiver de conhecer mensagens positivas. Via DF Zulu, que era a inspiração do grafite no DF. Eu quis seguir os passos dele.”

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

3ª edição do PerifaTalks (25/10)



Se liga! A 3ª edição do PerifaTalks será apresentada pelo poeta do rapper nacional. Genival Oliveira Gonçalves - GOG. Pioneiro do rap no Distrito Federal e dono de clássicos nacionais, como as músicas O Amor Venceu a Guerra, Brasil com P, entre outras. Faça sua inscrição pelo formulário: https://forms.gle/xVaadf9xEGAUMNeK9
Link do Evento: https://www.facebook.com/events/2373285989448136/

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Jovem de Ceilândia ganha prêmio internacional de fotografia

Emanoel Porto Nobre descobriu a paixão pelos retratos no projeto social Jovem de Expressão e usou o talento para fazer um ensaio com as avós
 
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles

Morador de Ceilândia, Emanoell Porto Nobre, 22 anos, está prestes a levar sua cultura periférica e suas raízes nordestinas para o outro lado do oceano. Formado nas oficinas do programa social Jovem de Expressão, o retratista venceu um concurso internacional de fotografia com ensaio afetivo tendo sua avó, Dalva Porto Nobre, 58, e a bisavó, Josefa Carinana, 89, como modelos. O prêmio: 30 dias em Moscou, na Rússia, — com todas as despesas pagas—, para uma mostra criada especialmente para ele.

A paixão pela fotografia começou em 2014, quando conheceu a iniciativa da Rede Urbana de Ações Socioculturais, RUAS — projeto que atende jovens entre 18 e 29 anos de idade, com ações que vão de terapia comunitária a atividades profissionalizantes. Lá, ingressou em uma oficina de fotografia, o que, segundo ele, transformou sua vida. “Abriu a minha visão sobre as possibilidades que eu teria na minha frente. Eu sempre quis ser artista e eles me mostraram que eu poderia ser”, ressalta.

Com o talento para as imagens lapidado, tratou de encontrar o que lhe comovia. “Eu sempre gostei de fotografar pessoas, pois elas têm muito a oferecer. Um olhar, o detalhe das mãos… Tudo me emociona”, adianta. O interesse pelo universo feminino o acompanha desde a infância. Criado por três mulheres, a mãe, a avó e a bisavó, sempre viu nas antepassadas a força que não encontrava no sexo masculino.

“Durante a vida, elas precisaram enfrentar todo tipo de dificuldade. Sempre me inspiraram muito, a história delas daria um filme”, afirma Emanoell.

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A exposição de Emanoel na Rússia será inspirada nos cordéis nordestinos
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
 
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Emanoell Porto Nobre nasceu e se criou nas ruas de Ceilândia
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
 
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 O jovem aprendeu o ofício de fotografar no programa Jovem de Expressão
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
 
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Sua paixão é fotografar pessoas
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
 
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"Um simples olhar traz tantas coisas", acredita
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles
 
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Para o fotógrafo, o Jovem de Expressão amplia as possibilidades de quem não tem oportunidade
Vinícius Santa Rosa/Metrópoles
 
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Emanoell Porto Nobre nasceu e se criou nas ruas de Ceilândia
Vinícius Santa Rosa / Metrópoles

No entanto, o ensaio vencedor não surgiu de caso pensado. Em uma visita, tocado pelos cuidados da avó com a bisavó, que lutava contra a hanseníase em estágio avançado, resolveu eternizar o momento. “Era tudo tão triste, minha bisa estava cega, perdendo partes do corpo, mas ao mesmo tempo minha avó se mostrava tão altiva e forte”. Ao postar o clique nas redes sociais, passou a receber uma enxurrada de elogios. Motivado por uma amiga, resolveu que as “duas mulheres da sua vida” mereciam mais que apenas uma foto.


“O único critério e exigência para mim mesmo é que não queria que ela aparecesse debilitada, pois ela não era assim. Ela era dançante, brincalhona, não parava nunca. E assim que eu quis que ela fosse lembrada”, considera o jovem.

Para alcançar o resultado desejado, ele antecipou o Carnaval. Muniu-se de confete e balões coloridos e promoveu uma brincadeira. “Ela não sabia que eu a estava fotografando, o que deixou tudo mais natural. Como ela sempre foi sacana, começou a rir e nos xingar”, lembra. A sessão de fotos foi o último grande momento de Emanoell com a bisavó, que faleceu semanas após o dia de alegria. “Parece que eu estava sentindo, algo me empurrou para fazer isso. Foi nossa despedida”.

Emanoel Porto Nobre/DivulgaçãoEmanoel Porto Nobre/Divulgação

O jovem registrou os últimos dias da bisavó, que sofria com hanseníase. Com a tristeza e o luto pela perda, o fotógrafo engavetou por meses o trabalho. “Eu nem mostrei para ninguém da minha família”, conta. Depois de um tempo, resolveu revisitar a obra e lançá-la no mundo. “Eu nunca tinha me inscrito em nenhum concurso. Não acreditava muito em mim. Mas decidi arriscar sem nenhuma pretensão”, ressalta. Três meses depois, chegou o veredito, Emanoell tinha vencido pelo voto popular. “Eu nem divulguei, nem sabia que tinha de votar, fui totalmente pego de surpresa pelo resultado. A única coisa que fiz foi chorar nos braços da minha mãe”, garante.

A minha ideia era homenagear a minha bisavó em vida, não deu tempo. Hoje, eu recebo tudo isso como um presente. Penso que ela está me ajudando de onde quer que estejaEmanoell Porto Nobre

O novo desafio imposto a Emanoell é apresentar a cultura nordestina e o poder da mulher negra brasileira aos gringos. “Como a maioria das famílias aqui de Ceilândia, somos nordestinos. Quero contar essa trajetória da minha família, que é a mesma de tantas outras, durante a exposição”, conclui.
 
Vinícius Santa Rosa / MetrópolesVinícius Santa Rosa / MetrópolesEmanoell Porto Nobre, aluno de fotografia do programa Jovens de Expressão, de Ceilândia, acaba de ganhar um prêmio internacional de fotografia
 
Fonte: metropoles

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Grandes nomes do RAP se apresentam em festival gratuito na Ceilândia

O projeto tem o apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, e traz um festival de rap e hip hop com artistas locais e nacionais, como: MV BILL, Viela 17, Menestrel e mais


Ceilândia terá o festival Elemento5, de rap e hip hop, no dia 28 de setembro, na Praça da Bíblia. Entre as atrações, o projeto “Viela 17 Convida”, que conta com o rapper Japão e o grupo Viela 17, trazendo MV BILL, Menestrel, Dj raffa e Heitor Valente. O festival será gratuito e mostrará novos nomes da cena rap/hip hop de Brasília.

O Elemento5, projeto da associação Vila dos Sonhos, nasceu em 2012, na Ceilândia, em Brasília – DF. Desde então atua em escolas e nas periferias brasilienses com oficinas, palestras, torneios e festivais. E com este propósito leva arte, educação e cultura aos jovens, ao tecer a ideia de que todos podem aprender e se profissionalizar dentro da cultura hip-hop.

O Hip Hop é um fomentador de vidas, que engaja e empodera através da arte. O Elemento5 realizou oficinas de DJ, percussão, discotecagem e violão em escolas de Ceilândia e na sede da associação Vila dos Sonhos, também em Ceilândia e ainda o seminário Ceilândia Nacional de Literatura Periférica, um “salve”, a literatura produzida nas periferias. Para fechar o ciclo do projeto em 2019, a Vila dos Sonhos realiza o Sarau Elemento5.

O projeto tem o apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, e traz um festival de rap e hip hop com artistas locais e nacionais, como: MV BILL, Viela 17, Menestrel, Dj Raffa, Heitor Valente, PR 15, Sobreviventes de Rua, Dudu Mano, Plenamente, Falange F4E e o grupo de dança ceilandense Pegada Black. O evento terá estrutura de alimentação e brinquedos infláveis para as crianças.

Serviço:
Data: 28/09/19 10h às 02h.
Teatro: Praça da Bíblia – Terminal Desativado – P Norte, Ceilândia, Brasília.
Entrada Franca

quarta-feira, 31 de julho de 2019

SAMBA NA COMUNIDADE CEILÂNDIA-DF, DIAS DE FELICIDADE 7 0


O Projeto Samba na Comunidade reúne sambistas de forma livre e espontânea, com intuito de disseminar a cultura do Samba de Raiz, principalmente nas localidades do DF e Entorno, onde esse ritmo musical ainda é pouco conhecido e pouco divulgado, pretendendo também privilegiar as comunidades com limitações de acesso a bens culturais gratuitos e de qualidade. 
 
Com mais de 4 anos de existência a primeira roda de Samba aconteceu em junho de 2014 e não parou mais, a primeira formação de Sambistas que encabeçaram o projeto foi, Mirinho do Banjo, Michael Santos, Negro Vatto, João Henrique e Jonas. Que logo após ao inicio do projeto ganhou forças de vários músicos da cidade, artistas de renomes e anônimos do público fazem o coro que ecoam na roda de samba. 
 
A Cidade Ceilândia-DF foi escolhida como uma das casas do projeto, por ser conhecida como um dos celeiros culturais no DF, com larga produção artística nas áreas cinematográficas, fotografias, musicais, especialmente com temáticas ligadas aos movimentos Hip Hop, contendo também forte preservação das tradições como: Quadrilhas juninas, cordeis e repentes. nesse contexto, o Samba na Comunidade pede passagem para apresentar o Samba - cultura secular e um dos estilos mais ouvidos no país e no mundo, dando ênfase, especialmente ao Samba de Raiz. Assista:
 
 
O projeto acontece na Praça da Bíblia, no Setor P Norte, CIDADE CEILÂNDIA-DF, todos os terceiros ( 3º ) sábados de cada mês. 
 
O QUE É? 
Samba na Comunidade 
 
QUANDO? 
3º Sábado de cada mês 
 
ONDE?
QNP 19 PRAÇA DA BÍBLIA 
 
HORÁRIO ? 
De 16H às 23H 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
LIVRE 
 
ACESSO : 
GRATUITO 
 
O SAMBA NA COMUNIDADE Agradece a todos que contribuem direto e indiretamente aja visto que é um projeto que se mantem com recursos próprios, sem ajuda governamental, sem ajuda de empresários e comerciantes, o samba é mantido por músicos e pessoas da própria comunidade que não deixam que essa cultura passe por despercebida.