Páginas

Mostrando postagens com marcador #PresençaNegra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #PresençaNegra. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Negros, os credores que incomodam

Negros, os credores que incomodam / Imagem: Reprodução - YouTube - Divulgação
 
A presença negra que cresce e fica mais visível gera medo e se torna alvo da violência 
 
por Cida Bento,
Nesta semana em que se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos, a forte mobilização social da sociedade civil na luta pela manutenção e pela ampliação de seus direitos e conquistas vem acompanhada do medo e de respostas institucionais de extrema violência.

Um exemplo é, de um lado, o Mês da Consciência Negra, marcado por vibrante profusão de iniciativas por todo o país, em áreas tais como a literatura, com debates e lançamento de livros e revistas, a dramaturgia, com belíssimas peças fazendo releituras do Brasil, a dança e os cantos, na comunicação digital com coletivos jovens e periféricos trazendo novos conteúdos e formas e na intensificação do debate sobre feminismos negros.

Debates e iniciativas focaram o SUS enquanto estrutura fundamental para a qualidade de vida da população pobre e negra, bem como a permanência deles nas universidades e a entrada qualificada no trabalho.

Igualmente o empreendedorismo como resposta criativa, e não só precarizada, à exclusão no trabalho. Instituições pressionadas pelo movimento negro vêm fazendo diagnósticos e buscando formas de serem mais equânimes.

Em todos os cantos do país, os ventos de novas perspectivas sociais, econômicas e políticas são assuntos inevitáveis.

De outro lado, chega também a indignação e o horror ante a violência extrema que se intensifica e que explodiu no massacre em Paraisópolis: um ataque frontal aos direitos humanos da juventude.

A presença negra que cresce e fica mais visível gera medo e se torna alvo da violência. Esse é um tema central da “Coalizão Negra por Direitos”, coletivo que reúne dezenas de organizações negras e que protagoniza nacional e internacionalmente iniciativas visando mudar essa realidade.

“Onda Negra, Medo Branco”

Tentando resolver o problema de “um ameaçador país, majoritariamente negro”, a elite branca brasileira, do fim do século retrasado, se perguntava: “O que fazer com o negro?”.

Célia Marinho de Azevedo destaca essa situação em seu livro “Onda Negra, Medo Branco”: “Toda uma série de brancos ou esfolados bem-nascidos e bem-pensantes que, durante todo o século 19, realmente temeram acabar sendo tragados pelos negros malnascidos e mal pensantes...”.

No livro “O Espetáculo das Raças”, Lilia Moritz Schwarcz ressalta o Censo de 1872, no qual negros eram 55% dos brasileiros, o que era um problema para cientistas da época. Eles tinham de contar a história de um Brasil majoritariamente negro e mestiço, nascido e prosperado sob o sistema de escravidão negra, e, ao mesmo tempo, manter-se próximo aos modelos europeus de civilização que consideravam negros não civilizados e não civilizáveis.

No documento “Estrutura Social para o Brasil Moderno e Democrático no Século 21”, da Escola Superior de Guerra, Dennis de Oliveira aponta a preocupação com o fato de que, em algumas décadas, o Brasil seria majoritariamente negro, a exclusão social e a miséria aumentariam, criando conflitos e arriscando a estabilização social, e que “Executivo, Legislativo e Judiciário poderão pedir o concurso das Forças Armadas para neutralizar essa orla de bandidos, matá-los e destruí-los”.

Esse medo da maioria negra que sempre aparece na história do Brasil e gera violência pode vir da consciência que muitos brasileiros têm de que, dos pouco mais de 500 anos de história, quase 400 foram de escravidão negra. Nesse tempo, trabalho “era coisa de preto”, e as riquezas geradas nesse período não ficaram com a população negra.

Assim é que negras e negros são os credores que incomodam.

Fonte: ceert

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra no DF (Vídeo)


::Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História::

Museu Nacional recebe exposição que reconta a presença negra no DF

A exposição histórico-fotográfica Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História do Distrito Federal foi construída coletivamente por estudantes da Universidade de Brasília (UnB), pesquisadoras/es e diferentes profissionais negras/os das áreas de História, Letras, Arquitetura e Urbanismo e Comunicação. É resultado de pesquisa desenvolvida sobretudo no acervo do Arquivo Público do DF.

Ressaltar a importância das pessoas negras como sujeitos históricos que têm deixado suas marcas no Distrito Federal. Esse é o objetivo da exposição histórico-fotográfica Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História do Distrito Federal, que estará no Museu Nacional da República, de 12 a 29 de setembro de 2019. O material foi construído coletivamente por estudantes e pesquisadores da Universidade de Brasília e profissionais de diferente áreas, mobilizados pela professora Ana Flávia Magalhães Pinto, do Departamento de História. A maioria das imagens que a compõem foi selecionada por meio de análise profunda de fontes no acervo do Arquivo Público do DF. A entrada é gratuita.

Desenvolvida a partir de projetos de iniciação científica e extensão da universidade, a exposição encara o desafio de articular os conhecimentos acadêmicos nos campos da História, Comunicação, Arquitetura e Urbanismo aos saberes do ativismo social para a eliminação do racismo. Os registros fotográficos selecionados para a exposição datam de 1956 a 1998 e chamam atenção para o lugar da população negra como maioria dos habitantes do DF.

De acordo com Ana Flávia, a ação parte da perspectiva da História Pública, pensada a partir da multiplicidade dos sujeitos envolvidos e legitimados a contribuir para a construção das narrativas históricas. “Trabalhamos com a chave dos estudos históricos da liberdade e do pós-abolição, sobretudo no que toca o interesse pela reflexão sobre as trajetórias individuais e coletivas da gente negra e o enfrentamento ao racismo. A população do DF é formada por 57% negros/as é preciso refletir sobre a variedade e a complexidade dessas experiências ao longo do tempo”, explicou historiadora.

Reintegração de posse – A exposição histórico-fotográfica busca revelar a presença de pessoas negras em Brasília para além da figura do “candango”, personagem usual dos canteiros de obra e das narrativas sobre a capital. Para isso, apresenta esses e outros brasilienses em espaços sociais diversos, dando vida, cor e movimento à cidade. “Nossa proposta é falar da história negra no DF e lidar com os diversos aspectos da própria sociabilidade deste território”, revelou a historiadora.

Ambientes interativos estimulam os visitantes a encontrar o caminho percorrido por seus familiares até Brasília e suas idas e vindas pelas 31 regiões administrativas do DF. O público é convidado a dialogar e colaborar com o que está nas imagens, registros escritos e relatos de pessoas em diferentes contextos. “Trata-se de um convite ao diálogo com as histórias que elas próprias trazem ao sair de suas casas”, concluiu Pinto. 

História Pública - De acordo com Guilherme Lemos, historiador que compõe a equipe, serão realizadas oficinas e tour virtual pelos espaços de memória das histórias negras no DF e visita guiada por monitores à exposição que está no Museu Nacional, como parte da Semana de Extensão Universitária da UnB. “Apresentaremos à comunidade como o documentos foram selecionados para a mostra, quais as técnicas utilizadas e como articulamos isso com os conhecimentos históricos intersubjetivos da cidade através das entrevistas com pessoas negras que vivem em Brasília desde a construção”, indicou Lemos.

As atividades acontecerão em 26/09, das 19h às 21h no auditório Joaquim Nabuco, na UnB, e 27/9, das 14h às16h30, no Museu Nacional. As oficinas são aberta para toda a comunidade. As inscrições estão abertas em: http://www.dex.unb.br/a-semana-universitaria-2019. 



Serviço - Reintegração de Posse: Narrativas da Presença Negra na História do Distrito Federal
Local: Museu Nacional da República, Conjunto Cultural da República
Data: de 12 a 29 de setembro de 2019 (Entrada gratuita).

Informações para a imprensa
Mara Karina Silva - (61) 9 9296.9522 (Whatsapp)
marakarinasilva@gmail.com