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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

NOTA DE REPÚDIO - HISTORIADORXS NEGRXS: RACISMO CONTRA A PROFA. DRA. ISABEL REIS NA UFRB



NOTA DE REPÚDIO

“Minha colega de quarto tinha uma única história sobre a África, uma única história de catástrofe, nessa única história não havia possibilidade de os africanos serem iguais a ela, de jeito nenhum, nenhuma possibilidade de sentimentos mais complexos do que piedade, nenhuma possibilidade de uma conexão como humanos iguais”. (Chimamanda Adichie)


A Rede Nacional dxs Historiadorxs Negrxs vem se solidarizar profundamente com a professora Dr.a Isabel Reis, docente do Departamento de História da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), pelo ataque racista ocorrido ontem, segunda-feira (09), em sua sala de aula. Torna-se especialmente doloroso para nós, Historiadorxs Negrxs, termos que ainda protestar contra situações verdadeiramente criminosas como esta, que insistem em nos desumanizar, deslegitimar e nos calar.

A atitude ousada, debochada e desprezível encarnada por este estudante demonstra o quanto o racismo tem ganhado impulso nos últimos anos, mostrando- se descaradamente, depositando sua confiança na impunidade.
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Nós, Historiadorxs Negrxs, esperamos que o caso seja apenado exemplarmente para que crimes como este não se repitam. Este estudante escancara o que muitos tentam dissimular: um pensamento patriarcal, baseado em hierarquia de raça, na qual a sua (branca), ocupa o topo, deixando as demais ao rés do chão. Pois saiba ele e suas/seus companheirxs, que o chão do Recôncavo foi fértil não só de cana-de-açúcar e chibatadas, mas também de um povo que sabia quem era, de onde vinha e para onde queria chegar. Em honra dxs nossxs mais velhxs, hoje ocupamos vários espaços (e vamos ocupar ainda mais) inclusive como professoras e professores como a Dra Isabel Reis, que tem toda a nossa solidariedade, apoio e afeto.
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Seguimos reiterando nosso compromisso com a luta antirracista.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Talíria e Áurea repudiam novo presidente da Fundação Palmares


Recebemos nesta tarde, com absoluto espanto e indignação, a notícia de que a presidência da Fundação Cultural Palmares será assumida pelo jornalista e militante bolsonarista de direita, Sérgio Nascimento de Camargo. A mudança faz parte de uma série de indicações pessoais do recém-nomeado Secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim. Além da Fundação Palmares, a Secretaria do Audiovisual e a Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura tiveram novos dirigentes nomeados nesta quarta-feira.

A Fundação Cultural Palmares, atualmente vinculada à Secretaria de Cultura do Ministério da Turismo, é o primeiro mecanismo institucional de proteção e promoção ao patrimônio cultural negro brasileiro. Foi uma conquista do Movimento Negro Brasileiro, no marco da Constituinte, para que o país começasse a reconhecer o enfrentamento ao racismo como uma política de Estado.

Nesses 37 anos, a Fundação Palmares foi decisiva para a garantia dos direitos sociais e culturais da população afro-brasileira. Sua atuação esteve centrada no desenvolvimento de políticas públicas de reconhecimento às comunidades quilombolas, proteção do patrimônio cultural e religioso negro, fomento à cultura e às artes afro-brasileiras e produção de informações de referência sobre cultura negra no Brasil.

Todo esse legado é ferido de morte com a nomeação de Sérgio Camargo para a presidência da Fundação Palmares. Camargo é mais uma peça na engrenagem de ataque e violação de direitos que o desgoverno Bolsonaro vem impondo ao Brasil.

Em seus perfis de redes sociais, Sérgio nega a existência do racismo e da importância estrutural do Movimento Negro para a emancipação de 55,6% da população. Além disso, ataca símbolos da história afro-brasileira, como Zumbi dos Palmares e o Dia da Consciência Negra, desrespeita as religiões de matriz africana e as manifestações da cultura periférica como o funk e o hip-hop.
 
Ainda, Camargo tem um histórico de agressões às personalidades negras brasileiras, principalmente às mulheres, e à memória da nossa querida companheira Marielle Franco, reconhecida internacionalmente por seu trabalho contra o racismo e o genocídio da população negra e periférica.

É inadmissível que alguém com esse perfil assuma a presidência desta fundação que nasce com um papel fundamental de enfrentamento ao racismo, por meio da proteção e promoção das manifestações culturais afro-brasileiras, bem como da produção de conhecimento sobre a contribuição do povo negro para a construção do país.

Não vamos permitir que a apologia à violência e a intolerância contaminem o histórico de atuação da Fundação Cultural Palmares. Estamos atuando para barrar as tentativas sistemáticas de ataque e desmantelamento dos direitos da população negra!

Áurea Carolina e Talíria Petrone
Deputadas Federais pelo PSOL
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Abaixo-assinado pela troca do presidente da Fundação Palmares, Sérgio Nascimento, Clique aqui! 

Fonte: taliriapetrone