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terça-feira, 17 de setembro de 2019

“O Silêncio dos Homens”: documentário discute masculinidade tóxica

A obra provoca reflexão sobre o modelo de masculino que se impõe sobre meninos e homens e como isso acaba por silenciá-los 
 
A iniciativa Papo de Homem, plataforma que produz conteúdo crítico sobre masculinidade, lançou o documentário “O Silêncio dos Homens”. A obra tem o objetivo de provocar reflexão sobre o modelo de masculino que se impõe sobre meninos e homens e como isso acaba por silenciá-los ao longo da vida.

“Silêncio aqui tem sentido amplo. É emocional, verbal, social, tanto individual como coletivo. Estamos falando de uma rigidez psicológica, que se torna um vulcão quando associada aos “mandamentos da masculinidade”: ser bem-sucedido profissionalmente, não agir de modos que pareçam femininos, não levar desaforo pra casa, dar em cima das mulheres sempre que possível, não expressar emoções, dentre outros”, escreveu um dos idealizadores do projeto, Guilherme Nascimento Valadares.

O filme é fruto de uma pesquisa que envolveu mais de 40 mil pessoas e dá continuidade a pesquisas feitas pela Papo de Homem. “Em 2016 lançamos o nosso primeiro documentário com pesquisa, que escutou mais de 20.000 pessoas. Ele nos mostrou que 7 em cada 10 homens não falam sobre seus maiores medos e dúvidas com os amigos. Já notávamos o mesmo fenômeno em nossas rodas de conversa há mais de 10 anos. E, à medida em que nos aprofundamos no estudo sobre masculinidades, observamos como esse silêncio está na raiz de vários outros problemas: violência doméstica, ausência de mulheres em posições de poder na política e economia, assédio, altíssimas taxas de suicídio, homicídio, mortes no trabalho e encarceramento entre os próprios homens… a lista é longa”, explica Valadares.

O documentário “O Silêncio dos Homens” está disponível gratuitamente no Youtube.



Fonte: cartacapital

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Roda de conversa de Homens Negros - Tem: Afrofuturismo (31/07)


Nós, Homens Negros, estamos desmontando a forma imposta pelo regime colonial - patriarcal - de estar no mundo através de encontros entre nós. Este é um dos objetivos da roda de conversa de Homens Negros de Brasília.

Recorremos aos que vieram antes de nós e a toda produção que diz o que é ser um homem negro na diáspora. Recorremos as nossas histórias, ao corpo que fala na entrada de um shopping e aos ensinamentos de nossas mães. Precisamos entender a formatação de uma sociedade anti-negra que normatiza corpos aprisionados, mortos e animalizados e com isso entendermos o que NÃO É SER UM HOMEM NEGRO. Precisamos reconfigurar palavras como Djonga fez com a palavra "Ladrão". Precisamos reconfigurar o amor como fez Mano Brown quando lançou Boogie Naipe.

No processo de construção e reavaliação de práticas hegemônicas acabamos fazendo um movimento de ir e vir, pensar e repensar em nossa condição e nas condições impostas ao nosso povo: o alto índice de corpos negros mortos, o extermínio direcionado a juventude negra e o genocídio do povo preto. A saída da escola para ajudar em casa pelas crianças e adolescentes negros. O sub-emprego e as atualizações do sistema político. Tudo, absolutamente tudo fala conosco e nos da direcionamentos na construção de um futuro melhor.

O conceito de Sankofa nos ensina a olhar pra trás e construir um futuro caminhando pra frente. Refazer as lógicas anterior ao tráfico do trans Atlântico é vida pra cada um de nós.

Em nossa última roda falamos sobre ancestralidade e nessa tomamos o desafio de conversar sobre AFROFUTURISMO . Projetar sonhos embasados na nossa história, pensar em tecnologias que nos religue para além do conceito de religião. Continuar...

Na tentativa de pistas endurecidas transcrevemos literalmente o escritor Fábio Kabral que nos auxiliará neste pensar.

"Para o afrofuturista, é importantíssimo resgatar esse vínculo com a sabedoria ancestral das nossas anciãs e anciãos da aldeia."
E ainda:
"(...)o desejo de ter como referência seus ancestrais africanos, o estudo das concepções filosóficas e culturais elaboradas pelos nossos, e não pelo outro, todo esse movimento em transformar o presente, recriar o passado e projetar um novo futuro através da nossa própria ótica é, para mim, a própria definição de Afrofuturismo." (Kabral, 2016)

Serviço: Roda de Conversa de Homens Negros
Data: 31 de Julho de 2019
Horário: 19:30
Local: Simbaz - Culinária Afro e Bar
412 sul - Bloco D, loja 15


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Fontes e referências:

"[Afrofuturismo] O futuro é negro - o passado e o presente também" de Fábio Cabral, retirado do link: https://medium.com/@ka_bral/afrofuturismo-o-futuro-é-negro-o-passado-e-o-presente-também-8f0594d325d8

Álbum "Mothership connection" - 1975- De Parliament

"O corpo como filosofia - Sentir, pensar e agir em Maat" , retirado do site Rekhet (https://rekhetyoga.wixsite.com/rekhet )

"Afrofuturismo: fantasia, tecnologia e ancestralidade" retirado de Revista Cult (https://revistacult.uol.com.br/home/afrofuturismo-tecnologia-ancestralidade/#.XTeEjAZK5Zo.whatsapp)

"A escrita em primeira pessoa de Octavia Butler" retirado de Revista Cult ( https://revistacult.uol.com.br/home/octavia-butler-kindred-lacos-de-sangue/#.XTeFFCE7vvE.whatsapp )

terça-feira, 16 de julho de 2019

O professor que ajuda a desconstruir masculinidades


Caio César tem 24 anos, é morador de Mesquita e professor de geografia. Ele pesquisa e escreve sobre masculinidades desde 2016. Começou a se interessar pelo assunto depois de ler “Peles negras, máscaras brancas”, do filósofo e psiquiatra Frantz Fanon.

Da ONUBR,
Esta leitura o fez refletir sobre temas como a solidão da mulher negra e as preferências afetivas dos homens negros. Caio percebeu a importância de debater as masculinidades negras. Assista:



No final de 2017, integrou o projeto MEMOH – referência à palavra ‘homem’ de trás para frente –, que organiza oficinas e rodas de conversa entre homens para discutir o assunto.

“A gente está pensando em construir homens que sejam mais saudáveis. A gente tem uma masculinidade que é montada e impossível de ser exercida sobre vários aspectos, e isso causa nos homens uma série de questões muito ruins do ponto de vista pessoal, mas também da forma com que ele lida com outras pessoas”, pontua Caio.

O jovem ganhou notoriedade ao escrever textos, debater nas redes sociais e produzir vídeos e podcasts sobre o assunto.

Neste ano, foi convidado pela ONU para o Fórum Internacional de Igualdade de Gênero, que aconteceu na Tunísia em abril.

“Pra mim foi um desafio enorme. Eu nunca tinha saído do Brasil… Não sei falar inglês, não sei falar francês. Fiquei um mês estudando espanhol pra poder fazer o meu discurso”, diz Caio.

Lançado em maio de 2019, o livro “Diálogos contemporâneos sobre homens negros e masculinidades” é o primeiro sobre o tema no Brasil com apenas autores homens negros. Caio assina um dos artigos da publicação.

“Até hoje, é o trabalho mais importante da minha vida. E é um debate que precisa ter espaço, porque falar sobre masculinidades brancas e masculinidades negras são coisas totalmente diferentes”, aponta.
Fonte: ONUBR