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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

NOTA PÚBLICA: Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver


[Brasília, 11 de janeiro de 2015]

O Comitê Nacional Impulsor da Marcha de Mulheres Negras 2015, reunido em Brasília nos dias 10 e 11 de janeiro, definiu a alteração de data de realização da Marcha das Mulheres Negras 2015 contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver para 18 de novembro de 2015, na capital federal.

A mudança de data é decorrente da avaliação das organizações que integram o comitê nacional sobre:
  • O recrudescimento do racismo e sexismo e o avanço de forças conservadoras e neoliberais no Estado e na sociedade civil;
  • A composição de uma agenda contínua de enfrentamento à violência racial e patriarcal em todos os espaços que se façam necessários com respostas contundentes e sistemáticas do movimento de mulheres negras em âmbito local, regional e nacional;
  • Novas interlocuções políticas que demandam novas estratégias de combate ao racismo e ao sexismo.
Frente a esse quadro político, incorporou-se à Marcha a seguinte agenda de mobilização, nos municípios e nos estados, de Março a Novembro de 2015:
  • 8 de Março: Dia Internacional da Mulher.
  • 21 de Março: Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.
  • 27 de abril: Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica.
  • 13 de Maio: Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo.
  • 25 de Julho: Dia da Mulher Afrolatinoamericana e Afrocaribenha.
  • 18 de Novembro: Marcha das Mulheres Negras 2015, em Brasília.
No mesmo encontro, o Comitê Nacional assumiu o caráter executivo, sendo composto por: Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Associação das Pastorais Negras (APNs), Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Fórum Nacional de Mulheres Negras, Movimento Negro Unificado (MNU) e União de Negros pela Igualdade (Unegro).

Comitê Nacional Impulsor da Marcha das Mulheres Negras 2015 contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver

Contatos: marchanegras2015@gmail.com e facebook.com/marchamnegra


Sou mulher, sou negra, sou da favela e hoje sou médica


por William Martins,
Ariana Reis, 32 anos, chegou ao fim de 14 anos dedicados à universidade: três de preparação para as provas de acesso, cinco do curso de Pedagogia, seis do de Medicina. No convite para a cerimónia de formatura, terminava com o seguinte: “Sou mulher, sou negra, sou da favela e hoje sou médica.”

Porque “é difícil”. Porque Ariana é a grande excepção num Brasil onde é raro encontrarem-se médicos negros nos hospitais. A “caçula” de 12 irmãos foi a primeira a ir para a universidade. Era a única mulher negra da sua turma na Faculdade de Tecnologia e Ciências da Bahia. Em seis anos a estudar Medicina, cruzou-se com apenas duas estudantes negras de outros anos. “Nos hospitais sempre me confundem com a menina que limpa o chão. Se cai qualquer coisa: ‘Você vem aqui, pega o pano, limpa.’ Quantas vezes eu já ouvi isso? Muitas vezes. [Olham para mim]: ‘Ah, é a enfermeira, a técnica.’ Se estou sentada lá na mesa — sabem que é um médico que está ali na mesa — [perguntam]: ‘É você? Ah…’” E Ariana responde: “Vou chamar a pessoa responsável por isso.” Ou então mostra o distintivo na bata: “Está aqui, sou médica.”

Isto acontece com pacientes brancos e negros: “Na verdade, os brancos ficam mais impressionados. Os negros me abordam mais porque não estão acostumados a ver na sua comunidade pessoas em cargos assim de mais prestígio.” Ariana tenta mudar o olhar de quem a ofendeu: um negro não faz só limpezas, é possível que uma médica seja negra.

De facto, ela raramente se cruza com médicas negras — médicos ainda vai vendo, mas poucos. Cresceu a ouvir: “Negro não presta.” E por isso: “Cresci dizendo: ‘Meu Deus, eu sou negra e negro não presta.’ Não tinha orgulho de ser negra. Meu pai era o primeiro a dizer que negro não presta, que negro faz sempre coisa ruim e que não é para ter orgulho de ser negro — ele sendo negro.”

Mas o pai, pedreiro, morreu com orgulho da filha negra. Estava bastante doente, com Alzheimer, quando Ariana soube que tinha conseguido a bolsa para entrar em Medicina — cancelando assim o curso de Pedagogia que estava quase no fim. Chegou a casa, e contou: “Pai, passei em Medicina. Eu acho que ele entendeu. No outro dia faleceu. Isso é uma dor para mim. Ironia do destino, né? Filha passando em Medicina, pai falecendo no outro dia.”

Apesar de tudo, quando pedia dinheiro para livros, para a escola, ele dava. “Era o maior sacrifício.” Mas ele dava. Na época de aulas, tinha o costume de a esperar à noite nas paragens de autocarro, porque o bairro era perigoso e “tem que ficar olhando”. “Sempre me incentivou. Sempre.”

Ela cresceu a ouvir que negro não presta, mas cresceu também a dizer que queria ser médica. Aos 15 anos, estava num hospital com o sobrinho que tinha caído. Virou-se para o médico, até ali brincalhão, “dando risada”, e disse: “Olha, eu estudo muito para ser médica como você.’ Houve um silêncio da parte dele. Aquele que estava brincando, sorrindo, conversando com a gente se fechou. E aí, como eu falo muito baixo, [pensei] que ele não ouviu, falei mais alto: ‘Olha eu estudo muito porque quero ser médica como você, como o senhor.’ Aí ele virou, olhou para mim como se dissesse: ‘Ponha-se no seu lugar, você não vai conseguir.’ [Pausa] Saí dali arrasada. Arrasada.”

Tinha levado “um balde de água fria”. “Mas não desisti por isso, não.” Afinal, Ariana é conhecida por ser “do contra”: “Se tinha aquilo para fazer e ninguém conseguia, eu ficava, ficava, ficava até conseguir.”

Tentou Medicina, antes de entrar em Pedagogia, por três vezes. Numa delas, em que “não passou”, chegou a casa, à varanda de um apartamento numa favela, e “chorou, chorou, chorou”, lembra a mãe, no mesmo sítio, agora numa noite de Fevereiro, já com a filha formada. E o irmão a dizer-lhe: “Você vai alcançar, vai alcançar.”

O irmão não está em casa da mãe na noite em que lá vamos, mas estão algumas das irmãs, sobrinhas e sobrinhos. Os jovens sentam-se na sala, logo à entrada, agarrados aos telemóveis e a olhar para o ecrã da enorme televisão. Vê-se logo a fotografia da cerimónia de formatura de Ariana, em formato gigante: ela de bata, cabelo arranjado, maquilhada. Morro acima, vivem as irmãs, noutras casas. Foi naquela sala que ela estudou e continua a estudar Medicina, com gente a entrar e a sair. No edifício ao lado, fiéis de uma Igreja Evangélica cantam alto, batem palmas.

Quando entrou em Medicina, pagava três mil reais por mês (cerca de 920 euros) — mas tinha uma bolsa do ProUni, um programa do Ministério da Educação que paga 50% da mensalidade a alunos em instituições privadas. Quando estudou Pedagogia, fê-lo ao abrigo das cotas raciais, uma das políticas de acção afirmativa no Brasil que pretendem aumentar a percentagem de população negra nas universidades.

No segundo país com a maior população negra do mundo a seguir à Nigéria, ser negro é pertencer a uma maioria de 51% da população de 200 milhões. Mas o último Censos, de 2010, mostrava que apenas 26% dos universitários eram negros; e apenas 2,66% dos alunos que terminaram o curso de Medicina eram negros, num estudo feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais para o canal UOL. Estes números explicam-se, em parte, com a despesa da educação no Brasil: quem estuda em escolas privadas até ao fim do secundário tem mais hipóteses de entrar nas universidades públicas, as melhores.

Para conseguir pagar a universidade privada, Ariana fez uns trabalhos avulsos, como limpar a casa da irmã ou ajudar alguns colegas na faculdade. “É muito difícil. Consegui entrar na universidade porque cheguei num tempo em que meus irmãos já estavam trabalhando e puderam me ajudar também. As cotas ajudam e muito. Como é que a gente que vem da escola pública vai concorrer com esse pessoal da escola privada que não passou por greves de professores e de funcionários? É-lhes cobrado desde que nascem: ‘Vocês têm que ter um nível superior.’ Têm espelhos na família: médicos, engenheiros, professores. Nas famílias pobres, a maioria negras, a mãe é dona de casa, o pai é pedreiro, o pai está desempregado, o pai é bandido, o pai é ladrão.”

Ela estava entre os melhores da turma, diz. Em cirurgia, foi considerada a aluna-padrão. A diferença em relação aos outros é que tudo custava muito mais: saía de casa de madrugada para não apanhar engarrafamentos e garantir que estava nas aulas a tempo e horas, fazia “ginástica” ao dinheiro porque tinha de passar um dia inteiro fora de casa, tinha de comprar livros caríssimos, alguns a “mil, dois mil reais”…

Voltamos à história do convite. Queremos saber o significado daquela frase que ela colocou no final: “Mulher já é discriminada por si só, tem salários inferiores aos dos homens, se for negra ainda pior. Da favela, o pessoal acha que é ladrão. Virei médica: isso é possível.”

Para se ter uma ideia do que diz: com o mesmo nível de escolaridade, as mulheres brancas ganham 68,7% do salário dos homens brancos, enquanto os homens negros ganham metade e as mulheres negras menos ainda, 38,5% (dados retirados do estudo Igualdade Racial no Brasil: reflexões no Ano Internacional dos Afrodescendentes, 2013, IPEA).

Ariana está num hospital militar como voluntária (mas tem um salário). Quer fazer bancos em hospitais do interior para ganhar algum dinheiro e estudar para fazer a prova de cirurgia geral. “Vou cursar dois anos de cirurgia geral em hospitais e terminando os dois anos vou prestar novamente prova para fazer residência em cirurgia pediátrica durante três anos.” Cirurgia porquê? “Gosto de resolver. E cirurgião resolve muito.”

A INVISIBILIDADE DO MASSACRE NA NIGÉRIA

Foto I Estadão

por Taciana Gacelin, para o Portal Correio Nagô*,
A pouca repercussão dada aos ataques terroristas praticados na cidade de Baga, região nordeste da Nigéria, chama a atenção do diretor da Casa da Nigéria na Bahia, Misbak Akani. Em entrevista ao portal Correio Nagô, Akani revelou sua preocupação com a situação do seu país. Segundo dados divulgados pela Anistia Internacional, na madrugada do dia 03 de janeiro, foram mortos pelo grupo Boko Haram, facção supostamente ligada ao Al Qaeda, cerca de 2 mil nigerianos. O governo do país africano afirma que o número de mortes é de aproximadamente 200 vítimas. Para Misbak Akani, não faz diferença a quantidade de assassinados no atentado. “São vidas perdidas. Porém, o fato não é muito importante para as autoridades internacionais. A cidade de Baga não interessa a eles, porque a região não afeta a economia mundial. Eles acham que o problema foi criado por nós e somos nós que temos de resolver”, frisa o diretor da Casa localizada no Centro Histórico de Salvador.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que se pronunciou, imediatamente, no caso envolvendo os atentados na França, demorou dias para falar sobre o ocorrido na África. “Nós nos comprometemos a trabalhar com a Nigéria e os países vizinhos para pôr fim à praga do Boko Haram e solicitamos que tomem medidas para conter a milícia”, afirmou o Departamento de Estado americano, em nota. “A vida de um francês vale muito mais do que a vida de um nigeriano. Os Estados Unidos dizem que dão apoio financeiro, econômico, militar, mas não vemos isso efetivamente”, pontua Akani.

Vinicius Gomes, da Revista Fórum, comenta que, ainda na terça-feira (13), 10 dias após o acontecimento, muitos corpos continuavam “estirados” no chão. Segundo ele, “um sobrevivente narra que não conseguiu andar por cinco quilômetros sem pisar em algum cadáver”. Em seu comentário, Vinicius aponta sobre o fato de líderes africanos não abordarem o assunto da tragédia que aconteceu em um país do continente deles. “No domingo (11), diversos líderes africanos voaram para Paris a fim de participar da marcha pela liberdade de expressão e contra o terrorismo, apesar de muitos não terem conseguido sair na foto principal. Não noticiou-se nenhuma prestação de condolência por parte deles em relação ao episódio que ocorreu em seu próprio continente – na realidade, nem mesmo o presidente do país, Goodluck Jonathan, se pronunciou sobre o massacre em Baga”, diz o jornalista.

De acordo com o diretor da Casa da Nigéria, Goodluck Jonathan está dando mais atenção ao fato agora, meses antes das eleições. Até o dia 08 de janeiro, o presidente não tinha dito nada a respeito do atentado. “No domingo (11), o presidente apareceu sorridente em fotos que circularam nas redes sociais celebrando o casamento de sua filha, Ine, realizado na véspera”, revela o G1.

Guga Chacra, comentarista internacional do jornal Estado de São Paulo e da Globo News, enumera cinco motivos que, segundo ele, não possibilitaram tanta visibilidade ao massacre na Nigéria como aconteceu com o país europeu. Ele fala que a questão se deve ao fato de que a França “ficou na vanguarda do ataque ao terrorismo”; pontua sobre a hipocrisia do ser humano, que não se comove tanto com “mortes de africanos”; cita a falta de informação das pessoas sobre o caso nigeriano; menciona a ‘familiaridade’ que as pessoas possuem com a França; faz referência à falta de jornalistas especializados em África e “pelo problema de não ter ocorrido manifestações envolvendo Baga”.

Misbaki Akani revela que há protestos no local onde aconteceu o ataque terrorista. “Elas podem não ser do nível do que acontece na França, mas existem’. Desde abril, quando o Boko Haram sequestrou cerca de 200 meninas, que há manifestações. As organizações internacionais enviaram agentes para investigar o caso, mas, até hoje, não se tem nenhum dado sobre o ocorrido”, fala.

O BOKO HARAM E A TRAGÉDIA NA NIGÉRIA

Boko Haram significa, em haussá, língua local, “educação ocidental ou não islâmica é um pecado”. Segundo eles, a culpa dos males existentes no mundo está ligada à cultura ocidental. O grupo tem como objetivo acabar com a democracia na Nigéria e não admitem que mulheres estudem.

Na madrugada do dia 03 de janeiro, o Boko Haram invadiu a cidade de Baga. Segundo relatos, o grupo chegou atirando granadas na população. Muitas pessoas que conseguiram fugir para suas casas foram incendiadas pela facção. Para fugir do atentado, alguns nigerianos tentaram atravessar o Lago Chade nadando, mas a maioria se afogou.

Fonte: Correionago

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal!!!


Que neste natal possamos reconhecer o valou da humildade, sinceridade, amor e muitos outros requisitos importantes na nossa vida! Um bom natal a nós irmãos!!!

Você comemora o Natal? Mas, já ouviu falar sobre a Kwanzaa?

Kwanzaa é uma festa, de caráter interreligioso, que dura sete dias, e que é muito comum na comunidade afroamericana e entre negros da diáspora. No Brasil, a celebração ainda é desconhecida e ainda resume-se a um pequeno ciclo de militantes panafricanistas conscientes do papel histórico do povo africano e da necessidade de reconstruir essa memória.


O nome “Kwanzaa” deriva da expressão “matunda ya kwanza”, que significa “primeiros frutos” em swahili, a língua original mais falada entre as centenas que existem na África.

Segundo o site Somos Todos dos Um, a festa dos “primeiros frutos” é típica dos povos ancestrais, a origem do Natal cristão seria uma celebração desse tipo, “a festa da vitória da vida contra a morte, da luz contra as trevas, da colheita farta que garantia a continuidade da tribo contra a ameaça da fome e do extermínio.”

Não é pouca coisa. Na África, os rituais associados à colheita existiram no passado e existem ainda hoje: “Estas celebrações eram comuns nos tempos antigos, mas também existem hoje, cultivadas por imensos grupos sociais, como os zulus, tanto quanto por pequenos agrupamentos, como os matabelos, os thonga e os lovedus, todos do sudeste do continente africano”.


A idéia de criar um feriado “pan-africano” é atribuída a um professor de estudos africanos da Universidade da Califórnia, Maulana Karenga, num tempo difícil, que ficou conhecido como “o movimento pelos direitos civis americanos”, mas que durou mais de uma década, teve ares de guerra civil e virou a sociedade racista dos EUA literalmente de cabeça para baixo.

A Kwanzaa foi celebrada pela primeira vez de 26 de dezembro de 1966 a 1 de janeiro de 1967, Martin Luther King seria assassinado um ano mais tarde e os negros americanos brigavam pelo direito de voto.

Para Makini Olouchi, uma das organizadoras da festividade em Salvador, “Celebrar a Kwanzaa no Brasil, significa viver nossa africanidade numa perspectiva panafricanista. É manter-se conectado com toda ancestralidade africana do mundo e manter aceso o espirito de celebração pelas boas colheitas que tem sido feitas, apesar das adversidades”.
Os sete princípios do Kwanzaa

O Kwanzaa está centrado nos sete princípios, Nguzo Saba, que representa os valores da família, da comunidade e da cultura para os africanos e para os descendentes de africanos. Os princípios foram desenvolvidos pelo fundador do Kwanzaa, Dr. Maulana Karenga, baseados nos ideais das colheitas dos primeiros frutos.

Os princípios da Kwanzaa são:
Umoja : união
Estar unido como família, comunidade e raça;
Kujichagulia : auto-determinação
Responsabilidade em relação a seu próprio futuro;
Ujima: trabalho coletivo e responsabilidade
Construir juntos a comunidade e resolver quaisquer problemas como um grupo;
Ujamaa: economia cooperativa
A construção e os ganhos da comunidade através de suas próprias atividades;
Nia: propósito
O objetivo de trabalho em grupo para construir a comunidade e expandir a cultura africana;
Kuumba: criatividade
Usar novas idéias para criar uma comunidade mais bonita e mais bem-sucedida;
Imani: fé
Honrar os ancestrais, as tradições e os líderes africanos e celebrar os triunfos do passado sobre as adversidades.

Os sete dias do Kwanzaa
No primeiro dia do Kwanzaa, 26 de dezembro, o líder ou ministro convida todos a se juntarem e os cumprimenta com a pergunta oficial: “Habari gani?” (O que está acontecendo?), à qual eles respondem com o nome do primeiro princípio: “umoja”.

O ritual é repetido em cada dia de celebração do Kwanzaa, mas a resposta muda para refletir o princípio associado àquele dia. No segundo dia, por exemplo, a resposta é “Kujichagulia”. Em seguida, a família diz uma prece. Depois, eles recitam um chamado de união, Harambee (Vamos nos Unir).

A libação é então realizada por um dos adultos mais velhos, e uma pessoa (geralmente a mais jovem) acende uma vela do Kinara. O grupo discute o significado do princípio do dia e os participantes podem contar uma história ou cantar uma música relacionada a esse princípio. Os presentes são oferecidos um a cada dia ou podem ser todos trocados no último dia do Kwanzaa.

O banquete do Kwanzaa é no dia 31 de dezembro. Ele não inclui só comida, é também um momento de cantar, orar e celebrar a história e a cultura africana.

O dia 1º de janeiro, o último dia do Kwanzaa, é um momento de reflexão para cada um e para todo o grupo. As pessoas se perguntam: “quem sou eu?” “sou realmente quem digo que sou?” e “sou tudo o que posso ser?” A última vela do Kinara é acesa e então todas as velas são apagadas sinalizando o fim do feriado.

* com informações de HowStuffWorks Brasil e Pele Negra

Veja uma versão bem-humorada da festa na série TODO MUNDO ODEIA O CHRIS:

Assista um trailer do documentário The Black Candle, em inglês. narrado por Maya Angelou sobre a Kwanzaa:


Fonte: CorreioNago.

Alteridade: a difícil arte de reconhecer o diferente



Alguém realmente gosta de se expor ao que lhe é estranho?

por Guilherme Spadini,
Como qualquer outro animal, o ser humano deveria ser programado para evitar o diferente, tido como ameaçador. Sendo bem mais do que apenas um animal, sabemos que é possível escapar a essa tendência e apreciar a curiosidade e o estranhamento. Seres humanos são notórios por inovar, abrir-se a experiências, arriscar. E, mais surpreendentemente ainda, aprendemos a reconhecer no diferente um valor. É a chamada alteridade.

Porém, devagar. Voltemos à questão de que fugir do que é diferente deveria ser um pressuposto básico de um organismo biológico. De fato, as pressões evolutivas que moldaram todos os seres conhecidos resultam, justamente, no desenvolvimento de mecanismos para reconhecer ameaças e escapar delas. Ou, em armas para dominar o campo de batalha. Nosso instinto mais primordial é temer e odiar o que parece diferente.

O ser humano tem uma capacidade cognitiva ímpar. Tanto a razão, quanto as mais nobres emoções (empatia, amor), nos destacam da simplicidade animal. Mas, não acredito que possam anular a realidade física da natureza. Ainda somos programados para reproduzir, reconhecer padrões, ter medo, e lutar desesperadamente, com unhas e dentes, para sobreviver.

Por isso, ninguém ama o diferente. Ninguém ama o que é estranho, desconfortável, difícil de compreender. Ser assim programado, instintivamente atraído pelo diferente, sem se preocupar com o que pode haver de ameaçador, é uma impossibilidade natural. Ou, melhor, é uma das possibilidades que surgiram e surgirão na história evolutiva, apenas para serem precocemente destruídas no processo de seleção natural – portanto, é uma impossibilidade entres as espécies bem adaptadas.

Então, o que estou dizendo? Que é impossível a tolerância? Que a alteridade é um falso valor? Uma quimera, uma ilusão? Muito pelo contrário. Afirmo que é impossível amar o diferente para tentar trazer à tona o verdadeiro sentido da alteridade enquanto um valor.

A possibilidade de amar a humanidade como um todo, de aceitar e respeitar as diferenças culturais e de opinião, de viver em uma sociedade verdadeiramente inclusiva, não pode depender de um questionável amor pelo diferente, mas de um custoso aprendizado sobre o que é, de fato, ser diferente.

Será que cor de pele faz alguém ser diferente? Preferência sexual? Religião? Repito: é impossível amar o diferente. Mas é possível reconhecer o semelhante naquilo que parece diferente apenas na superfície. O amor pela humanidade deve ser direcionado a algo de essencial que nos faz humanos, e não ser limitado por detalhes que são apenas contingenciais. Ninguém é essencialmente uma etnia, uma crença, ou uma afiliação política. Tudo isso são só acasos, coisas que aconteceram de ser. A paixão com que um homem se apega a uma ideia (mesmo que seja diferente da minha), o amor de uma mãe por um filho (mesmo que de uma outra etnia), a tontura inebriante do romance (sejam quais forem os gêneros envolvidos), são características essenciais da humanidade, e são essas que valem a pena serem amadas.

Eu falo em custoso aprendizado porque, infelizmente, é exatamente assim que tem de ser. Estranhar as diferenças não precisa ser ensinado. Herdamos isso do processo evolutivo. Estudos mostrando que crianças respondem mais favoravelmente a rostos pertencentes à mesma etnia apenas confirmam o óbvio.

Vem justamente daí o valor da alteridade. A única forma de aprender a diferenciar o contingente do essencial é estar exposto à toda a fascinante diversidade das expressões humanas. Quando nos expomos a poucas coisas diferentes, corremos um risco maior de confundir uma característica isolada com uma diferença fundamental. É assim que nasce a intolerância. No entanto, quando aceitamos a alteridade como um valor, e passamos a nos esforçar para estar mais e mais em contato com o outro, fica muito mais difícil tomar uma ou outra característica como a fundamental. Aprendemos a reconhecer que todas as diferentes formas pela qual a natureza humana se expressa ainda correspondem, apenas, à nossa própria natureza.

Alteridade não é só estar em contato com o outro, mas reconhecer que nós mesmos, individualmente, fazemos muito pouco sentido sem o outro. À primeira vista, isso parece que nos diminui. Há um valor, também, no indivíduo, e necessitar do outro soa ameaçador para muita gente. Mas, o que transforma a alteridade em mais do que um valor, em uma virtude, é que ela não apenas nos leva a tolerar as diferenças, mas a nos reconhecer nelas. “Somos todos iguais” é um lema bobo, falso, pueril. Mas “há algo de igual em todos nós, inclusive nas diferenças” é verdadeiro e libertador. Não se trata apenas de amar a humanidade, mas de ser tão grande quanto ela. Há poucas experiências tão expansivas e alegres quanto essa.

Fonte: Brasil Post

Após caso de sexting, professora do DF cria projeto e ganha prêmio


Dos 187 alunos do 9º ano, 110 se engajaram na leitura dos livros sobre ‘mulheres inspiradoras’ e, ao final do ano, escreveram a biografia de uma personalidade feminina — famosa ou não

Uma aluna de 13 anos do Centro de Ensino Fundamental 12, em Ceilândia, gostava de enviar vídeos em que ela dançava com poucas roupas. O material logo se espalhava e os colegas a reprovavam, faziam comentários hostis. Mas a garota seguia provocando a turma com novas publicações.

do UOL,
O caso de sexting, que aconteceu no ano passado, chamou a atenção da professora de português Gina Vieira Ponte.

“O que eu percebi é que a menina encontrava nos vídeos uma forma de chamar atenção, de ser vista”, conta.

“Comecei a ver que eles postavam muito conteúdo erótico e que desvalorizava a mulher”, diz a professora. Ela mostrou aos alunos, no começo do ano, fotos de mulheres que estão na mídia e personalidades históricas: “Os alunos só reconheceram as famosas. Aí pude ter uma ideia do exemplo de mulher que eles tinham”.
Mulheres Inspiradoras

Gina elaborou, então, um projeto de valorização da mulher e incentivo à leitura para os alunos do 9º ano. Chamado de “Mulheres Inspiradoras”, ele foi criado no início deste ano e instituído na grade curricular dentro da disciplina Projeto Interdisciplinar.

Após o diagnóstico, seus 187 alunos leram seis livros. Entre as obras estavam “Quarto de Despejo”, da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, “Eu Sou Malala”, da paquistanesa Malala Yousafzai e “Diário de Anne Frank”.

A turma se engajou no projeto interdisciplinar e cerca de 110 alunos leram os livros e chegaram à fase final do projeto, que era criar uma biografia da “mulher inspiradora”. Como? Os estudantes conheceram biografias de mulheres que lutaram por uma causa. Depois, eles discutiram a posição da mulher na sociedade usando a internet para as conversas em grupo. Por fim, produziram seus próprios textos, sobre mulheres notáveis da história ou personagens de suas comunidades.
Mudança de comportamento

Para Gina, a história que mais chamou sua atenção foi a de Luísa*. Introspectiva, a menina de 14 anos costumava ficar isolada dos colegas. A professora já havia tentado, sem sucesso, descobrir qual era o problema dela.

De acordo com Gina, Luisa* se mostrou uma aluna brilhante durante o projeto. Após ler o Diário de Anne Frank, a aluna confidenciou que queria entrevistar a própria mãe, mas não achava que conseguiria.

Gina ajudou na conversa entre as duas. E Luisa* teve a entrevista que queria. “Em um início de semana, ela falou comigo emocionada que havia conseguido entrevistar a mãe. E que havia descoberto que era amada por ela [a mãe]”, relata a professora. Isso causou uma mudança de comportamento na garota. De menina que nunca falava nada, ela acabou recitando um poema para cerca de 120 alunos da escola em uma homenagem à Gina.

Também durante a disciplina nasceu a banda 11D3. A banda criou composições durante o projeto. Os próprios garotos dizem que saber das histórias das mulheres inspiradoras mudaram o jeito deles agirem: “Eu achava que as mulheres não podiam fazer tanto como os homens. Hoje, eu mudei”, diz Yury Gomes, de 15 anos.
Continuidade

No final de novembro, o projeto ganhou o 1º lugar do Prêmio Nacional Educação em Direitos Humanos, dado pelo MEC. O prêmio rendeu ao projeto R$ 15 mil. Gina disse que não sabe ainda como vai ser investido o prêmio. Porém, há o plano de transformar as redações dos alunos em um livro. A professora diz que o livro seria uma forma de documentar o que foi feito durante o ano.

De acordo com a diretoria da escola, o projeto deve continuar em 2015. Como novos alunos estarão no 9º ano, a turma será totalmente diferente. Ou seja, no ano que vem estudantes vão poder ter acesso novamente a histórias de mulheres inspiradoras.

O que é sexting?
Sexting é a prática de enviar mensagens, fotos ou vídeos sexualmente explícitos pelo celular. * “Isso é bem comum hoje”, disse um homem. “Você começa trocando mensagens e, quando vai ver, já está trocando fotos picantes.”

do JW,
Por que as pessoas fazem isso? Para alguns jovens, “ter uma foto da namorada nua no celular é um jeito de mostrar que você é sexualmente ativo”, diz um experiente promotor de justiça citado no jornal The New York Times. “É como se fosse um troféu.” Certa jovem chegou a dizer que é uma forma de “sexo seguro”. Afinal, disse ela, “não tem como ficar grávida nem pegar uma doença sexualmente transmissível”.

Além disso, muitos adolescentes praticam sexting para:
Flertar com alguém de quem eles gostam.

Retribuir o “favor” a alguém que já lhe enviou uma foto sexualmente explícita.

Quais são as consequências do sexting?


Depois de mandar uma foto pelo celular, você não tem mais controle sobre como ela poderá ser usada ou sobre como afetará sua reputação. “Nunca foi tão fácil enviar ou armazenar provas de mau comportamento para que outros possam ver”, disse Amanda Lenhart, especialista em pesquisa e autora de um relatório do Pew Research Center sobre sexting.

Em alguns casos
Jovens enviam fotos sexualmente explícitas para vários amigos com o objetivo de diverti-los.
Rapazes que levaram um fora espalham fotos da ex-namorada nua para se vingar dela.

VOCÊ SABIA? Em muitos casos, enviar fotos de nudez tem sido considerado abuso de crianças ou distribuição de pornografia infantil. Alguns menores de idade que praticaram sexting têm sido processados por abuso sexual.

Fonte: Geledés