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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

‘Morre com dignidade’, diz policial a garoto agonizando após batida


Cinco adolescentes morreram em acidente após perseguição em Planaltina.
Corporação apura se fala é de PM do DF ou de policial de outra corporação.

por Raquel Morais e Isabella Calzolari no G1,
Familiares dos cinco adolescentes de Brasília mortos em um acidente após perseguição policial durante o carnaval fecharam a BR-020 na altura de Planaltina na manhã desta quinta-feira (19) para denunciar suposta omissão de socorro. Os garotos ocupavam um carro com placa clonada e desobedeceram a ordem de parada de uma equipe da PM. Vídeos mostram membros da corporação debochando de duas vítimas que agonizavam no asfalto. Homens que não aparecem no vídeo chegam a falar: “Chora não”, “você não rouba, c******? Você não rouba, desgraça?”, “assume o papel de homem” e “morre com dignidade” (sic).

Por e-mail, a Polícia Militar informou ao G1 que abriu investigação para saber se a fala é de PMs do DF ou de policiais de outra corporação – a perseguição, diz, contou também com policiais de Goiás e rodoviários.

“Todo policial é formado para servir e proteger a sociedade, como sempre fizemos. Este tipo de atitude isolada que denigre a imagem da corporação não será aceita”, declarou em nota a PM do Distrito Federal.

A PM de Goiás disse também estar apurando o caso. “[A imagem] não nos permite dar informações conclusivas, uma vez que mostram apenas um dos momentos da ocorrência, não fazendo alusão às circunstâncias anteriores ou posteriores, de um acompanhamento policial que iniciou no Distrito Federal.
As imagens estão sendo analisadas, para identificar a participação de policiais militares do estado de Goiás que, porventura, tenham apoiado as equipes da PMDF no momento do acidente.”

Em nota, a PRF negou que tenha participado da perseguição e disse que acionou socorro para as vítimas. “Quando os PRFs chegaram ao local do acidente, já havia bombeiros resgatando a vítima sobrevivente”, dissse.

Em um determinado momento da gravação, um policial, que não aparece no vídeo, ilumina com uma lanterna um dos jovens agonizando no chão e diz: “Olha, moço, o tamanho dessa carniça”.

O promotor de Justiça Nísio Tostes disse que está analisando as imagens e vai estudar quais procedimentos serão adotados.

Acidente
O acidente aconteceu na madrugada de domingo. A equipe da PM tentou abordar o carro em que estavam os jovens, com idades entre 12 e 18 anos, na entrada de Planaltina. O motorista tinha 17 anos. Ele se recusou a parar e acabou colidindo com outro veículo na entrada de Formosa, no Entorno do DF. Três garotos morreram na hora, incluindo o condutor. Policiais teriam tirado as vítimas do carro e as colocado no chão.

Familiares protestam contra suposta omissão em socorro a vítimas que bateram carro após perseguição policial (Foto: Isabella Calzolari/G1)

Pai do menino de 12 anos que aparece agonizando nas imagens, o pedreiro José Cícero Ferreira, de 44 anos, se disse “chocado” com as filmagens. “Estava viajando e quando soube da notícia voltei correndo. Eles mataram uma criança. Eles tinham que ter socorrido o meu filho. Na hora em que eles bateram, os policiais tiraram os meninos do carro e jogaram no chão. Meu filho estava pedindo socorro e não ajudaram. Tenho certeza que os policias têm filhos. Não acredito que conseguiram fazer isso com o meu. A gente não quer briga, só queremos paz e justiça.”

Pai do menino que dirigia o carro, o motoboy Raimundo Ribeiro, de 41 anos, criticou a ação policial. “Meu filho trabalhava e estudava à noite, nunca teve passagem [pela polícia]. Queremos justiça para que policiais nunca mais façam isso com os outros”, afirmou.

A mãe do garoto, a zeladora Maria Lúcia Ferreira, de 39 anos, também se disse revoltada com a situação. Ela declarou ao G1 tentar, por meio do protesto, limpar o nome do filho.

“Ele não era bandido. A perseguição começou, eles podiam ter parado os meninos, mas não fizeram nada para barrar a perseguição e houve o acidente”, disse, emocionada.

Os familiares levaram cartazes para a rodovia e vestiram camisetas com fotos das vítimas. Eles também fizeram rodas de oração. Durante o ato, que durou duas horas e meia, policiais militares revistaram parte dos 70 manifestantes, o que gerou clima de revolta. O grupo fechou a via por 20 minutos, mas disse que não pretendia voltar a bloquear o trânsito.

Morador da região, o estudante de direito Juliano da Silva, de 25 anos, também se mostrou indignado com os vídeos e com a postura dos policiais envolvidos. “Não interessa se é bandido ou não. Na hora do socorro os policiais tiraram eles do carro e isso já foi um erro. As pessoas têm que ser bem tratadas. Os jovens daqui não têm lazer, não têm justiça, não têm esporte. Queremos um tratamento igual.”

Detalhe de camiseta com fotos de quatro das cinco
vítimas de acidente (Foto: Isabella Calzolari/G1)

Também presente ao protesto, o advogado Gilson dos Santos afirmou que vai entrar com representação no Ministério Público no início da tarde para pedir a averiguação da conduta dos policiais.

O motoboy Sigenaldo Souza, 34 anos, declarou que o filho, que tinha 15 anos, e três amigos mortos no acidente iam para uma festa na Estância 3. A quinta vítima não morava em Planaltina, conhecia “de vista” os meninos e ofereceu carona ao grupo. A perseguição ocorreu depois do evento. “Foi a famosa ‘carona da morte'”, afirmou.

O pedreiro Juscelino de Matos, de 53 anos, contou que o filho, de 18 anos, chegou a ser levado para o Hospital de Base com um corte na boca e no supercílio, além de uma perna quebrada. “Se tivessem socorrido mais rápido, tinham salvado a vida do meu filho. Eles podiam ter feito um cerco, pelo menos meu filho estaria preso, mas vivo.”

O garoto era filho único e havia se alistado recentemente no Exército. “A gente sabe que ele não vai mais voltar, mas esses policiais precisam pagar pelo que fizeram.”

Fonte: G1.

SEPPIR publica Relatório de Atividades do CNPIR


O material destaca os resultados obtidos no biênio 2012 – 2014, além de mostrar detalhamentos das atividades desenvolvidas pelo Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial no período

por Seppir,
A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) divulga o Relatório de Atividades do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), referente ao biênio 2012 – 2014. A publicação destaca os resultados obtidos e os detalhes das ações desenvolvidas no período. Acesse o documento aqui.

Entre as atividades que marcaram o biênio, está a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CONAPIR, realizada em novembro de 2013, em Brasília. A partir do tema “Democracia e Desenvolvimento sem racismo, por um Brasil Afirmativo”, o CNPIR participou das discussões, além de integrar o comitê de planejamento.

Durante a III CONAPIR, ocorreu o envio do projeto de lei para reserva de vagas aos negros/as nos concursos públicos federais. A proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional e convertida na Lei n.º 12.990/14, com vigência de dez anos a partir da sua publicação.

Além disso, no decorrer da Conferência, foi assinado o Decreto n.º 8.136, de 5 de novembro de 2013, que regulamenta o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR), instituído pelo Estatuto da Igualdade Racial. A ferramenta permite avanços na institucionalização das políticas de enfrentamento ao racismo e promoção da igualdade racial em todo país, bem como a definição de competências e responsabilidades para os entes federados participantes do sistema.

CNPIR

Órgão colegiado de caráter consultivo e integrante da estrutura básica da SEPPIR, o Conselho “tem como finalidade propor, em âmbito nacional, políticas de promoção da Igualdade Racial com ênfase na população negra e outros segmentos raciais e étnicos da população brasileira”.

Além de combater o racismo, o CNPIR ainda tem por missão propor alternativas para superar as desigualdades raciais, tanto do ponto de vista econômico quanto social, político e cultural, ampliando, assim, os processos de controle social sobre as referidas políticas. O Conselho é composto por 44 membros entre integrantes de entidades da sociedade civil e representantes do Poder Público.

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Coordenação de Comunicação da SEPPIR

Fonte: SEPPIR.

John Legend fala sobre racismo ao receber Oscar de Melhor Canção


Composta e gravada por John Legend e Common para o filme “Selma – Uma Luta Pela Igualdade”, a música “Glory” ganhou o Oscar de melhor canção original na noite de ontem, 22. O longa conta a história da luta do movimento negro, liderada por Martin Luther King nos Estados Unidos.

A falta de negros entre os indicados ao Oscar deste ano gerou polêmica com razão. Também é fato que Selma, filme sobre a campanha liderada por Martin Luther King pelo direto do negro votar nos EUA, merecia mais indicações. Acabou que o prêmio de melhor música para o filme soou como um injusto título de consolação diante do erro da Academia.



Durante o discurso na 87ª edição de entrega dos prêmios, os vencedores fizeram um pronunciamento político. “Nina Simone disse que é dever do artista mostrar os tempos em que vivemos. Selma pode ter sido há 50 anos, mas é agora porque a luta por justiça é agora. O direito ao voto pelos quais eles lutaram, hoje, agora, estão sendo comprometidos. Vivemos no país com a maior população carcerária do mundo. Existem mais homens negros presos do que escravos na época da escravidão”, disse Legend.

“Glory” derrotou “Grateful”, de Rita Ora, em Beyond the Lights, “Everything is Awesome”, por Tegan and Sara e The Lonely Island, de Uma Aventura Lego, “I’m Not Going to Miss You”, por Glen Campbell, de Glen Campbell: I’ll Be Me e “Lost Stars”, por Gregg Alexander, Danielle Brisebois, Nick Lashley, Nick Southwood.

O Chelsea e sua torcida deram uma lição ao racismo**


O Chelsea tratou de deixar claro que o episódio de racismo no metrô de Paris era fruto apenas de uma minoria doentia de sua torcida. Em meio às investigações, suspendeu preventivamente três torcedores e convidou a vítima, o francês Souleymane S, para ver o jogo de volta contra o Paris Saint-Germain em Stamford Bridge. E os próprios Blues, nas arquibancadas do estádio, reforçaram a mensagem durante o empate contra o Burnley. Várias faixas foram exibidas em combate ao racismo.

Entre os dizeres transmitidos pelos torcedores, estavam “Negros ou brancos, somos todos azuis” e “Não ao racismo em Stamford Bridge, é a forma como gostamos disso”. Além disso, os tributos a Drogba se tornaram mais visíveis, provável resultado do incidente em Paris. Já o clube estendeu um cartaz com a campanha “Building Bridges”, ligada à “Say no to racism”, organização que cuida dos episódios de racismo no futebol inglês. Os jogadores também vestiram camisetas em alusão à campanha, enquanto o capitão John Terry (que já se envolveu em caso de racismo com Anton Ferdinand) escreveu uma mensagem de combate ao preconceito no programa da partida.

Mas, apesar da postura digníssima da torcida do Chelsea, Stamford Bridge não deverá receber a visita de Souleymane. O francês contou que ainda não está preparado para ir a um estádio, já que sequer consegue voltar ao metrô por pânico diante do que aconteceu. E, por mais que tenha agradecido a oferta da diretoria dos Blues, segue com a ideia de levar o clube à justiça, na tentativa de cobrar pela atitude dos racistas que o atacaram.

“Eu agradeço o convite de Mourinho, mas não posso colocar minha cabeça em um estádio neste momento”, declarou Souleymane, em entrevista ao jornal Le Parisien. “O que aconteceu me deixou realmente com medo. Eu só quero justiça, nada mais do que isso. Fiquei um pouco machucado fisicamente, mas, em termos morais, eu me machuquei muito. Realmente afetou minha vida. Não posso voltar ao metrô, isso me faz entrar em pânico”.

Independente da postura do Chelsea, os torcedores envolvidos no episódio ainda precisam ser punidos. Afinal, o que cometeram é um crime. E o próprio trauma de Souleymane deixa isso bem claro. Ainda que as vozes em Stamford Bridge ajudem a combater uma questão tão séria não apenas no futebol, mas em toda a sociedade.

 

 


Fonte: Trivela.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

III REUNIÃO DA MARCHA DAS MULHERES NEGRAS DO DISTRITO FEDERAL (24/02)

Câmara pede ao DF dados sobre PMs após vídeo com garoto agonizando

Sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal (Foto: Ricardo Moreira/G1)


Policiais debocham de vítima de acidente após perseguição na BR-020.
Ministério Público e corporações do DF e de GO investigam o caso.

por Raquel Morais,
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Ricardo Vale (PT), pediu à Secretaria de Segurança Pública todas as informações relacionadas à postura dos policiais durante a abordagem às vítimas de um acidente de trânsito que foram filmadas agonizando no chão. No vídeo, vozes de supostos militares falam "você não rouba, desgraça?", "assume o papel de homem" e "morre com dignidade” (sic).

Entre os documentos pedidos estão boletim de ocorrência, relatórios e os vídeos. "Fiquei indignado ao ver o vídeo em que os policiais debocham de uma das vítimas, que agoniza até a morte. Não é função da polícia julgar, sentenciar e aplicar penas a qualquer cidadão. Por isso, quero investigação rigorosa sobre o que aconteceu naquela trágica madrugada", afirmou o parlamentar. 

Por e-mail, a Secretaria de Segurança Pública disse que a responsabilidade por cuidar dos procedimentos relacionados ao caso é da Polícia Militar. A pasta também disse que o secretário Arthur Trindade ainda não se posicionou a respeito porque não foi oficialmente comunicado do pedido e não conhece o teor da solicitação. Perguntado sobre, o governador Rodrigo Rollemberg declarou que não viu aos vídeos, mas que solicitou investigação à corporação.

A gravação com o deboche às vítimas ocorreu na madrugada do último domingo (15). Na ocasião,cinco adolescentes morreram após perseguição policial na BR-020. Os garotos ocupavam um carro com placa clonada e desobedeceram a ordem de parada de uma equipe da PM em Planaltina. Depois, furaram bloqueios da Polícia Rodoviária Federal e da PM de Goiás e acabaram colidindo contra outro veículo na entrada de Formosa.

Familiares dos cinco jovens, que tinham entre 12 e 18 anos, relatam que as vítimas foram retiradas do veículo e colocadas no chão. Três morreram na batida. Os vídeos que circulam por redes sociais mostram os outros dois em sofrimento, gemendo e tentando se mexer, enquanto são alvo de ofensas. Os pais afirmam que houve omissão de socorro e chegaram a fechar a rodovia nesta quinta em protesto.

O Ministério Público informou que vai investigar junto à PM as circunstâncias da filmagem. A expectativa é de que a apuração leve 60 dias.

"Fiquei indignado ao ver o vídeo em que os policiais debocham de uma das vítimas, que agoniza até a morte. Não é função da polícia julgar, sentenciar e aplicar penas a qualquer cidadão. Por isso, quero investigação rigorosa sobre o que aconteceu naquela trágica madrugada"
Ricardo Vale,
presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa

De acordo com o promotor Nísio Tostes, o corregedor-geral adjunto da Polícia Militar participou de reunião com os representantes da Promotoria de Justiça Militar na última tarde e reafirmou que investiga o caso. Em nota, a corporação já havia dito ao G1 que apura se as falas registradas pertencem a um membro da corporação – a perseguição, diz, contou também com policiais de Goiás.

“Todo policial é formado para servir e proteger a sociedade, como sempre fizemos. Este tipo de atitude isolada que denigre a imagem da corporação não será aceita”, declarou a PM do DF. A entidade goiana também diz investigar e afirmou que as imagens não permitem a obtenção de informações conclusivas.

"A situação do vídeo é meio complexa. Não aparece o rosto dos envolvidos. Há uma questão de farda, aparentemente envolvendo a presença de policiais militares do DF, de Goiás e da Polícia Rodoviária Federal. Ainda tem que ser esclarecido quem é quem", disse Tostes.

Segundo o promotor, uma análise preliminar aponta indícios de que as ofensas não teriam sido proferidas por militares da capital federal. "Tem uma passagem que fala em 'Copom', que é o Centro de Operações da PM. Só que o Copom não existe mais no DF, existe o Ciade. Isso demonstra aparentemente que o policial não é daqui."

O MP diz que vai requerer ao Corpo de Bombeiros e ao Samu detalhes sobre os pedidos de socorro, para saber se houve omissão em algum momento. Tostes afirma acreditar que não haja dúvidas de que policiais não teriam contribuído para o acidente, mas critica a postura adotada por supostos agentes de segurança pública após a colisão.

"Na realidade o que choca são as palavras que são pronunciadas", declarou. "O grande problema ali são as palavras que foram pronunciadas em uma situação que é lamentável para todos os lados. O que aconteceu ali não é o que preconiza a Polícia Militar, não é o que deveria ter acontecido. Independentemente de quem está ali, criminoso ou pessoa de bem, a pessoa que está atendendo não deve usar as expressões que surgiram naquela filmagem."

O G1 tentou contato com o advogado dos familiares, Gilson Santos, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Nesta quinta, ele afirmou que representaria contra os policiais no MP.

Citada como suporte na operação, a Polícia Rodoviária Federal negou ter prestado suporte na perseguição e disse que já chegou ao local após o acidente, quando uma das vítimas era resgatada e encaminhada ao hospital. A corporação afirma que solicitou socorro e que nenhum dos membros participou dos vídeos.

Acidente
O acidente aconteceu na madrugada de domingo. A equipe da PM tentou abordar o carro em que estavam os jovens, com idades entre 12 e 18 anos, na entrada de Planaltina. O motorista tinha 17 anos. Ele se recusou a parar e acabou colidindo com outro veículo na entrada de Formosa, no Entorno do DF. Três garotos morreram na hora, incluindo o condutor. Policiais teriam tirado as vítimas do carro e as colocado no chão.

Familiares e moradores de Planaltina, no DF, fazem roda de oração em memória de vítimas de acidente após perseguição policial (Foto: Isabella Calzolari/G1)

Pai do menino de 12 anos que aparece agonizando nas imagens, o pedreiro José Cícero Ferreira, de 44 anos, se disse “chocado” com as filmagens. “Estava viajando e quando soube da notícia voltei correndo. Eles mataram uma criança. Eles tinham que ter socorrido o meu filho. Na hora em que eles bateram, os policiais tiraram os meninos do carro e jogaram no chão. Meu filho estava pedindo socorro e não ajudaram. Tenho certeza que os policias têm filhos. Não acredito que conseguiram fazer isso com o meu. A gente não quer briga, só queremos paz e justiça.”

Já o pai do menino que dirigia o carro, o motoboy Raimundo Ribeiro, de 41 anos, criticou a ação policial. “Meu filho trabalhava e estudava à noite, nunca teve passagem [pela polícia]. Queremos justiça para que policiais nunca mais façam isso com os outros”, afirmou.

Detalhe de camiseta com fotos de quatro das cinco
vítimas de acidente (Foto: Isabella Calzolari/G1)

Nesta quinta, familiares levaram cartazes para a rodovia e vestiram camisetas com fotos das vítimas. Eles também fizeram rodas de oração. Durante o ato, que durou duas horas e meia, policiais militares revistaram parte dos 70 manifestantes, o que gerou clima de revolta. O grupo fechou a via por 20 minutos.

O motoboy Sigenaldo Souza, 34 anos, declarou que o filho, que tinha 15 anos, e três amigos mortos no acidente iam para uma festa na Estância 3. A quinta vítima não morava em Planaltina, conhecia “de vista” os meninos e ofereceu carona ao grupo. A perseguição ocorreu depois do evento. "Foi a famosa 'carona da morte'", afirmou.

O pedreiro Juscelino de Matos, de 53 anos, contou que o filho, de 18 anos, chegou a ser levado para o Hospital de Base com um corte na boca e no supercílio, além de uma perna quebrada. “Se tivessem socorrido mais rápido, tinham salvado a vida do meu filho. Eles podiam ter feito um cerco, pelo menos meu filho estaria preso, mas vivo.”

O garoto era filho único e havia se alistado recentemente no Exército. “A gente sabe que ele não vai mais voltar, mas esses policiais precisam pagar pelo que fizeram.”

Fonte: G1.

NEGROS DE PROVETA, OU QUANDO O RACISMO GERMINA DENTRO DE CASA.


”o racismo e a opressão familiar e cordial de nosso cotidiano brasileiro.”

“Temos observado um fenômeno preocupante que são agressões que jovens mulheres negras estão sofrendo nas redes sociais.

por marcos romão,
Para nosso espanto as agressões que estas jovens recebem não são de carecas neonazistas, mas sim de homens machistas e negros.

São xingadas quase sempre de mal-amadas no mínimo, quando não sofrem bullyng por parte de grupos que parecem agir orquestradamente, ao se dizerem ofendidos em suas “masculinidades”.

Restrito à pequenas redes sociais, as agressões contra a jovens negras, que escrevem sobre tudo, mas principalmente sobre o machismo e a discriminação racial sobretudo contra a mulher negra, ganhou uma certa notoriedade quando o ator e cantor negro da rede Globo, Marcello Melo Jr, postou imagens depreciativas às mulheres negras, e partiu para ofensas contra seu fã clube que protestou.

Machismo e racismo não é privilégio nem de classe nem de cor. No Brasil em especial, qualquer um pode se comportar como racista “branco” mesmo que seja negro e até pobre pobríssimo quando numa briga se acha no direito de chamar o outro pobre de negro fedido.
No fenômeno em questão, parece que o racismo estilo brasileiro não foge à regra, o negro Marcelo Mello Jr, ao se ver criticado por uma mulher negra soltou o verbo na rede social:
“vai caçar marido! Mau comida não…Pq ninguém de comer vcs!
“Vai se fuder feia pra caralho! Horrível vc Feia e Ridícula.

Nós do Sos Racismo Brasil consideramos este fenômeno de agressividade discriminatória extremamente grave, e independentemente das ações legais e desculpas individuais, consideramos que toda a nossa sociedade precisa puxar o freio de mão dessas agressões e discutir em público e sem medo o racismo, o sexismo, e a homofobia que está se disseminando no seio de nossa juventude.

Empregadores e empregados de empresas, professores e alunos de escolas, pais e filhos, precisam sem preconceitos e pre-julgamentos pegar o Touro da Intolerância e do Obscurantismo à unha.

Ainda temos tempo, precisamos agir, pois este caso é muito mais que uma polêmica de artistas imberbes e irresponsáveis. É um dilema que se explicado, ajudará em muito a entendermos o racismo e a opressão familiar e cordial de nosso cotidiano brasileiro.
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Leia o que saiu no extra sobre o caso:

Fonte: Mamapress.