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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

VOCÊ ACREDITOU SER UM NEGRO DE ALMA BRANCA, NÓS ACREDITAMOS QUE SEJA APENAS UM TRAIDOR QUE PREFERIU O LADO DO OPRESSOR


por ©Ògan Luiz Alves/Projeto Oníbodê
Hoje meu coração sangrou, pois tive de travar uma luta contra um irmão negro. Assim como eu outras pessoas estavam ali dizendo a um irmão negro que ele estava no lugar errado, e olhe que a Fundação Cultural Palmares é um espaço negro e para o povo negro! 
 
Então porque ali não é o lugar desse irmão negro? 
 
Porque nós o vemos enquanto irmão, mas ele não nos vê enquanto irmãos e referenda e aplaude tudo aquilo que nos oprime, nos ataca, nos fere. Estávamos ali gritando contra um irmão que simplesmente escolhera o lado do opressor que age contra o seu povo. 
 
Por outro lado dói na alma constatarmos que em nosso meio há também quem não preste, quem nos vire as costas, que age como um traidor preferindo afagar o opressor em vez de tentar curar as feridas que ele causa. 
 
A alma sangrou, mas ao mesmo tempo nos fez entender que quem escolhe o lado errado vai arcar com as consequências de sua escolha. Sérgio Nascimento a partir de hoje você é uma pessoa isolada do mundo, pois nós da comunidade negra não o queremos em nosso meio, pois quem trai uma vez, trairá novamente. 
 
Com certeza os que te usaram também não o quererão mais em seu meio, pois você perdeu a serventia é produto vencido em uma prateleira de uma loja de R$1,99. Teu pai onde estiver deve estar com uma enorme vergonha da atitude oportunista e traíra de seu filho. Por falar em seu pai sua atitude mostra que até a árvore mais linda e frondosa sempre terá um fruto podre. 
 
Não lhe desejo boa sorte, isso só desejo aos que me consideram e que eu também os considero. 
 
Siga sua jornada, uma vergonha que jamais será apagada da história e todos nós do movimento negro faremos questão que jamais caia no esquecimento. 
 
VOCÊ ACREDITOU SER UM NEGRO DE ALMA BRANCA, NÓS ACREDITAMOS QUE SEJA APENAS UM TRAIDOR QUE PREFERIU O LADO DO OPRESSOR. 
 
©Ògan Luiz Alves/Projeto Oníbodê

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Justiça barra nomeação do presidente da Fundação Palmares

 
Juiz entende que há excessos nas declarações de Sérgio de Camargo, que nega o racismo e ataca nomes como Angela Davis 
 
A Justiça suspendeu a nomeação do presidente da Fundação Palmares, o jornalista Sérgio Nascimento de Camargo. O juiz Emanuel José Matias Guerra, da 18ª Vara Federal do Ceará, acatou ação popular contra a decisão do governo de Jair Bolsonaro de nomeá-lo ao cargo e suspendeu a nomeação feita pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

A decisão do juiz entende que há “excessos” nas declarações feitas pelo futuro presidente e apresentadas pelo advogado e autor da ação popular, Helio de Sousa Costa. “Não serão aqui repetidos alguns dos termos expostos nas declarações em frontal ataque às minorias cuja defesa, diga-se, é razão de existir da Instituição que por ele é presidida”, registrou o juiz.

A Fundação Palmares tem como missão reforçar a cidadania, a identidade e a memória dos segmentos étnicos dos grupos formadores da sociedade brasileira, além de fomentar o direito de acesso à cultura e à indispensável ação do Estado na preservação das manifestações afro-brasileiras.

O nome de Camargo para a presidência da fundação enfrentava forte reação, sobretudo pelo seu conhecido posicionamento político e defesa de pautas polêmicas.

Militante de direita, Camargo se define “contrário ao vitimismo e ao politicamente correto”. Em suas redes sociais, ele nega a existência de racismo, motivo pelo qual condena datas como a da Consciência Negra. Também direcionou inúmeros ataques em suas publicações a figuras como a ex-vereadora Marielle Franco, Lázaro Ramos e até à filósofa Ângela Davis, referindo-se a ela como “comunista e mocreia assustadora”.
 
Fonte: cartacapital

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Manifestantes "ocupam" prédio da Fundação Cultural Palmares, em Brasília, em protesto contra novo presidente

Resultado de imagem para Manifestantes invadem prédio da Fundação Palmares, em Brasília, em protesto contra novo presidente
 
Representantes de movimentos negros invadiram o prédio da Fundação Cultural Palmares na manhã desta sexta-feira (29), em Brasília. O grupo protesta contra a posse do novo presidente do órgão de promoção da cultura afro-brasileira – o jornalista Sérgio Nascimento de Camargo, que substituiu Vanderlei Lourenço.

O ato começou por volta das 10h30. Às 11h, o grupo com cerca de 30 pessoas entrou na sede da instituição e ocupou o sétimo andar do prédio, onde fica o gabinete do gestor (veja vídeo abaixo). Quatro seguranças tentaram impedir o acesso, mas os manifestantes ultrapassaram o bloqueio.

Manifestantes invadem prédio da Fundação Cultural Palmares, em Brasília

Servidores que preferiram não se identificar afirmaram ao G1 que Camargo estava no prédio no momento do protesto. Enquanto os manifestantes estiveram no gabinete, tentavam falar com o novo presidente.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Palmares para confirmar a informação, mas não recebeu posicionamento até a última atualização desta reportagem.

Manifestantes ocupam gabinete da Fundação Palmaresem protesto contra novo gestor

Por volta das 11h40, o grupo começou a deixar o prédio. Em seguida, eles se dispersaram.

O protesto, segundo os organizadores, é em referência a uma série de publicações, nas redes sociais, em que o novo presidente da Fundação Palmares relativiza temas como a escravidão e o racismo no Brasil (entenda abaixo).

"Como é que nós vamos aceitar, enquanto movimento social negro, que o presidente de um órgão que tem como obrigação estar certificando os mais de 5 mil quilombos que nós temos hoje no Brasil, negue a história da escravidão?", questionou a presidente da Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil, Waldicéia de Moraes Teixeira.

O grupo de representantes do movimento afirmou que o objetivo de entrar no prédio era o de conversar com Camargo.

"Viemos para dialogar com ele. No sentido de protestarmos contra o fato dele depreciar a luta do movimento social negro."

A Fundação Palmares integra a estrutura da Secretaria Especial da Cultura, o antigo Ministério da Cultura.

Pedido de anulação da nomeação

Na manhã desta sexta-feira, o grupo protocolou no Ministério Público Federal (MPF) um pedido de anulação da nomeação de Camargo. O documento recebeu 62 assinaturas, entre militantes de diferentes entidades e políticos de partidos de oposição.

A representação foi redigida por Marivaldo Pereira, advogado e militante do movimento Mova-se. Ao G1, ele afirma que a nomeação de Camargo é ilegal.

"O posicionamento dele é incompatível. Por lei, o Estado tem que enfrentar o racismo e implementar políticas de promoção da igualdade racial. Quando você pratica um ato para acabar com uma fundação que tem essa finalidade, você está agindo contra a lei. Fere a lei de improbidade administrativa".

O movimento destaca ainda que o Ministério Público Federal se manifestou contrário a outras nomeações do governo por incompatibilidade.

"Essa nomeação é para acabar com a Fundação Palmares. Essa é uma estratégia que o governo Bolsonaro vem utilizando para destruir outros órgãos, como fez na Comissão de Anistia, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e o MPF já ser manifestou pedindo que ele revogasse as nomeações".

Em uma publicação feita nas redes sociais antes de ser nomeado para o cargo, Sérgio Nascimento de Camargo classificou o racismo no Brasil como "nutella". "Racismo real existe nos Estados Unidos. A negrada daqui reclama porque é imbecil e desinformada pela esquerda", afirmou.

Sobre o Dia da Consciência Negra, Sérgio Camargo escreveu que o "feriado precisa ser abolido nacionalmente por decreto presidencial".
 
Ele disse que a data "causa incalculáveis perdas à economia do país, em nome de um falso herói dos negros (Zumbi dos Palmares, que escravizava negros) e de uma agenda política que alimenta o revanchismo histórico e doutrina o negro no vitimismo".

No dia 3 de novembro, Sérgio publicou uma mensagem numa rede social na qual disse que "sente vergonha e asco da negrada militante. Às vezes, pena. Se acham revolucionários, mas não passam de escravos da esquerda", escreveu.
 
Fonte: G1 DF, Metropoles.