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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Latinidades – o festival da diáspora negra


"Latinidades – o festival da diáspora negra": o evento ocorre no próximo mês, de 23 a 28/07. Para shows, encontro de saraus, panfletaço, lançamentos literários e feira preta não é necessário inscrição prévia. Confira a programação em http://afrolatinas.com.br/

Fonte: Seppir

terça-feira, 24 de junho de 2014

Nossa cota se chama mérito


“Nossa cota se chama mérito!”

Essa foi a resposta da toda poderosa DisneyCamp aos movimentos sociais que lutam para que negrxs e pobres ocupem outros lugares e funções nos domínios sagrados da universidade pública além de limpar e servir. Sem novidade para os acostumados às tradições do feudo campineiro… Além disso, a palavra mérito se tornou um acalanto aos corações e mentes da elite desesperada com a iminente, e inevitável, ascensão social dos grupos que ela acostumou a considerar subalternos, dominados, marginalizados, excluídos, carentes, vulneráveis, gentios, pagãos, proletários, escravos…

Enfim, suas categorias político-sociais-econômicas-blá-blá-blá não foram suficientes para nos manter sob controle e agora queremos mais e mais. Queremos ocupar as cadeiras, queremos salas com nossos nomes gravados nas placas da porta com títulos e mais títulos antes deles, currículos que falam por si e tornam nossos rostos negros e duros ainda mais assustadores. Afinal, desmascaramos suas mentiras e dominamos também seus conhecimentos, invadimos sua praia e estamos à vontade para empreender as mudanças necessárias, abrindo com foices e facões as trilhas para os outros que virão. E eles certamente virão, aos montes e trarão outros!

Mas não é só isso que apavora a burguesada, pois além dos conhecimentos deles, temos ainda a força de caráter que os séculos de luta por sobrevivência nos deu, a dignidade de quem nasceu com sangue de rei, a paixão ardente de quem vive com a possibilidade real de não ter um amanhã. Sim, foi o racismo deles que nos transformou em um exército imbatível de guerreiros incansáveis!

E eis que o opressor recalçou as botas, engatilhou as espingardas, colocou o lençol branco pra quarar e incendiou sua grande cruz de madeira. Os gigantes do conhecimento tacanho e mesquinho, do academicismo caduco e estagnado no século XIX, USP e Unicamp, se uniram para defender os interesses daqueles que MERECEM estar do muro pra dentro. Dos que “querem e conseguem”; dos esforçados filhos de nossa burguesia que se matam para passar no vestibular, cuja prova eles repetem e decoram desde a mais tenra idade, o único vislumbre de cultura para muitos; dos que abandonam o seio familiar para se aventurar nos descaminhos de apartamentos e kitnets pagos pelos pais; dos que enfrentam a dureza do trânsito cerceando a liberdade que seus carros – conquistados com o sacrifício de ter feito 18 anos – deveriam oferecer.

Diante de tão grande dilema de nossa elite acuada pela nossa intolerância e ingratidão, só tenho um recado para xs nossxs:

“Toda vez que a gente avança, eles nos pedem calma

Cotas é só o começo, eles nos devem até a alma”

(grupo Opanijé Bahia)Acompanhe nossas atividades, participe de nossas discussões e escreva com a gente.

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Mariana Santos de Assis é formada em letras e mestranda em Linguística Aplicada na Unicamp. Escreve no blogconversaafiadaca.blogspot.com.br

BRASIL | SISTEMA PALMARES DE INFORMAÇÃO | FCP-MinC e UFRB


Construir uma plataforma georreferenciada com informações sobre as manifestações culturais negras brasileiras. Esse é o objetivo do Sistema Palmares de Informação, que será lançado no próximo dia 4 de julho, em Cachoeira/BA. Maculelê, bumba-meu-boi, samba de roda e outras expressões da cultura afro-brasileira terão seus aspectos apresentados e popularizados por meio de uma ferramenta oficial na internet.


Fonte: Seppir

Governo brasileiro cria canal 138 para receber denúncias contra racismo

‘Disque Racismo’ deverá ser efetivado nos próximos meses e funcionará em todo País por meio do número 138

Anúncio foi feito sexta-feira (20), em entrevista coletiva no Centro Aberto de Mídia João Saldanha (CAM), no Rio de Janeiro

A ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Luiza Bairros, anunciou sexta-feira (20), em entrevista coletiva no Centro Aberto de Mídia João Saldanha (CAM), no Rio de Janeiro, a criação de um novo canal para recebimento e encaminhamento de denúncias sobre o crime de racismo.

O Disque Igualdade Racial ou Disque Racismo, deverá ser efetivado nos próximos meses e funcionará em todo país por meio do número 138. “O enfrentamento ao racismo e seus efeitos na vida das pessoas passou a fazer parte da agenda governamental a partir de 2003, quando foi criada a SEPPIR. Desde então, temos desenvolvido um conjunto de iniciativas, de agendas que se traduzem em planos e programas para segmentos da população negra no Brasil”, disse a ministra.

“Dentro do governo já existia a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, que acolhe da parte da sociedade denúncias de discriminação que são encaminhadas para os poderes de justiça, para que eles deem seguimento a essas denúncias. Para agilizar essas denúncias é que criamos o Disque Igualdade Racial, por meio do número 138. Neste canal, o Estado brasileiro dará uma resposta e uma distribuição mais ágil para a justiça”, completou ela. A ouvidoria já recebeu, desde 2011, 1.545 denúncias de racismo.

A criação do Disque Racismo é mais uma ofensiva do governo brasileiro, que foi pioneiro no mundo na ideia de criar uma Secretaria no primeiro escalão da administração federal, com status de Ministério, para tratar do assunto. Por ter sido o primeiro governo do mundo a institucionalizar a discussão de políticas de igualdade racial, o Brasil é referência internacional na área.

Nos últimos meses, a SEPPIR tem mantido contato com entidades ligadas ao futebol, aos árbitros e às torcidas organizadas para prevenir e conscientizar sobre o racismo, difundindo que tal prática é considerada crime imprescritível e inafiançável no País, com pena prevista de 1 a 5 anos de prisão e multa pela Lei 7.716/89.

Na coletiva, a ministra acompanhou o ex-árbitro de futebol Márcio Chagas da Silva, que foi vítima de racismo no início de março passado, quando apitava um jogo do campeonato gaúcho, em Porto Alegre. “Sofri muito com os xingamentos durante partidas, tive o carro depredado com pontapés na porta e bananas jogadas. Não fui só eu, também sofreram colegas em campo, como os jogadores Tinga, Arouca e Daniel Alves”, afirmou Márcio.

“Quase desisti do futebol em 5 de março, mas estava de cabeça quente. Conversei com minha família e resolvi ir até o fim daquele campeonato. Continuo no futebol, mas como comentarista esportivo. As pessoas se transformam quando a bola rola”, disse o ex-árbitro, que se aposentou recentemente. "Trazer à tona essas ocorrências é fazer com que as pessoas saibam o quanto é forte o racismo no futebol”, completou.

No Brasil, o futebol é reconhecido por toda a sociedade como lugar de excelência. A diversidade racial tem sido elemento determinante da excelência no futebol. Mas, a exemplo do futebol, o país pode fazer da diversidade racial um fator de excelência em todas as áreas da vida social. Para Luiza Bairros, a Copa no Brasil é uma oportunidade - "O Brasil está num lugar privilegiado para protagonizar esta campanha contra o racismo, também no futebol. São exemplos fortes e que nos colocam numa posição política confortável para propor que esta Copa seja a copa contra o racismo”.

O entendimento de autoridades do setor é que o racismo ainda presente no futebol é um reflexo das manifestações de discriminação que afetam a população negra - 50,7% dos brasileiros são negros ou pardos. "Só quem é negro sabe como machuca e como dói ser vítima de discriminação racial. Como se sente violado e violentado. Só quem passa por isso sabe o que é”, concluiu Márcio Chagas.

Em 2010, o Congresso Nacional aprovou o Estatuto da Igualdade Racial e nos últimos anos aprovou também leis que criam cotas para negros em universidades federais, nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e no serviço público. “Queremos que a discriminação não mais atue”, finalizou Luiza Bairros.

A Lei de Cotas nas universidades federais, instituída em 2012, ampliou a presença da população negra no ensino superior gratuito do país. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da UERJ, o número de vagas reservadas para negros, pardos e indígenas subiu 225% entre 2012 e 2014: eram 13.392 vagas separadas para esse grupo naquele ano, e agora são 43.613 vagas reservadas. Para a ministra, “estamos pautando processos de mudança no Brasil. E este amadurecimento pode ocorrer também na Copa do Mundo”.

Fonte: seppir

DROGA DE SOCIEDADE: RELATÓRIO DA PESQUISA SOBRE O USO DE CRACK NO BRASIL

por Paulo Amarante, Via CEBES
A pesquisa, realizada em 26 capitais e no Distrito Federal, além de algumas regiões metropolitanas e alguns municípios de médio e pequeno porte, para alguns aspectos epidemiológicos, revela algumas surpresas e algumas constatações.


O objetivo de um dos métodos adotados, o Network Scale-up Method, visou identificar o uso da substância em populações consideradas de difícil acesso. O próprio relatório utiliza o termo populações “invisíveis” e, neste sentido, aponta para uma questão intrigante: descobrimos que são pessoas pobres ou muito pobres, os desfiliados que nos falou Robert Castel(apenas 4,2% tem alguma forma de trabalho regular com carteira assinada, com faixa de renda muito baixa); são pessoas que se autodeclaram como sendo “não-brancas” (o questionário utiliza esta categoria escolhida por 80% das pessoas para definirem sua cor/raça, indicando um nítido recorte étnico nas cenas de uso), são habitantes das capitais do nordeste (quase 50 % dos usuários são nordestinos, convivem com grande pobreza, com prostituição infantil e adulta, como forma de subsistência e não apenas como forma de obter recursos para a compra da droga); 80 % são homens, 80% são solteiros, 80% têm em média 30 anos, 80% têm apenas o ensino fundamental…

Uma das surpresas é que o consumo na região sudeste não é o maior do país, embora a mídia, principalmente a televisiva, fique exibindo cotidianamente as cenas de uso denominadas de “cracolândias”, como reality shows (e não estou fazendo uso de analogia ou metáfora), incutindo no imaginário social a ideia de que o crack dominou a sociedade e que não há mais nada a fazer senão declarar (mais uma vez) a guerra total: guerra às drogas! É na esteira desta visão equivocada e simplista que nasceu o PL 7.663/10 do Deputado Osmar Terra que ao invés de contribuir para solucionar vai contribuir para agravar a questão das drogas no país.

Adorno e Horkheimer utilizaram a expressão “manipulação retroativa” para referirem-se ao mecanismo no qual as pessoas escolhem o que desejam quando na verdade recebem o que pensam que querem. Com as campanhas moralistas antidrogas isto ocorre regularmente com a mídia e o poder público que constroem os problemas a seu modo e as soluções de igual forma.A expectativa era a de que o uso predominante e assustador de crack fosse constatado pela pesquisa. Mas não: o usuário de crack é também consumidor de outras drogas, principalmente o tabaco (cerca de 90%) e o álcool (cerca de 80%), mas também a maconha, a cocaína, os solventes, a cola de sapateiro, benzodiazepínicos, anfetaminas… Enfim, são poli usuários. O que isto significa: que é um equívoco centrar as políticas em uma só droga, pois o problema não está na droga e sim nas pessoas e em suas condições objetivas e subjetivas de existência.

Enfim, os dados indicam que o uso predominante do crack e demais drogas é entre segmentos sociais menos favorecidos, pessoas com baixa ou nenhuma capacidade de inserção social. Neste sentido é curiosa a expressão “invisíveis”: são dezenas, centenas, milhares de pessoas que circulam pelas regiões mais pobres das cidades, desassistidas pelas políticas públicas, esquecidas pelo Estado, vítimas do esquecimento e que, embora possam fazer malabarismos com bolas de tênis ou limões nos sinais de trânsito, não são vistas pelos motoristas dos furgões com insulfilmes ou pelos passantes apressados. São invisíveis! Portanto, chama a atenção que 80% usem o crack abertamente, em locais públicos, colocando em xeque nossa capacidade de ver, ou nossa coerência em ver: quantos outros crimes, infrações, contravenções, não são igualmente visíveis? Os pontos de jogo do bicho em cada esquina e bar, as abordagens da polícia em busca de propinas, e tantas outras cenas de uso da violência cotidiana, por que são invisíveis? O que lhes dá visibilidade? Poderiam ser as cracolândias um apelo desesperado de visibilidade social destes sujeitos abandonados pela cidadania?

Uma outra questão tem enorme relevância, pois faz cair por terra um conjunto de mitos que os políticos, religiosos, profissionais da psiquiatria tradicionalconservadores e ligados ao mercado assistencial insistiam em afirmar. O principal mito é o de que ao primeiro contato com o crack a pessoa se torna dependente da droga e perde a capacidade de discernir, de julgar e de optar ou não pelo tratamento. Daí adviria a necessidade absoluta, afirmam eles, de realizar o sequestro da internação compulsória.

Ao contrário: 80% das pessoas declinaram interesse em se tratar! E como resposta, o que o poder público ofereceu em troca? Apenas 6,3% dos usuários tiveram acesso aos Centros de Atenção Psicossocial especializados no tratamento de dependentes químicos, chamados de CAPS ad, serviços fundamentados na estratégia da Redução de Danos e que têm apresentado muitos bons resultados. Recentemente fizemos uma ‘chamada de artigos’ para a Revista Saúde em Debate e pudemos constatar tal premissa pela grande quantidade e qualidade dos artigos e resultados apresentados.

De uma forma geral o que os dados nos levam a refletir sobre a extrema pobreza, violência e desigualdade existentes na estrutura social e que as características do uso do crack nos fazem perceber, por mais que os relatórios econômicos indiquem prosperidade para as classes populares. Ao invés de investir em repressão, como querem o PL 7.663/10 (que no senado recebeu o número 37/2013) e muitas outras propostas do governo, ou de investir em métodos autoritários e ineficazes, que atendem mais aos interesses dos empresários do setor (internação compulsória, comunidades terapêuticas e clínicas de reabilitação de dependentes químicos), é hora de pensar em estabelecer uma rede efetiva de assistência tais como CAPS, CAPS ad, Consultórios na Rua, Saúde da Família, CRAS e CREAS (Centros de Referência de Assistência Social e Centros Especializados), em estratégias de redução de danos e um investimento socioeconômico real de melhoria da qualidade de vida, reforçando os abandonados Pontos de Cultura, os Centros de Convivência, as escolas, as áreas e projetos de lazer e esporte, os meios de transporte público (a gota d´água das manifestações de junho), os espaços e projetos públicos de valorização das comunidades e das pessoas.

Poderia encerrar dizendo que se não caminharmos no sentido desta opção mais estrutural estaremos apenas enxugando gelo. Mas seria ingênuo fazer tal afirmação: a questão não é decorrente da escolha de estratégias equivocadas e sim aos interesses que estão por trás delas.

Enquanto isso precisamos continuar lutando contra o PL 7.663/10 (37/13 no Senado), contra as internações compulsórias e a mercantilização da questão da dependência química pelas ditas “comunidades terapêuticas” e clínicas de tratamento em regime de isolamento involuntário.

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Paulo Amarante - Editor Científico da Revista Saúde em Debate e Membro da Diretoria Nacional do Cebes

Fonte: Culturaverde

segunda-feira, 23 de junho de 2014

“Quando eu morrer, vou contar tudo a Deus”, afirma criança vítima da guerra na Síria


Por: Dan Martins,
No último mês a agência EFE informou que mais de 150 mil pessoas morreram desde o início da guerra que assola a Síria a cerca de três anos. Em meio a essa situação desoladora, um menino de 3 anos de idade chamou a atenção do mundo todo quando, pouco antes de morrer, afirmou que “contaria a Deus” sobre a guerra quando morresse.

- Eu vou contar tudo a Deus – teria afirmado a criança, que não foi identificada.

Segundo o Acontecer Cristiano, o menino estava muito ferido quando proferiu essas palavras, vítima dos confrontos no país, e morreu poucos dias depois. Essa afirmação chamou a atenção em todo o mundo, e o site Economy 2.0 comentou afirmando que isso serviu para aumentar a conscientização sobre tudo que está acontecendo no mundo.

- Morrem pessoas inocentes todos os dias por razões que não consigo nem explicar, uma vez que eles não são culpados de nada – afirma o site.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ONG responsável pelos dados da guerra divulgados pela EFE, dados informações recebidas de uma rede de ativistas e fontes médicas militares relatam 150.344 mortos pela guerra, entre os quais estão incluídos 51.212 civis, dos quais 7.985 são crianças.

Fonte:Dihitt

Mc Biel e LFDAT Os molequin de menor


"Mc Biel. Desde pequeno ligado nos movimentos da sua quebrada e em meio a isso tudo tendo que constantemente fazer escolhas, independente que tenha apenas 10 anos o sistema opressor exige caráter e personalidade de crianças para que não se tornem adolescentes e adultos que irão engrossar as estatísticas de dependentes químicos, detentos ou finados.

Se é assim, então é nosso papel instruir e acompanhar nossas crianças de perto e as proteger."

Assista: